Patricia é artista plástica, ilustradora e apaixonada pela formas da natureza. Seus traços fortes e ao mesmo tempo delicados estampam diversos tipos de matéria. Telas, papéis, tecidos, madeiras… quase tudo é superfície para o intenso trabalho dessa moça de cabelo vermelho e alma transparente.

flickr.com/patbrandstatter

 
 

Enquanto o tempo voa e todo mundo quer chegar logo, há pessoas que fazem questão de não encurtar o caminho.E ir no seu ritmo. Leve o tempo que levar, dure o tempo que durar.A Pat Brandstatter é meio assim, atemporal.Um jeito de menina, mas a certeza madura da importância do prazer em seu fazer. Ela é ilustradora e adora desenhar plantas e flores em papeis, madeiras, paredes e tecidos.Talvez, porque aprecie o transcorrer da natureza – ver a semente brotar, crescer, florescer…São dela as lindas ilustrações das camisetas e postais que as Floristas entregaram como presente no TEDxAmazônia, que tem como tema “Qualidade de Vida para Todas as Espécies”.E quanto tempo cada espécie leva para evoluir? Pat não tem pressa… Seu desejo é seguir se transformando.

“Tanto no desenho como na vida, procuro respeitar
os movimentos naturais, as necessidades íntimas… Cada passo é uma pequena descoberta para a construção
do sentido.”

 

 

“Percebo, através
do meu próprio processo, que a arte pode ser um meio libertador e de sensibilização para uma aproximação
das essências de si
e do outro."

Conheça a história de Pat Brandstatter

Fui uma criança tímida e introspectiva, passava muito tempo lendo e desenhando.

As histórias me transportavam para universos mágicos e o desenho era um meio de experimentar, contemplar e me relacionar com o mundo.

Gosto de desenhar observando as formas, é um processo de encantamento e intersubjetivação.

Muitas vezes, quando volto totalmente a atenção para um determinado objeto, seja vivo ou inanimado, com a intenção de representá-lo, entro quase em estado meditativo, as relações espaço/tempo são suprimidas e é como se aquela imagem que está nascendo mantivesse, juntas, a realidade do objeto em si e sua existência em mim.

Através dela me reconheço e reconheço o outro em intimidade.

Tanto no desenho como na vida, procuro respeitar os movimentos naturais, as necessidades íntimas.

“Muitas vezes, quando volto totalmente a atenção para um determinado objeto, seja vivo ou inanimado, com a intenção de representá-lo, entro quase em estado meditativo, as relações espaço/tempo são suprimidas e é como se aquela imagem que está nascendo mantivesse, juntas, a realidade do objeto em si e sua existência em mim.”

Cada passo é uma pequena descoberta para a construção de sentido e, assim, não consigo visualizar fins de processos.É como se os meus desenhos, gravuras e pinturas nunca terminassem, paro por uma necessidade prática (um prazo de entrega, por exemplo), mas sinto que eles retomam de onde estavam para continuar seu caminho no próximo, que será só mais um dos infinitos passos.Me encantam os processos de transformação natural, a percepção de que o tempo registra sua ação nas faces da matéria e que cada um dos seus estados têm a sua beleza.

“Todos os procedimentos são sagrados, se são interiormente necessários”. 
(KANDINSKY, Do Espiritual na Arte, 1996)

Acredito que temos que estar muito atentos para seguirmos o melhor caminho possível em tudo o que vamos fazer e, para mim, percebo que a melhor forma de isso acontecer é quando respeito as minhas necessidades interiores.Sinto que para serem verdadeiros a minha vida e aquilo que posso criar devo ter muita liberdade, a liberdade que não ultrapassa o espaço e o respeito pelo outro, mas que pode sim contrariar ensinamentos e desejos pré estabelecidos socialmente.Percebo, através do meu próprio processo, que a arte pode ser um meio libertador e de sensibilização para uma aproximação das essências de si e do outro.Ainda pesquiso formas de dividir essa experiência com muitas pessoas, mas já fico muito feliz de poder expor um pouquinho dela aqui.

Gosto e me identifico muito com as filosofias do artista russo Wassily Kandinsky e do filósofo francês Henri Bergson, então reescrevi frases de ambos porque acredito que sintetizam uma parte importante do que penso sobre arte e vida…”“Todos os procedimentos são sagrados, se são interiormente necessários”.(KANDINSKY, Do Espiritual na Arte, 1996)“Quanto mais aprofundamos na natureza do tempo, mais compreendemos que a duração significa invenção, criação de forma, elaboração contínua do absolutamente novo”.(BERGSON, A Evolução Criadora,1979)

C53.jpg

 

“Me encantam
os processos
de transformação natural, a percepção de que o tempo registra sua ação
nas faces da matéria
e que cada um dos seus estados têm
a sua beleza.”

 

 

Texto Karine Rossi | Fotos Gleice Bueno