"Quando se conhece a origem, muda-se o comportamento de consumo"

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Uma das bebidas mais consumidas do mundo não é apenas um estimulante para aquelas hora de sono ou para uma prosa acompanhada por um pão quentinho. Para Ana, que trabalhava com moda masculina, e Daniel, ex-produtor artístico de bandas de pop rock, o café foi responsável por uma mudança de vida.

Há quatro anos, eles criaram a marca OCabral Café para a qual garimpam cafés especiais de pequenos produtores brasileiros, além de criarem canecas para vender e servir esse sagrado elixir de todas as manhãs. “Começamos como entusiastas até irmos nos profissionalizando e virar um negócio”, recorda Ana. O ponta-pé aconteceu depois que conheceram o universo dos cafés especiais, durante uma viagem que fizeram a amigo que havia aberto uma cafeteria em Vitória (ES).

A partir daquele momento, o casal começou a pesquisar quem plantava, colhia e torrava. Cenário que permitiu que tivessem uma nova visão de produção e consumo. Tanto que hoje o casal consome produtos orgânicos e direto de pequenos produtores. “Com certeza o café foi fundamental para essa mudança. Quando se conhece a origem, muda-se o comportamento de consumo”, conta Ana.

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

 

Começamos como entusiastas até irmos nos profissionalizando e virar um negócio


 
 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

De grão em grão

Para a curadoria dos cafés, Ana e Daniel viajam pelo Brasil, conhecendo fazendas e sítios de cafés especiais, como os produzidos no município de Alto Caparaó, em Minas Gerais. Com isso, eles também fazem um trabalho de conexão entre todos os protagonistas dessa rede de produção.

Visitas já os tornaram conhecidos no meio e que hoje proporcionam uma busca por parte dos próprios produtores, que os enviam amostras de toda a cadeia produtiva. Um trabalho que ainda difunde e amplia a discussão sobre cafés de alta qualidade produzidos por produtores locais.

Como inspiração, OCabral também busca referências fora do universo do café. “Principalmente quando se trata de algo que desperte o sensorial”, conta Ana. O resultado é vendido e consumido em feiras, como o Mercado Manual, ou na loja básico.com, no bairro dos Jardins, na capital paulista, onde mantém um ponto fixo.

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

 

O dia a dia e o contato direto com nossos clientes, que estão abertos a experiências e mudanças, são as maiores inspirações


Revolução não industrial

Das experimentações feitas pela OCabral Café, novas perspectivas impulsionam a marca que, assim como outras dedicadas à cultura feita à mão, também enfrenta percalços no caminho. “O desafio é manter o comércio justo, que só é possível quando você tem certeza do seu propósito. Também enfrentamos, todos os dias, desafios de inserção: trazer as pessoas para esta experiência e questionar os modelos convencionais que estão enraizados nos nossos hábitos de consumo”, ressalta Ana.

Por isso, hoje o sonho dos sócios nada mais é do que cultivar a proposta que o levou de um simples hábito diário até a missão de fomentar toda uma cadeira produtiva. Uma teia em que cada pessoa envolvida é protagonista e onde todos podem crescer juntos, “de forma transparente e correta, sempre acreditando em uma nova revolução não industrial.”

 

Ser manual é pensar e agir de dentro pra fora; é gerar mudança resgatando fazeres e valores humanos alinhados com pensamento e ação


 
 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto Daniel e Ana para #soumanual: Naira Mattia
Entrevista: Giovanna Riato
Texto: Maju Duarte
Produção: Rede Manual e Casa Dobra

 
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