"Poder criar com liberdade e tempo me dá a possibilidade de experimentar"

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Fazer com as próprias mãos acessórios que contassem histórias e que durassem muito mais do que uma estação. Era isso que a estilista Mariana Gouveia buscava quando produzia, apenas para ela, peças com um design atemporal. “Joias que eu pudesse usar sempre, que combinassem com coisas que eu já tinha e, principalmente, que eu pudesse comprar”, conta.

Passaram-se anos e aquele desejo da época de estudante ficou de lado. Já formada, Mariana trabalhou no segmento da moda para marcas como Ellus e Triton. Sempre na criação e no desenvolvimento de jeans. Até observar que aquele processo não pedia tanto sua participação e autoria. “Sentia a necessidade de acompanhar a criação e o desenvolvimento das peças do início ao fim, e isso não acontecia.”

Ao constatar essa barreira, a artesã tratou de desengavetar aquela paixão deixada para trás. Em 2011, matriculou-se num curso de joalheria artesanal, como um hobby. Uma tentativa de estar presente, do começo ao fim, num processo criativo e autoral. Um passo despretensioso, mas que foi essencial para a criação do Estúdio Iracema.

Primeiro, a artesã produzia peças para si e para amigos. Depois, veio naturalmente a busca de outras pessoas interessadas pelo design que lapidava em cada um dos colares, brincos e outras peças feitas a partir de pedras brutas e prata. De maneira orgânica, a marca foi amadurecendo.

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

 

Me encanta poder criar joias únicas, que contam histórias e que carregam tantos significados


 
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In natura

Desde o começo, a marca é resultado de uma inspiração na natureza e nas diferentes possibilidades e desenhos que ela desabrocha. Somados a essa observação estão o lado ouvinte da artesã e o tempo dedicado à criação. “Tudo isso me dá a possibilidade de experimentar.”

Atualmente, Mariana compartilha com o marido e sócio, Felix, a gestão do estúdio. “A estrutura é bem simples. Sou a designer e cuido de toda a parte de produção: do projeto à confecção da peça.”

Além disso, a artesã também cuida das redes sociais da marca e dos atendimentos. Principalmente no caso de encomendas de peças sob medida e alianças. “Felix faz visitas aos fornecedores, realiza as compras e cuida da logística de entregas e da manutenção do nosso site”, complementa.

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Passar o que sabemos hoje para outros está na lista de coisas que queremos realizar

 

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Corrente do bem

Por ser um trabalho totalmente feito à mão, Mariana cria pequenas coleções e faz joias sob encomenda. Como não há estoques, a produção é em pequena escala. Para a designer, não restam dúvidas de que o Estúdio Iracema contribui para um consumo mais consciente e “com mais alma”.

Mesmo assim, ela percebe que há dificuldades em administrar tantas etapas do negócio. Tarefas como marketing, compras, financeiro, entre outras. Experiências que ela gostaria de compartilhar com outros artesãos.

“Quero poder ensinar o que aprendi porque acredito no poder transformador do saber fazer, do trabalho manual. Ter um espaço para desenvolver nossas joias e conseguir passar o que sabemos hoje para outros está na lista de coisas que queremos realizar”, revela.

Até concretizar esse novo objetivo, os sócios caminham sem pressa, mas com esmero. Como no começo da marca. Dando tempo ao desenvolvimento de ideias e projetos. “Acho que a Iracema precisa crescer lentamente para não perder sua essência”, confia.

 

Ser manual para mim é fazer parte de uma rede que cria e consome com consciência e respeito, e que valoriza mais o fazer do que o ter


 
 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto Mariana Gouveia para #soumanual: Naira Mattia
Entrevista: Giovanna Riato
Texto: Maju Duarte
Produção: Rede Manual e Casa Dobra

 
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