“A criação precisa expressar a nossa essência. Esta é a beleza de ser manual”

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Anália Moraes e Daniel Wood não têm um negócio. Eles são um negócio: a Casa Dobra, projeto que fundaram há cerca de três anos para reunir paixões e diferentes fazeres. Ela, como artista plástica, ilustradora e ceramista, cria peças para embelezar espaços e pessoas. Ele, fotógrafo, filmmaker e poeta, traz gama de atuação focada em serviços e produção de conteúdo. Neste espaço, se complementam em ideias e essência, como parceiros de negócio e de vida. Uma dupla que mistura trabalho, casa, projetos, anseios e a veia criativa que pulsa forte. Uma casa.

“A semente do projeto nasceu quando fomos morar juntos”, conta Anália. Ela diz que, como casal, já existia colaboração e interesse natural um na carreira do outro. Aos poucos, começaram a dividir mais e a borrar os limites da atuação profissional de cada um. “Temos bagagens e experiências profissionais muito diferentes, mas os nossos princípios se encontraram, a nossa base de pensamento. Vimos aí a chance de estar lado a lado, de mãos dadas em um projeto nosso”, diz. Assim, de um jeito orgânico, a parceria que já existia na caminhada dos dois ganhou outra dimensão: o trabalho. “A Casa Dobra virou esse guarda-chuva que dá vazão a muitas coisas, até à nossa necessidade de criar. Com o tempo, fomos desenvolvendo o conceito e a estética”, conta Wood. Ele complementa:

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

 

“Tem horas em que eu estou mais presente, tem horas em que é mais ela. O importante é que, ao dividir a concepção e a condução das coisas, a entrega final ganha força”.


 

Eles dizem que, depois que a ideia de ter um negócio juntos ficou clara, não foi tão difícil combinar a fluidez dos anseios criativos e a consistência que uma empresa precisa ter. Anália já trabalhava de casa, acostumada com a estrutura que esta independência demanda. Daniel tem um jeito organizado de dar cada novo passo: foi sócio de uma agência de publicidade e até hoje atua com planejamento nessa área.

“Somos muito pé no chão”, resume Anália, contanto que eles sempre desenham e projetam antes de, efetivamente, fazer. “Assim não temos aquele frio na barriga, o pânico de que as coisas vão dar errado. É tudo mais leve.” Para eles, não adianta romantizar o fazer manual e criativo. É sempre trabalho e, portanto, precisa de planejamento e alguma ordem. Ainda assim, o que nutre o projeto é a alma que eles colocam em cada criação, os dois defendem:

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

 

“Ser manual é ter presença em cada etapa, com liberdade para criar. A beleza está em colocar a nossa essência no que fazemos – isso é mais importante do que a manualidade em si. É uma questão de autoconsciência. O que você faz precisa vir de dentro, apontar para a sua vida, expressar a essência. Senão é só criar por criar”


 
 @casadobra

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Parte do esforço da Casa Dobra, contam, é evidenciar estes princípios para qualquer um com quem trabalhem, seja uma empresa que encomenda um serviço, clientes que compram cerâmicas... Todos precisam estar conscientes de que o projeto é feito, acima de tudo, de pessoas.

“Se não tem humanidade perde o sentido. Precisamos falar abertamente com quem está do outro lado. Ser manual é estar presente e esta é uma conexão íntima. Nos colocamos ali e precisamos dessa troca com os nossos clientes também, afinal, é a nossa casa”, diz Anália. Segundo ela, ao se propor a construir relações transparentes no mundo dos negócios, a Casa Dobra tem o desafio de educar um mercado que nem sempre tem essa postura como padrão. “Sempre deixamos claro quem somos, como trabalhamos. O nosso papel é também desenvolver essa rede.”

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

ERRAR PARA ACERTAR

Como parceiros de vida e de trabalho, Anália e Wood reconhecem que às vezes é preciso respirar, buscar algum distanciamento para que cada um se encontre novamente com a própria individualidade. Os dois descobriram essa necessidade nos três anos em que atuam com a Casa Dobra. Alguns aprendizados dos dois vieram depois dos erros, como acontece com tantos empreendedores. “Já nos envolvemos em projetos e depois descobrimos que não tinha nada a ver com a gente, com os nossos princípios. Como já trabalhei muito com publicidade, que é um mercado muito difícil e competitivo. Não quero reproduzir essa lógica na Casa Dobra”, diz Wood.

Ele admite também que os dois já aceitaram trabalhos maiores do que a Casa Dobra tinha capacidade de absorver e, por isso, se esgotaram em jornadas de trabalho longas demais. “Foi importante para o desenvolvimento do nosso projeto e até inevitável lá no começo, mas hoje tentamos escolher trabalhos que façam sentido para nós e nos permitam manter a mente e o corpo saudáveis”, diz Anália. É um esforço constante, reconhecem, mas eles seguem empenhados em respeitar o próprio tempo:


“Ao fazer algo que te expressa completamente, você vai errar na mesma proporção que erra como indivíduo. Isso só muda com a maturidade e com o tempo”


 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Por outro lado, os dois entendem que, entre os acertos da Casa Dobra, está a incomum decisão de manter a atuação multidisciplinar, sem focar em apenas um produto ou serviço. “Gostamos de entregar variedade e isso nos permite experimentar, criar com liberdade. As nossas entregas estão em constante transformação. Se decidimos fazer algo que não dá certo, não tem problema. O nosso negócio não está apoiado em uma coisa só”, conta Wood.

Assim, com a abordagem em contínua mudança e adaptação, mas firme na essência, a Casa Dobra constrói o espaço que realmente acredita. “Acabamos atraindo projetos e pessoas com propósitos muito similares”, dizem. Entre erros e acertos, eles seguem em frente, transformando a casa em lar.

 Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto: Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto Anália Moraes e Daniel Wood para #soumanual: Naira Mattia
Texto: Giovanna Riato
Produção: Rede Manual e Casa Dobra