Mulheres Radicais na Pinacoteca

 
playlist_mulheresradicais.jpg

O feminino na arte vai muito além das mulheres retratadas nos quadros e esculturas feitas por homens. É justamente isso que retrata a exposição Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985, que está na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A mostra derruba o machismo dentro do museu e tem raiz multicultural, com curadoria da venezuelana britânica Cecilia Fajardo-Hill e da pesquisadora ítalo-argentina Andrea Giunta. É pura inspiração.

Nos dias 1 e 2 de setembro, em paralelo à exposição, acontece a segunda edição do Manual na Pinacoteca. A justificativa perfeita para visitar a mostra, passear pelo museu e conhecer os projetos autorais que estarão no festival – em sua maioria, femininos.

Inspiradas por este encontro do Mercado Manual com a Pinacoteca e incrível exposição Mulheres Radicais, preparamos uma playlist cheia de latinidade, focada na produção musical do mesmo período da mostra, de 1960 a 1985. É só dar o play:

O CORPO COMO CAMPO POLÍTICO

Com a exposição na Pinacoteca, é a primeira vez que o público tem acesso a um mapeamento amplo das práticas experimentais de mulheres da América Latina, com a possibilidade de compreender o seu impacto no cenário internacional. São 280 trabalhos de 120 artistas. Assim, a mostra dá visibilidade a uma produção que sempre esteve à margem da história da arte, que tradicionalmente mantém os holofotes sobre os homens.

Segundo a Pina, o recorte cronológico é importante para a história da arte na região e pelas transformações da representação do feminino. Neste período as artistas passaram a refletir sobre o corpo da mulher como um campo político, desafiando os padrões estabelecidos até ali. “É o corpo como redescoberta do sujeito, algo que, mais tarde, viríamos a entender como uma mudança radical na iconografia do corpo”, contaram as curadoras em comunicado da Pinacoteca.

Segundo elas, a abordagem das artistas latino-americanas foi uma forma de enfrentar a difícil atmosfera política e social de um período marcado pelo poder patriarcal nos Estados Unidos e pelas atrocidades das ditaduras apoiadas por aquele país na América Central e do Sul. Os dois movimentos reprimiam os corpos, sobretudo os das mulheres. As obras denunciam a violência social, cultural e política da época.

 
 
MúsicaKarine RossiPlaylist