Limpeza verde em cápsulas

Foto: Gleice Bueno

Foto: Gleice Bueno

 

Que preço nosso planeta está pagando para que a sociedade tenha casa e roupas limpas? Já pensou? Semanalmente, compram-se detergentes, sabão em pó, desengordurantes, amaciantes… Uma lista grande (e cada vez mais diversificada) de produtos com fórmulas à base de ingredientes sintéticos e de origem petroquímica. Composições com alta presença de cloro e de fosfatos, altamente tóxicas se não forem bem manejadas, e capazes de agravar ou desencadear alergias. Nesta equação entre limpeza a qualquer custo X sustentabilidade do planeta entram ainda dois fatores: uma massiva quantidade de água e de plástico na linha de produção.

No Brasil, segundo últimos dados do Banco Mundial, mais de 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular, em lixões a céu aberto. Outros 7,7 milhões de toneladas são destinadas a aterros sanitários e mais de 1 milhão de toneladas sequer são recolhidas pelos sistemas de coleta. Outro dado surpreendente é que 90% dos produtos de limpeza convencionais é composto por água. O resultado desta matemática: nosso país é o 4º mercado mundial de produtos de limpeza.

Com sede em São Paulo, a empresa YVY (nome que em tupi-guarani quer dizer “terra”, “chão que pisa” e “lar”) vem trabalhando para derrubar essa lógica. Com uma tecnologia brasileira, a empresa criou um líquido de limpeza que tem como base o terpeno, um composto encontrado em sementes, flores, folhas, raízes e madeira de plantas. Este mesmo líquido concentrado é disposto em cápsulas recicláveis que na casa dos consumidores é misturado à água da torneira e vertido em um borrifador para uso doméstico.

058 - _D3_2084 - EXTENDIDA.jpg

Queremos a máxima eficiência na limpeza e o mínimo impacto na natureza


Para entender o impacto deste processo, fomos atrás da marca e a convidamos para participar, com parceira, da próxima edição do MERCADO MANUAL, que acontecerá na Vila da Terra, dias 2, 3 e 4 de agosto. No MANUAL DA TERRA, a YVY será responsável pela limpeza de cada cantinho do espaço, além de explicar ao público como é possível manter a casa limpa sem poluir nosso meio ambiente.

“O Mercado Manual reúne expositores e pessoas com valores e interesses dos quais compartilhamos. Estamos juntos para encontrar novas formas de estar no mundo. Para YVY, é uma oportunidade de mostrar na prática como funciona o nosso #novojeitodelimpar. Nossa missão é cuidar do Mercado Manual, como cuidamos do planeta e da casa de nossos assinantes”, conta Marcelo Ebert, CEO da empresa.

Ivy_3.jpg

Nesta entrevista, Marcelo explica como um negócio que mira um grande público pode ser sustentável:

A contradição entre casa limpa e produtos de limpeza poluentes ainda não está na pauta de grandes veículos de comunicação. Por que?

A composição dos produtos de limpeza segue sendo um assunto pouco debatido. Trata-se de um mercado que ainda não abraçou temas contemporâneos como a economia de plástico, aspectos de saúde e comodidade. O fato da composição dos produtos ser de 90 a 95% água é pouco conhecido pelo público em geral. E na YVY, nos perguntamos: “Por que levar água para passear?” O mundo pede por processos mais responsáveis em todos os aspectos. Recentemente, diversas capitais brasileiras aderiram aos movimentos de combate ao uso de canudinho (leia o boxe: Agora é lei), mas esta é apenas a ponta do problema. Pouco se fala sobre a quantidade de plástico de uso único ligado ao ramo de produtos de limpeza.

Outro fator que impede a disseminação de produtos de limpeza sustentáveis seria a força das grandes redes de supermercado?

As dinâmicas comerciais ligadas aos grandes supermercados estão sendo superadas, ao menos nos aspectos qualitativos, por modelos comerciais mais interessantes. Nos posicionamos por uma relação pautada pelo #JogoLimpo. Ou seja, nossos clientes compram diretamente da gente. Somos responsáveis por garantir processos de distribuição corretos e responsáveis com o máximo de otimização possível. Queremos a máxima eficiência na limpeza e o mínimo impacto na natureza.


Pouco se fala sobre a quantidade de plástico de uso único ligado ao ramo de produtos de limpeza


Ivy_1.jpg

De que forma vocês atingem esses objetivos?
Ocorre que 4 gigantes globais nos ensinaram que água com petroquímicos e cheiro é sinônimo de limpeza. Mas nós criamos uma cadeia logística correta com os clientes e com o planeta. Desenvolvemos um sistema de embalagens em cápsulas, assim concentramos nossos ativos. E água, cada cliente tem em casa. Com isso, emitimos menos CO2 e estabelecemos uma cadeia mais responsável. Também temos combatido o uso de plástico com nosso sistema de cápsulas e borrifadores permanentes: uma economia na produção de plástico da ordem de 2/3. Além disso, realizamos junto aos nossos assinantes o programa de logística reversa para que cada cápsula possa ter o melhor destino. Para nós, ser sustentável daqui pra frente é o mínimo.

Como vocês adquiriram expertise neste segmento?
Após 11 anos de experiência no mundo corporativo da limpeza, atuando junto a hospitais, shopping centers, entre outras instituições, passamos a nos dedicar ao mercado Home Care procurando compreender como ele estava organizado. Hoje, um assinante de YVY de um kit P, por exemplo, tem uma economia expressiva sobre os impactos no planeta e na saúde. Ao longo de um ano, a economia de plástico que ele tem é da ordem de 6,3 kg: o equivalente a 1260 canudinhos. Da mesma forma, nesse período de um ano, nós também deixamos de transportar 82 kg de água e de plástico. Juntos emitimos 94% a menos de CO2.

O que é feito do descarte de plástico (refil) dos produtos?
O design das cápsulas já foi pensado na sua logística reversa e na economia circular. Depois de serem utilizadas, elas podem ser empilhadas e acomodadas na própria caixa de embarque que os clientes recebem os produtos. A cada 3 meses mandamos um voucher e as cápsulas são reenviadas para nossa fábrica onde são recicladas apropriadamente. 

 

AGORA É LEI

No final do mês de junho, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou uma lei que proíbe o fornecimento de canudos de material plástico nos estabelecimentos comerciais de todo o estado de SP. De acordo com a lei de autoria do deputado Rogério Nogueira (DEM), os canudos de material plástico terão de ser substituídos por canudos feitos de papel reciclável, material comestível ou biodegradável, embalados individualmente em envelopes completamente fechados feitos a partir do mesmo material. Quem descumprir a determinação poderá ser multado. A multa vai de R$ 503,6 a R$ 5.306, e poderá ser aplicada em dobro em casos de reincidência. O valor arrecadado será destinado a programas ambientais.


 

Para nós, ser sustentável
daqui pra frente é o mínimo

 

 

Texto: Maju Duarte
Fotos: YVY Divulgação