Conversa Fiada

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A poeira, as árvores tortas e o algodão do sertão de Minas Gerais e do Goiás compõem o cenário da história de 15 fiadeiras do documentário Conversa Fiada (Urdida, Tinginda, Tecida…), de Dinalva Ribeiro e Diego Zanotti. Um relato em prosa e imagem da vida destas fazedoras de tecido e coragem. Fruto da pesquisa de Dinalva Ribeiro e parceria entre a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o curta-metragem de 2017 foi exibido no Festival CineBaru, na Vila Sagarana (MG) no ano passado e vai ao ar no dia 15/8 no SescTV.

Onde começa a linha e termina a mulher? Se é que uma começa e a outra termina em qualquer dado e específico momento. Esta é uma de tantas questões levantadas aos espectadores. Para o cineasta Diego Zanotti, esse documentário tem como fio derradeiro um saber e fazer manual que se desnovela nos contratempos e alegrias do dia a dia destas mulheres sertanejas. Suas necessidades, paixões e percalços perante, e na maioria das vezes, os homens da comunidade e seus preconceitos.

“Quando a linha embaraça, a gente tem que parar para desembaraçar. E a vida é do mesmo jeito”, explica Dona Maria, orgulhosa ao reforçar que o tear é do início do mundo. E por aí, caminham cenas de mãos, terraços e toda uma maquinária (e engrenagem) necessária para não se perca o fio da meada.

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Onde começa a linha e termina a mulher?

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São fiadeiras de Sagarana, Riachinho, Uruana de Minas, Unaí, Planaltina. Vilas menos de mil habitantes, na lonjura dos olhos e serviços das metrópoles, mais perto da sabedoria popular das raízes e ciclos da natureza. “Elas ficaram surpresas quando nos viram com a câmera. E foram generosas ao compartilhar com a gente histórias preciosas de vida”, relembra Zanotti.

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Guiados pelo seu olhar, vamos pousando no ombro de Evangelina, Nair, Solange, Ledina, Virgínia… Mulheres que cuidam das suas casas e famílias, mas que preservam um tempo precioso para colher o algodão da terra, fiar e tecer. Aprendemos sobre um tempo e espaço particulares às fiadeiras. Um cenário onde, definem os documentaristas nas últimas legendas do filme, “o algodão é o argumento que nos une em rodas, em conversas, em trocas".

Assista à Conversa Fiada:

Texto: Maju Duarte
Fotos: Diego Zanotti

 
DOCDani Scartezini