Alquimia da conexão

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Mãe, perfumista botânica, aromaterapeuta integrativa, cosmetóloga botânica terapêutica e benzedeira. É assim que Thaís Jacobsen ou Tanuka Nalini (nome espiritual) descreve cada missão lapidada em seu dia a dia. Neta de tupis-guaranis do Vale do Ribeira (SP), desde criança ela mantinha proximidade com as propriedades medicinais de plantas. Conhecimento repassado pela avó materna a quem chama com carinho e respeito de “senhora das matas”.

Aos 19 anos que Nalini começou a estudar padrões comportamentais familiares e se debruçou em estudos de psicoterapia e práticas meditativas. Foi a partir daí que ela retomou a curiosidade por terapias com extratos de plantas medicinais. “Foi um mundo que se abriu”, revela. Depois de estudos, pesquisas e formações na área de aromaterapia e perfumaria botânica, em 2018, Nalini desenvolveu a marca de produtos terapêuticos homônima: a Tanuka Nalini.

Uma linha de produtos que atuam de forma integrativa cuidando do corpo físico, psicoemocional e vibracional. São cosméticos, perfumes botânicos, óleos e sinergias. Fórmulas exclusivas e com extratos hiperconcentrados de plantas medicinais. Todos criados no laboratório da casa de Nalini em Cotia (SP), feitos um a um, com o objetivo de restaurar equilíbrio e bem-estar, segundo a especialista.

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Me senti incumbida a expandir esse conhecimento que age de forma eficaz e profunda


DESPERTAR E CONHECER

Apesar de ainda enfrentar preconceito no Brasil, a origem milenar da aromaterapia comprova ser este um conhecimento a ser aplicado como recurso de transformação em questões físicas, emocionais e psicológicas. “Mas ainda tem gente que fala da aromaterapia de forma banalizada, como ‘cheirinho’”, observa Nalini. Para a ciência ocidental, foi apenas no final da década de 1930 que o termo aromathérapie (aromaterapia em francês) foi resgatado pelo químico René-Maurice Gattefossé, reconhecido como o pai da aromaterapia. Gattefossé pesquisou sobre como estes óleos agiam no sistema límbico, córtex, córtex central e como eles alteravam a bioquímica cerebral. Desde então, não cessam pesquisas na área “Em 2012 e 2015, na Austrália e Nova Zelândia, estudiosos constataram o retrocesso de câncer de mama, de útero e de colo de útero com o uso da aromaterapia”, destaca.

Há indícios de que os primeiros a utilizar a aromaterapia foram governantes, reis e sacerdotes do antigo Egito. A finalidade era chamar para si a energia de um determinado deus para alcançar desenvolvimento terapêutico, medicinal e espiritual. No templo de Edfu/Horus (O Olho que Tudo Vê), descreve a aromaterapeuta e pesquisadora, “os altos sacerdotes utilizavam os óleos essenciais para estudar o mistério da vida, a expansão da consciência, a medicina e perfumaria terapêutica a partir deles”. Prova disso é que foram encontrados nas paredes deste tempo mais de 200 receitas de utilização desses extratos.


Ainda tem gente que fala da aromaterapia de forma banalizada, como ‘cheirinho’


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CASO A CASO

As matérias-primas usadas por Tanuka Nalini são veganas, naturais e de diferentes partes do mundo como Índia, Marrocos, França, além de regiões do Brasil. Cada localização carrega em seus extratos uma propriedade de atuação singular. “Por exemplo, se formos pegar uma lavanda do alto da região de Provence, na França, ela age no sistema límbico propondo uma clareza mental e emocional, centramento, calma e tranquilidade, além de muitos benefícios físicos. Mas se pegarmos uma lavada da região baixa de Provence, ela já não terá estes mesmos benefícios”, explica.

Todos os óleos essenciais usados pela artesã são certificados e precisam ser diluídos. Uma fórmula final é que será aplicada em pontos específicos do corpo, como na acupuntura, seguindo a orientação da aromaterapeuta. Seu uso é gatilho para insigths e ferramenta de autoconhecimento. Como terapia complementar à medicina tradicional, a aromaterapia também pode auxiliar em casos de depressão, hipertensão e ansiedade, mediante acompanhamento de especialistas. Por isso, fica um alerta: não é qualquer óleo que pode ser usado e aplicado por todos. Pela falta de orientação e conhecimento, há óleos que podem provocar queimaduras, dermatites e uma série de outros problemas.

Instagram: @tanukanalini

Instagram: @tanukanalini

NOVOS ESTUDOS

Em 2018, Nalini apresentou uma pesquisa em Santa Catarina voltada a estudos psíquicos e emocionais destes óleos sobre o sistema límbico físico e emocional. Para dar sequência a este estudo, neste ano, ela vai se dedicar a novas abordagens nos departamentos de biopsicologia e medicina do sono na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Consciente de que há uma transformação no plano físico, emocional e psicológico que vem das mesmas matas onde cresceu e aprendeu com a avó, a artesã orgulha-se de perpetuar saberes e fazeres manuais. Afinal, “cuidar do corpo, da mente, da emoções e do espírito de forma integrada é o que eu acredito”, arremata.


Cuidar do corpo, da mente, das emoções e do espírito de forma integrada é o que eu acredito


VOCÊ SABIA?

A aromaterapia é um conhecimento milenar, porém durante a inquisição Papal, no século 13, as mulheres que detinham o conhecimento da utilização dos extratos e plantas para tratamento da família e da comunidade foram queimadas como bruxas. Elas eram consideradas uma ameaça aos médicos tradicionais que estavam surgindo na época. Nesse período, toda mulher que fosse pega com camomila ou óleos essenciais era condenada. O conhecimento da aromaterapia começou a retornar por volta de 1900 quando perfumistas botânicos notaram a ação terapêutica destas composições. A partir de então, iniciaram-se pesquisas e estudos que resgataram esse conhecimento ancestral. (Fonte: www.tanukanalini.com)


Texto: Maju Duarte
Fotos: Leonardo Sang / Casa Dobra