Joga fora no… lixo?

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Todo dia ela faz tudo sempre igual. Acorda, descasca uma fruta, abre um copo de iogurte, toma café, come um pão com manteiga e joga todas as sobras de comida e embalagens no lixo. Tem dias em que ela se lembra de separar orgânico de seco. Nos outros, ela confessa certa preguiça. E lá vai plástico, casca de banana, pó de café… Tudo junto e misturado para os aterros sanitários que ainda existem em cerca de metade dos municípios brasileiros, mesmo após cinco anos do prazo dado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para o fim dos lixões no Brasil. Destino responsável pela contaminação do solo, poluição das águas e por outros sérios impactos ambientais, sociais e econômicos.

Se ampliarmos esse olhar com uma lupa, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), para acomodar os 7,6 bilhões de moradores do mundo, suprir o uso de recursos e ainda absorver todo lixo gerado seria necessário 70% de outro planeta Terra. “A quantidade de lixo produzido por indivíduos, comunidades, empresas, instituições, mercados e fábricas continua a crescer tremendamente. Uma parte é reciclada, mas muito (dele) é simplesmente descartado, causando problemas de saúde para as pessoas, seus animais e poluindo nosso meio ambiente”, alertou a chefe do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos, Maimunah Sharif, em 2018.

Sendo assim, cidadãos, empresas e políticos devem tomar que atitudes desde já para brecar a crescente produção de lixo? E como dar aos resíduos um destino adequado? A empreendedora social Flávia Cunha foi movida por essa indagações e em 2014 fundou a empresa Casa Causa, onde trabalha junto à sócia Luciana Annunziata. Embaixadora do Instituto Lixo Zero Brasil, representando o movimento Waste Zero International, e coordenadora do Grupo de Trabalho Lixo Zero na Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), Flávia assume: já virou “a louca do lixo”.

Nesta entrevista, a empreendedora e ativista fala sobre a atuação e o propósito da Casa Causa, parceira da MANUAL na próxima edição do Mercado Manual, dias 4 e 5 de maio, no Museu da Casa Brasileira.

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Influenciamos o cenário macro e micro político em favor dessa causa


SETA NO ALVO

Trabalhamos com o governo, para influenciar conexões entre os atores que são importantes e criar acordos e até politicas públicas que ajudem a dar fluidez ao tema, indústrias e na educação ambiental da sociedade. Atuamos no advocacy da gestão de resíduos, encontrando soluções para pessoas, empresas e territórios que queiram incorporar boas práticas e caminhar na direção do #lixozero. Influenciamos o cenário macro e micro político em favor dessa causa para que possamos afetar cada vez mais pessoas a terem consciência e ação para mudar esta forma de consumir. E para que as pessoas entendam que resíduo não é lixo e sim uma riqueza que não pode ser inutilizada. 

MANIFESTo

Lixo não é sujo, não é feio, não é resto. Lixo não some, nem se esconde. Lixo volta pelas ruas e pelos bueiros, mas a gente não tem medo! A gente ama lixo! Ele é riqueza e recurso, ele mostra como somos e como vivemos na nossa casa-planeta. Estamos aqui para abrir o saco preto e olhar tudo o que tem dentro. Vamos encarar de frente o nosso jeito de ser, de consumir, de descartar e de cuidar. Caminhamos por aí buscando soluções, tecnologias, e principalmente gente que faz. Porque a maior solução está na mente e no coração de cada um: consciência com ação, amor pelo lugar onde vivemos. Resíduo não é lixo e nós somos a Casa Causa.

Foto: Mila Maluhy

Foto: Mila Maluhy


Estamos aqui para abrir o saco preto e olhar tudo o que tem dentro


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LIXO ZERO

Com certeza só a iniciativa de começar a pensar em coletar e descartar como deve ser já é um caminho para um evento lixo zero. Lixo Zero não é utopia e sim traçar metas para iniciar esta trajetória que nunca para. É sempre se preocupar com o que eu consumo e como vou descartar. E o mercado já está começando com tudo. Acho legal reforçar o conceito do lixo zero. Uma meta ética, econômica, eficiente e visionária para guiar pessoas a mudarem seu modo de vida e sua prática de forma a incentivar os ciclos naturais sustentáveis, onde todos os materiais são projetados para permitir sua recuperação e uso pós-consumo. Também podemos dizer que Lixo Zero é um conceito de vida, onde todos os seres vivos são responsáveis pelos caminhos e destinos finais, de seus resíduos, antes de descartá- los.


AÇÃO E REAÇÃO

No Mercado Manual, dias 4 e 5 de maio, no Museu da Casa Brasileira, a Casa Causa atuará em dois momentos da gestão de resíduos sólidos: entender e praticar. Entender: faremos toda a orientação/educação para funcionários e expositores sobre o que é um evento lixo zero; como separar corretamente o lixo; quem coletará e para onde devemos enviar os resíduos. Vamos separar os resíduos em 3 partes como se pede a Política Nacional de Resíduos Sólidos:
>> Rejeitos: tudo o que não tem como reciclar ou compostar;
>> Recicláveis: alumínio, vidro, papelão e plástico;
>> Compostáveis: todo o resíduo orgânico será destinado à compostagem e será enviado para a Horta Urbana Vila Nilo

Durante o evento, também vamos orientar os visitantes a fazer o descarte correto nos coletores que estarão identificados e espalhados pelo MCB. Queremos que todo o resíduo coletado seja descartado corretamente e enviado para a cooperativa Coopamare pois resíduo não é lixo e lixo vale dinheiro - há uma grande população que depende deste descarte correto para viver, como os catadores e carroceiros. Teremos ainda a participação de cooperativas e carroceiros auxiliando na educação ambiental e coleta da nossa equipe


E você? Já faz parte desta mudança?
Confira a programação do Manual no MCB, dias 4 e 5 de maio, e saiba como ser protagonista no combate ao desperdício


 

Lixo Zero não é utopia e sim traçar metas para iniciar esta trajetória que nunca para

 

Texto: Maju Duarte
Fotos: Bloco do Apego - Divulgação/ Mila Maluhy / Jesus Duarte