Uma marca, um propósito

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Bisneta, neta e filha de criadores de marcas nos segmentos de tabaco a sorvete, Carmen Marie sempre se manteve atenta e curiosa ao que movia os valores nos negócios da família. Brasileira com uma educação e ancestralidade germânica, estudou Comunicação na Alemanha e Fashion Business no Brasil. Mas foi depois de um mestrado em Communication and Advertising nos Estados Unidos que ela se especializou em branding. Um passo importante para a carreira de curadora de essência, que hoje ela abraça e colhe resultados.

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Na primeira edição do MERCADO MANUAL na Fundação Ema Klabin, Carmen Marie assinou a curadoria das quatro rodas que fizeram parte da CONVERSA MANUAL, realizada dia 6 de outubro. Todas elas movidas por temas que permeiam a Cultura Feita à Mão: O resgate do afeto dos fazeres manuais; Economia Circular; Slow Living e Lideranças Conscientes.

“Tento sempre, em primeiro lugar, buscar de forma profunda e humana a essência de cada projeto. A Conversa Manual foi um verdadeiro resgate, pois ela sempre existiu na marca Manual, porém nunca foi explorada com toda sua força. Ao perceber esta oportunidade, veio a ideia de unir pessoas com o mesmo propósito”, conta.


Acredito que as marcas que prosperam são aquelas que expressam essência em seus projetos, produtos e serviços


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1. O que faz uma uma curadora de essência?
A palavra curador tem sua origem no latim e significa “curar”, “cuidar”. Isto é ser uma curadora: gostar genuinamente de cuidar dos outros e de seus projetos. Os curadores contemporâneos apresentam tipos diversos de backgrounds, e o meu vem da estética, da filosofia e do comportamento humano. O meu foco principal é cuidar da essência (sentir) das marcas sempre conectadas aos seus negócios (pensar) e ações (agir). A curadoria de essência envolve curiosidade, atenção aos detalhes, conexão de ideais e elegância na criação de conceitos. Acredito que as marcas que prosperam são aquelas que expressam essência em seus projetos, produtos e serviços.

2. O que te levou a trabalhar nessa área?
O que me move é a beleza. Ela é geralmente vista como imanente: reside na harmonia das formas e das cores, na aparência externa do mundo. Para mim, a beleza transcende a imanência. Ela é sutil, surge na simplicidade do olhar, no sorriso, na harmonia da natureza. Onde há simplicidade, a beleza aparece em sua forma natural. Em uma era de excesso de informações, a curadoria traz um olhar especial para buscar, de forma profunda e humana, o valor essencial para uma marca se manter atual e relevante no mercado.


Em uma era de excesso de informações, a curadoria traz um olhar especial para buscar o valor essencial para uma marca se manter atual


3. De que forma sua família contribuiu para esse olhar de curadora?
Sou bisneta de Heinrich Neuerburg, fundador da indústria de tabaco Haus Neuerburg; neta de Josef Pankofer, criador da marca de sorvetes alemã Jopa; e filha de Anizio Jaudy, pioneiro e expansivo por alma e profissão. Essa ancestralidade marcada por pessoas que criaram marcas autênticas e prosperaram está na minha essência. E essa criatividade me instiga na elaboração de marcas bem-sucedidas, um dos pontos-chave do meu trabalho. O fato de ter crescido no Brasil com uma educação germânica levou-me a transitar naturalmente entre essas duas culturas e estilos de vida, tornando-me adaptável a mudanças e hábil na comunicação interpessoal. A biculturalidade imprimiu também um refinamento cultural e estético ao meu trabalho e à minha formação.

4. E como foi sua formação acadêmica?
Estudei Comunicação na Alemanha e Fashion Business no Brasil. Fiz mestrado de Communication and Advertising nos Estados Unidos e me especializei em branding, além de complementar minhas habilidades com formações como coaching, cool hunting e image consulting. Em 26 anos de carreira, atuei com diversas marcas premium e uma série de outras iniciativas ligadas aos segmentos de Moda, Beleza e Bem-Estar. Com tantas vivências, moldei uma abordagem ampla e individualizada para desenvolver cada novo projeto, acreditando sempre em olhar para dentro antes de buscar algo fora.

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A curadoria de essência envolve curiosidade, atenção aos detalhes, conexão de ideais e elegância na criação de conceitos


5. Como foi seu trabalho na escolha de temas e convidados da CONVERSA MANUAL no Mercado Manual da Fundação Ema Klabin?
Como curadora tento sempre, em primeiro lugar, buscar de forma profunda e humana a essência de cada projeto. A Conversa Manual foi um verdadeiro resgate, pois ela sempre existiu na marca Manual, porém nunca foi explorada com toda sua força. Ao perceber esta oportunidade, veio a ideia de unir pessoas com o mesmo propósito em um espaço espetacular como a Fundação Ema Klabin. Reunimos um time de personalidades com muita empatia, consciência e com projetos inovadores no mercado nacional (e que agora fazem parte da Rede Manual). Expandimos a marca MANUAL para novos territórios e promovemos diálogos transformadores. Desejo que seja a primeira edição de várias que ainda virão.

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Edição e texto: Maju Duarte
Fotos: Leonardo Sang / Casa Dobra e Divulgação