Negócios criativos precisam de constante transformação

 A Kombi dos Sonhos é um dos projetos

A Kombi dos Sonhos é um dos projetos

 

A vida profissional de Tatiana Weberman fluía bem, aparentemente. Ela trabalhava com marketing de guerrilha em uma agência de comunicação, coordenava uma equipe enorme e entregava bons resultados. Ao olhar mais de perto, no entanto, as conclusões eram bem diferentes: com 32 anos, Tatiana lidava com um princípio de úlcera e andava por aí com a incômoda sensação de que faltava propósito naquilo que fazia todos os dias para ganhar a vida. Aos poucos, o mal estar ganhou força e virou motor de mudança. Tatiana saiu da agência e começou a própria empresa, atendendo a um cliente.

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As coisas melhoraram, mas ela sentia que poderia dar um passo além. “Eu ficava insatisfeita de trabalhar com a criação de ações para que as pessoas consumissem mais. Comecei a investigar áreas opostas a essa, a pensar em desaceleração, em um contato mais saudável com a cidade”, lembra. Era 2010 e a filosofia, hoje forte, de ocupar o patrimônio público e se divertir nas ruas e espaços de São Paulo ainda não tinha despontado. Com a intuição de que este era um caminho promissor, decidiu fazer um curso em Barcelona de pesquisa de tendências. Lá confirmou a desconfiança e entendeu a força que a nova economia e os negócios criativos começavam a ganhar globalmente.

De volta, sem entender como transformar isso em negócio, criou apenas uma iniciativa, a Slow Movie, experiência que convidava as pessoas a ver um filme ao ar livre, em uma praça ou parque, de graça. “No começo não tínhamos apoio, então fizemos tudo por meio de parceria. Ela convidou 200 pessoas, conhecidos, e 950 apareceram no evento. “Foi incrível ver todo mundo lá, sentando em cangas no chão, fazendo piquenique. Senti que existia uma demanda aí”, conta. O sucesso atraiu também marcas patrocinadoras e, assim, Tatiana começou a reposicionar a sua empresa como uma produtora de eventos e experiências, a Respire Cultura.

 

“Me realizo muito mais ao trabalhar com marcas deste outro jeito, gerando experiências no lugar de só estimular as pessoas a comprarem mais”


 
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Do Slow Movie ela criou com a sócia, Juliana Borges, o SlowKids, evento que convida as crianças ao brincar ao ar livre, estimulando a fantasia e a criatividade sem depender de personagens de desenhos animados. “O projeto surgiu em 2013 e hoje tem público de 10 mil pessoas por edição”, conta, citando que o evento acontece no Parque Villa-Lobos duas vezes por ano.

 

O SEGREGO É CONFIAR NA INTUIÇÃO E SE TRANSFORMAR SEMPRE

Tatiana diz que aprendeu boas lições ao longo da trajetória como empreendedora criativa. Uma delas é a importância de confiar no próprio taco:

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“Para ter um negócio precisamos, antes de tudo, confiar na intuição, no que está dentro de nós. Eu sempre soube que existia algo além do trabalho que eu fazia nas agências, mas o caminho não estava claro”


 

A construção, conta, começou antes de ela entender como poderia ganhar dinheiro ao promover eventos relacionados com a cultura slow. Foi preciso caminhar com alguma incerteza, mas enfim ela provou o próprio ponto. “Há alguns anos as pessoas em São Paulo não tinham aonde ir durante o dia, não andavam pela cidade. Eu carregava a intuição de que dava para fazer algo diferente. Hoje vejo este movimento de ocupar a cidade chegar ao ápice, com uma série de novidades surgindo a cada dia”, diz.

Ela cita o crescimento da economia criativa e do desejo das pessoas por se desconectarem do celular, humanizando relações. Outra descoberta da jornada empreendedora de Tatiana é a necessidade de estar em constante transformação.

 Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

 

“Não podemos congelar o nosso negócio na primeira ideia que temos. Tudo o que eu faço vai se moldando e mudando com o tempo, sendo adaptado. Precisamos estar sempre abertos a aprender”


 

Mesmo com o sucesso das iniciativas, Tatiana admite que nem sempre é simples. “Hoje mesmo estamos sem patrocínio para o SlowKids e, portanto, sem data para acontecer por enquanto”, conta. Diante da complexidade do evento, a empreendedora começou a pensar em algo menor, mais fácil de ser realizado, e criou a Kombi dos Sonhos, um jeito portátil de levar o brincar livre para diversos espaços. A perua carrega estações sensoriais para que as crianças se divirtam e descubram novas emoções. É só estacionar, abrir as portas e tirar um universo de fantasia lá de dentro.

 Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Uma das próximas paradas da kombi será no #manualnapinacoteca, nos dias 1 e 2 de setembro, edição do nosso festival que acontece na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, e reunirá mais de 40 expositores de produtos artesanais, oficinas gratuitas, além de atrações para crianças e adultos. É a economia criativa em ebulição.