7 dicas de Ju Amora para se bancar com um negócio criativo

 Foto divulgação

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Em 2012, Juliana Amorim se transformou em Ju Amora, personagem que dá nome a uma marca de bancos pintados à mão, numerados, feitos em pequena escala para quem valoriza o que é único. “Amora é o feminino de amor e também uma fruta que é parte da minha memória afetiva, de subir nas árvores para pegar e ficar com a roupa toda pintada de amoras”, conta. Com tanta inspiração, o trabalho de Ju ganhou espaço e reconhecimento mesmo depois de um começo difícil.

Ela demorou dois anos e meio para ter lucro com o negócio. No começo, enfrentou toda a descrença possível. “Não tive o apoio de absolutamente ninguém”, lembra. Formada em artes cênicas, ela trabalhou como atriz por algum tempo, mas desistiu da área determinada a encontrar um trabalho que rendesse mais dinheiro e pagasse suas contas. “Mais jovem, acreditei na falsa crença de que não dá para ganhar dinheiro com arte”, diz. Passou pelos mais variados empregos, mas nunca se encaixava.

“Eu venho de uma família de comerciantes, então tinha em mim essa questão de querer empreender, de vender algo que fosse meu, que eu fizesse com as minhas próprias mãos, mas não fazia ideia do que.” O último emprego que teve foi em uma galeria de arte, vendendo as obras. Esgotada e com saudade de criar, resolveu pedir demissão e usar suas reservas financeiras para buscar o próprio caminho por desenvolver um trabalho único.

 
 Foto Leonardo Sang

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O SEU REAL DEVER É SALVAR SEU SONHO

As coisas não foram muito bem e, meses depois, ela entendeu que não tinha jeito: precisaria abandonar o plano e voltar a procurar emprego. Antes de desistir usou as últimas reservas para fazer uma viagem a Paris. O primeiro lugar que visitou na cidade foi o cemitério Père-Lachaise, o maior da capital francesa, cheio de obras de arte. No caso dela o espaço, uma lembrança vívida da morte, trouxe, na verdade, renascimento.

Passeando por ali o olhar dela desviou para um papel que teimava em balançar com o vento, apesar de estar preso por uma pedra sobre um túmulo. Se atreveu a ir lá e descobrir o que tinha escrito. A mensagem era: “O seu real dever é salvar seu sonho”. Na hora o coração de Ju acelerou. “Era isso. Eu tava pronta para desistir, mas precisava insistir. Precisava salvá-lo”, diz.

Dessa faísca Ju fez fogueira. A mensagem ecoou dentro dela a viagem toda e ela voltou para casa determinada a traçar o próprio caminho. Mergulhou em si mesma, encontrou algo ligado à própria história e mirou em um nicho de mercado: bancos pintados à mão com preço intermediário. Nem muito caro, nem tão barato.

Entre erros e acertos, viu o projeto dar certo. “Hoje o meu ateliê é a minha casa e também a loja. Todo dia acordo e me sinto realizada por saber que consegui fazer dar certo e construir esta estrutura a partir do meu sonho. Sempre que alguém me diz ter um projeto, mas não sabe se vai dar certo, digo que me banco fazendo bancos. Tem coisa mais absurda do que isso? Se funcionou para mim pode funcionar para muita gente.”

A seguir, ela compartilha sua experiência com dicas para quem quer colocar de pé o próprio negócio criativo. Não há fórmulas prontas, mas o aprendizado de quem já caiu e levantou sempre pode ser útil.

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Encontre a sua verdade

Quando parou para entender qual caminho seguir, Ju diz ter mergulhado em si mesma para descobrir, antes de tudo, qual produto ela não encontrava no mercado e poderia fazer para vender. “Para achar algo bom para o outro, precisamos entender o que é bom para nós”, diz. Ela chegou à ideia das banquetas por entender que é um objeto lúdico que pode servir para sentar, para apoiar objetos, para fazer de mesa... A peça ainda lembra o avô dela, que fazia bancos. “Pensei em algo que eu seria feliz fazendo e que teria sentido para as pessoas.”

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Mire em um nicho de mercado

O plano de Ju soava perfeito. Antes de ir em frente, no entanto, ela pesquisou o segmento que pretendia entrar. “Na época não tinha ninguém que fazia banquetas com arte por um preço acessível. No mercado só tinha coisas muito simples e baratas ou assinadas e caríssimas. Não existia meio termo.” Pois foi neste espaço que ela mirou: criar banquetas artísticas, que incrementam a decoração, mas têm preço médio.

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E FALANDO EM PREÇO: COBRE CERTO PELO SEU TRABALHO

Hoje a maioria das banquetas feitas pelo Ateliê Ju Amora custam R$ 238, mas ela já cobrou bem mais barato do que isso. “No começo queria que as pessoas me conhecessem, então fazia quase a preço de custo. Aos poucos, conforme o negócio entrou nos trilhos, eu fui ajustando”, conta. Ela diz que é comum que os empreendedores calculem o valor dos materiais para embutir no custo, mas que frequentemente esquecem de cobrar pela própria mão de obra investida em cada peça. “Só dá para ter lucro corrigindo estes erros.”


 

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SEJA ÚNICA E INVISTA EM PARCERIAS

“O mundo já é digital, cheio de coisas massificadas e iguais para todo mundo. As pessoas buscam o que é único. Não faz sentido copiar quando falamos de trabalho manual e criativo”, diz. Ju acredita que as pessoas pagam pela história por trás do produto. No lugar de copiar ou competir, ela recomenda fazer parcerias com outros empreendedores criativos, desenhar peças em colaboração e apostar no suporte mútuo.

 

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PARA OS OUTROS VAI PARECER LOUCURA (ATÉ DAR CERTO)

Ju defende a máxima de que, depois de ter uma ideia que faz sentido, o único caminho possível é ir em frente. “Não tive o apoio de absolutamente ninguém no começo.” Por mais contraditório que soe, ela acredita que, quanto mais frequentes as críticas ao projeto, maior é a chance de dar certo. “Ninguém que inventou algo do zero foi compreendido de cara. Se soa familiar demais, se tem muita aprovação, é porque a ideia não é nova”, defende. E completa: “Ter um sonho é muito solitário. Por mais que você queira envolver os outros, a maioria não entende. Só você pode defender o seu projeto.”

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NÃO SE ASSUSTE COM AS DIFICULDADES DO COMEÇO

Quando definiu que faria banquetas com arte, Ju foi atrás de uma série de lojas de decoração para ver se alguém tinha interesse em revender suas criações. Ouviu muito “não” até receber um sim. Uma loja gostou da ideia, mas pediu o portfólio dela. “Eu não tinha nada e nem dinheiro para comprar material e fazer bancos.” O jeito, conta, foi investir o pouco que tinha em duas banquetas e algumas tintas. Pintou as peças, fotografou, pintou por cima e repetiu o processo. Fez isso por 15 vezes e chegou com um portfólio para apresentar à loja. “Eles fizeram o pedido e consegui um adiantamento para comprar material”, lembra. “A gente não pode desanimar com as dificuldades iniciais e com a escassez, até porque estes baixos são comuns na vida de empreendedor”, defende.


 

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PROFISSIONALIZE E DEFINA OS VALORES DA SUA MARCA

Ju acredita que o primeiro passo para que o pequeno empreendedor seja valorizado tem que partir dele. “É preciso falar do seu projeto como um negócio”, defende. Ela diz que um dos passos essenciais é definir os valores da marca. “É isso o que me guia todos os dias, principalmente quando tenho dúvidas”, conta. Ju diz que um de seus princípios é a produção em pequena escala. Certa vez ela ficou tentada a sair desta trilha quando foi convidada por uma empresa a massificar suas criações.

Na época pensei muito porque seria bom financeiramente. Ponderei sobre os meus valores e, enfim, vi que o dinheiro acabaria em algum tempo, e eu teria me distanciado dos meus valores por algo momentâneo”, diz. E complementa: “Preciso ser fiel à minha verdade. Se eu tiver essa clareza, ninguém me tira do caminho.”
 
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Texto: Giovanna Riato