Sobre colaborar: a história das bolsas Comas + Manual

 Foto: Leonardo Sang

Foto: Leonardo Sang

 

Uma das forças da Rede Manual é a colaboração. Com tanta gente criativa e inquieta no mesmo movimento, é natural ver artesãos e diferentes projetos firmarem parcerias para desenvolver produtos juntos. Este ano, no entanto, a própria Rede Manual realizou um sonho de longa data e firmou sua primeira colaboração para criar a bolsa Comas + Manual, uma ecobag feita com tecidos que seriam descartados, com resíduo zero e geração de trabalho e renda para dois grupos de economia solidária que fizeram a costura.

Assim como os artesãos que apoiamos, o time da Rede Manual também tem um DNA criativo e um desejo imenso de pensar no novo. Colocar a mão na massa para criar produtos em parcerias com os artesãos da rede sempre foi um desejo nosso, que decidimos realizar no começo deste ano, quando fomos em frente com o projeto de substituir por uma versão reutilizável as sacolas de papel que oferecemos aos expositores de cada edição do Mercado Manual justamente para evitar que eles usem sacolas plásticas.

Conversamos sobre o projeto com a Agustina Comas, fundadora da inovadora marca que leva seu sobrenome e trabalha com o conceito upcycling - reaproveitamento de tecidos e materiais que seriam descartados, com desperdício zero na produção. De cara ela disse um sonoro “não” ao projeto.

A negativa veio justamente pela alta escala de produção, algo que a Comas nunca tinha feito até então. Devagar, a conversa fluiu e ela mudou de ideia justamente porque, com a bolsa, ela poderia testar a produção em volume maior, algo que ela queria fazer há algum tempo. “Firmar essa parceria permitiu que eu me arriscasse em um novo espaço. Foi mágico e só deu certo porque foi feito a várias mãos e cabeças em um terreno seguro, amigo, que não tinha riscos ou minas escondidas”, diz Agustina. Para a Rede Manual, o projeto mostrou que vale sempre a pena ir em frente e provocar a mudança positiva que queremos ver no mundo.

 
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 Fotos: Daniel Wood

Fotos: Daniel Wood

 

IMPACTO POSITIVO

Ela e a equipe da Comas produziram 3 mil ecobags, que foram oferecidas aos visitantes que investiam mais de 300 reais em compras na edição de maio do Mercado Manual. As sacolas também podem ser compradas por 35 reais. Os valores foram todos calculados para remunerar adequadamente toda a cadeia de valor envolvida. Cada peça foi feita com tecidos garimpados nas fábricas dos fornecedores da Comas, que estavam sem uso por terem perdido a validade para a indústria da moda tradicional.

Também foram reaproveitados 10 mil metros de ourela que Agustina acumulou ao longo dos anos – franjas laterais dos rolos de tecido que normalmente são descartadas. Dois grupos de economia solidária da Grande São Paulo se envolveram na produção ao costurar as sacolas: o CCO, em Osasco, e Dona Lúcia e sua equipe, em Barueri.

 
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Aqui para a Rede Manual, nada poderia ser mais gratificante do que o retorno da própria Dona Lúcia, que agradeceu à Comas pela oportunidade de gerar renda para costureiras que precisam ter seu trabalho valorizado. “Vocês nos ajudaram muito. Com o pedido, consegui dar trabalho para uma pessoa que estava em situação financeira muito difícil. Toda a demanda que chega em nossas mãos sempre representa uma força para alguém que esteja precisando bastante de atividade”, disse.

Agustina conta que a iniciativa também levou transformação para a Comas que, por ser uma marca upcycling, amplia seu impacto positivo no mundo à medida que aumenta seu volume de produção. “O projeto nos fez sair de uma lógica de escassez para um panorama de abundância. Para produzir em grande escala precisamos nos reinventar, abrir mão de alguns preconceitos e rever a produção a partir dos mesmos valores. Chegamos a um resultado incrível, único. Vou levar o que aprendi no projeto para outras iniciativas da Comas. Quero dar novos passos.”

Durante o Mercado Manual, evitamos o uso de cerca de 500 sacolas descartáveis ao implementar a nova opção – resultado que deve crescer nas próximas edições. A primeira experiência da Rede Manual em desenhar um produto a quatro mãos mostrou que o resultado positivo de cadeias produtivas éticas é exponencial, gerando crescimento para marcas conscientes, emprego para quem precisa, redução de desperdício e, claro, produtos lindos.

Com tantos pontos favoráveis, o desejo por aqui é continuar a estar perto dos artesãos agora não mais apenas para divulgar e apoiar a cultura feita à mão, mas para efetivamente construir essa história ao lado deles. O mundo precisa de mais parceria e colaboração.

 
 Foto: Leonardo Sang

Foto: Leonardo Sang

 Foto: Leonardo Sang

Foto: Leonardo Sang