"Ser Manual é valorizar a beleza do que é sutil"

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“O trabalho, para mim, é uma meditação”, diz Juliana Veinert, designer que faz joias únicas com a mistura de metais, resinas e elementos da natureza. Ela carrega o Ser Manual desde sempre. No começo, criava peças simples, em alpaca, uma liga metálica de fácil manipulação, enquanto viajava pelo Brasil. Com o tempo, decidiu estudar joalheria para entender como construir as formas orgânicas que tanto gostava de expressar em suas criações.

O mergulho de Juliana na própria expressão e identidade só aconteceu quando ela foi morar no campo e descobriu a possibilidade de trabalhar com resina, de levar elementos de fora para dentro da joia. “Na natureza, comecei a ser influenciada pelos insetos e fungos, pela beleza do que é sensível, das coisas pequenas que tantas vezes passam despercebidas. De alguma forma o meu trabalho é um jeito de levar isso para as pessoas”, diz. Assim, começou a coletar as sutilezas que encontra pelo caminho para incorporar nas joias.
 

 Foto: Gleice Bueno

Foto: Gleice Bueno

O processo dela é orgânico. “Às vezes eu não sei o que colocar em uma peça e de repente encontro uma borboleta linda, já sem vida, mas com suas formas perfeitas para encaixar direitinho no que estou criando.” Para ela, é como se o fazer manual fosse um meio para expressar algo que precisa ser representado, para organizar um fluxo que é natural. “É tudo muito intuitivo. Em alguns momentos me sinto completamente coadjuvante.”

Para Juliana, Ser Manual é justamente atuar como esse filtro, entregar o que ela tem de mais bonito para o mundo, colocar a alma em cada peça. “Trabalhar com as mãos é tão antigo e inerente ao ser humano. Em todos os povos sempre construímos artefatos ou plantamos alimentos. Criar algo que vai para o mundo com uma função, seja de nutrir, embelezar ou vestir, é como uma doação. É a manifestação do divino que vive em cada um de nós. #SouManual quando vou no fundo da minha alma e me expresso pelas minhas mãos.”
 

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 Foto: Gleice Bueno

Foto: Gleice Bueno

Por entender que toda criação vem carregada de força e poder, Juliana acredita que o ciclo não termina quando ela vende suas peças. Na verdade, ele ganha impulso e continua. É como um elo de ligação que se expande e conecta a natureza que serviu de inspiração, o trabalho artesanal dela e a energia e sentimentos de quem consome. “Cada joia tem um frequência, uma força que atrai a pessoa certa”, conta. Na visão dela, aquilo que é parte dela se integra e se transforma quando ganha o mundo. Como uma rede.

Foto Ju Veinert para #SouManual: Naira Mattia
Video: Daniel Wood
Texto: Giovanna Riato
Produção: Floristas e Casa Dobra