"Ser Manual é trabalhar com mente, coração e mãos"

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As memórias de infância mais valiosas para Mariana Bello envolvem o fazer manual: desenhar livremente, brincar com cera para produzir velas, criar cerâmicas sem compromisso com a perfeição. “São as lembranças mais prazerosas, momentos em que me sentia genuinamente feliz.” Já adulta, ela percorreu um longo caminho até entender e se reconectar com a essência ligada ao feito à mão. Se formou em Moda, trabalhou na indústria de calçados e, aos poucos, se deu conta de que queria ser mais do que um simples elo em uma longa cadeia produtiva.

 Foto Gleice Bueno

Foto Gleice Bueno

“Em grandes empresas as coisas são turbulentas, perdem um pouco o significado. Resolvi pedir demissão para buscar uma reconexão comigo, com o que acredito e quero para a minha vida.” Depois de deixar para trás o que não tinha mais sentido, Mariana decidiu fazer uma pós-graduação em Negócios da Moda. O plano era buscar novos caminhos, mas o que ela descobriu ali foi que valia a pena percorrer uma trilha bastante familiar: a do fazer manual. “Depois de tantos anos distante, comecei a me reaproximar dessa essência”, conta. Ganhava forma, devagar, a Feixe Acessórios, marca de peças contemporâneas que abusa da diversidade dos materiais. Para chegar à identidade estética que queria, Mariana mergulhou nas técnicas artesanais.

“O trabalho criativo pode se desenvolver de várias maneiras. Para mim o que faz mais sentido é o processo manual, que envolve muito mais acaso e intuição.” Ela diz que fazer com as próprias mãos abre portas, atrai novas referências. 

 Foto Leonardo Sang

Foto Leonardo Sang

“Essa conexão entre mente, coração e mãos é muito forte. Ser Manual é se entregar ao processo, é permitir que o acaso e a intuição te levem a caminhos inesperados, com resultados muito verdadeiros.”
 Foto Gleice Bueno

Foto Gleice Bueno

Essa honestidade que Mariana tanto busca imprimir em suas criações permitiu que a marca encontrasse uma identidade estética própria. Primeiro nasceram os acessórios feitos a partir de peças já prontas. Depois Mariana foi aprender joalheria e desenhou uma linha de peças em prata. “Sou muito verdadeira quando crio. Não faço escolhas muito conscientes para atender a um público que está distante de mim. Crio acessórios que eu gostaria de usar. Acredito que é por isso que as coisas funcionam bem. Eu me coloco ali e acabo atraindo as pessoas que se identificam”, diz.

Mariana diz que a busca é por criar acessórios que carreguem delicadeza e naturalidade. No processo, ela se encanta e explora o potencial de cada novo material que chega às suas mãos. “Uso borracha, pedras, resina e metais. Já me disseram que tenho produtos demais, que preciso restringir a minha linha.” A questão é que criar com liberdade é justamente a essência do fazer de Mariana. “Não posso me limitar. Estou sempre na busca, aberta a experimentar novas combinações. #SouManual quando estou com os materiais nas mãos e deixo ideias nascerem e fluírem. Não quero barrar a criação.”

 

Foto Mariana Bello para #SouManual: Naira Mattia
Texto: Giovanna Riato
Produção: Floristas e Casa Dobra