Fundadores da Popoke fazem peças únicas de design em madeira

  Eduardo e Natália são os artesãos por trás das peças lúdicas e exclusivas da Popoke  (foto Gleice Bueno)

Eduardo e Natália são os artesãos por trás das peças lúdicas e exclusivas da Popoke (foto Gleice Bueno)

Nem sempre o destino é claro, mas o melhor jeito de encontrar o caminho é seguir andando. Esta é uma das impressões que Natália Rocha carrega desde o começo da Popoke, uma marca que nasceu em 2015 para criar ferramentas criativas e instigantes para as crianças. O nome vem do tupi-guarani para peteca, um objeto que é lançado ao ar sem muita certeza de onde vai parar. É justamente com este espírito que ela sempre encarou a vida de empreendedora ao lado de Eduardo Castanheira, artista plástico e sócio dela no empreendimento e na vida.

O primeiro desvio no percurso veio cedo para a Popoke. “Com uma série de barreiras legais, o Imetro dificulta que o pequeno produtor consiga o selo que é fundamental para a venda de brinquedos”, conta. Assim, a ideia inicial de produzir jogos e peças para crianças foi frustrada. O jeito, então, foi seguir por outro caminho, abraçar o movimento para manter a ideia viva, como Natália defende. O casal foi buscar inspiração em marionetes, toy arte e esculturas. “O primeiro ano do Popoke foi muito experimental, inicialmente era quase um laboratório. Estávamos encontrando nosso caminho e acreditávamos que isso só seria possível se estivéssemos em movimento.”

Com toda a liberdade possível, começaram a desenvolver séries de personagens e trabalhar em peças lúdicas de arte e design em madeira - para os pequenos e para os adultos. O foco é criar peças únicas. Assim, chegaram a formas e seres com linhas inspiradas na natureza e em uma série de outras fontes, como civilizações antigas, mitologia, geometria sagrada, ficção científica e arte oriental em madeira. Natália conta mais:

“Alimentamos a
nossa criatividade com o exercício diário do fazer. Quanto mais desenhamos e vivemos o trabalho, mais ela flui”

Ela diz que criar itens únicos e lúdicos não é o único o desafio da Popoke. Encontrar canais para vender os produtos e atrair os clientes sensíveis ao trabalho artesanal é uma missão e tanto. Esta é uma dificuldade que o casal vence aos poucos ao construir devagar o diálogo com o público. “Ter uma estrutura para olhar com cuidado desde a criação até a venda das peças é a grande chave para ter sucesso como empreendedores criativos. Criar um método de produção que nos respeite e ao mesmo tempo, atenda às necessidades do mercado, para que a venda seja viável. É um processo complexo, porém muito rico.”

Assim, passo a passo, a marca encontra seu espaço, mas ainda não é a única fonte de renda do casal, que equilibra as demandas do projeto com trabalhos como free lancers na área de direção artística para cinema e publicidade. “Estamos caminhando para que a marca tenha peso maior em nossa renda, mas acreditamos que as novas formas de trabalho já não permitem que as pessoas façam uma coisa só. Somos felizes com isso. A nossa arte é o nosso espaço de expressão e o fato de ela ocupar espaço tão grande nas nossas vidas é, sem dúvida, um privilégio.”

A melhor parte de todas, diz, é fazer com liberdade e amor, sentimentos que tiram qualquer peso do trabalho. “Inspiração é fundamental. A nossa criação é um processo lúdico. Mas método e organização viabilizam o nosso trabalho, permite que as ideias se materializem”, conta, falando que o processo já está ali, estabelecido, mas que ele não impede que a Popoke siga em movimento, se adaptando a cada nova curva.

Popoke - Foto: Gleice Bueno
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EntrevistaGiovanna Riato