Já contamos a história da Mari Rossi (dá uma olhada). Mas, da Mari Rossi DJ.

Agora, ela está aqui de novo para contar novos capítulos; compartilhar as voltas que seu mundo deu e que fizeram nascer um novo fazer: a de criadora da marca chaman flowers and herbs - projeto que propõe um olhar voltado à natureza, transformando seus recursos em produtos que respeitam o tempo e o espaço do processo artesanal.

Tivemos a honra de lançar a marca no Mercado Manual – Edição 2 e ficamos absolutamente encantadas com o cuidado de cada peça, e mais felizes ainda, pela aceitação do público: o Chaman foi um dos expositores que mais venderam no MM2 :)

Mas, a Mari não vai contar isso sozinha. Sua história agora tem outros personagens: Danilo, seu marido, e Violeta, sua bebezinha linda que acabou de chegar.

Uma história na qual todos são protagonistas. Pois cada um deles, deu um sentido especial em cada parte do caminho.

Aho Mari, Danilo e Violeta!

Gratidão por compartilhar a vida de vocês e por permitirem que a gente faça parte dela.

 
 

1- Como tiveram a ideia de criar o Chaman?

O Chaman foi uma ideia do Danilo. Estávamos na nossa antiga casa no bairro do Bixiga, no centro de São Paulo, conversando em um domingo de manhã. Foi quando o Dan me disse que era afim de criar chás de cura e que a marca poderia se chamar Chaman, fazendo referência aos chás e ao xamanismo.

Ficamos tão empolgados com a ideia que nesse dia fomos à uma casa de chás e passamos horas apreciando, conhecendo e pensando sobre o assunto. Chegamos a ir até Registro, na divisa entre São Paulo e Paraná, para conhecer uma fazenda produtora de chá verde e preto, que serviria como base para nossos blends, mas no fim preferimos esperar para nos aprofundarmos mais no assunto até lançar nosso produtos.

De lá pra cá, engravidamos e casamos. Durante a lua de mel, o Danilo, novamente, teve a ideia de fazermos camisetas como uma forma de começarmos a ter produtos do Chaman - mantendo o mesmo caminho criativo do xamanismo e buscando inspiração na arte indígena. Tive a ideia de então lançar as camisetas e o Chaman no Mercado Manual - seria uma oportunidade incrível para o começo de tudo. Mandei email pra você (Karine) perguntando se poderiamos participar do evento e como a resposta foi positiva, nos empolgamos e começamos a criar a primeira coleção. Tinhamos cerca de 40 dias para criar, desenvolver e produzir uma coleção de algo que nunca fizemos antes!

Foto: Danilo Mantovani

Foto: Danilo Mantovani

2- Qual é o propósito da marca?

Podemos dizer que o Chaman propõe um olhar mais sensível à natureza e à sabedoria dos nossos ancestrais, manifestada através das artes: da pintura, da música, da fotografia e das outras tantas possibilidades.

3- E os diferenciais?

Buscamos, em primeiro lugar, sermos coerentes com os nossos princípios básicos. E o ponto fundamental hoje é tornar tudo o que fazemos cada vez mais sustentável - o que não é fácil, ainda. Os custos são altos porque cai em algumas equações como quantidade X qualidade, processo manual X tempo entre outros. Nesta segunda coleção, nossas camisetas serão produzidas pela Panosocial, que trabalha com algodão 100% orgânico, vindo do sul do Brasil,tingimento natural, além de corte e costura feitos por ex presidiários, que estão em busca de recolocação no mercado de trabalho.

Foto: Danilo Mantovani | Confecção Zilhões

Foto: Danilo Mantovani | Confecção Zilhões

Foto: Danilo Mantovani | Confecção Zilhões

Foto: Danilo Mantovani | Confecção Zilhões

4- O que a chaman produz para o mundo?

O Chaman procura inspirar as pessoas através de suas criações. Por enquanto, temos as camisetas, mas estamos nos programando para lançar a coleção feminina no Mercado Manual #4. No próximo ano teremos chás medicinais e daí por diante: objetos em cerâmica, música, fotos e filmes.

5- Como é o processo de criação/produção dos produtos chaman? O que cada um de vocês faz?

Quando decidimos ter a marca, dividimos as tarefas entre criação e operacional. O Danilo ficaria com a criação e eu com o operacional, mas no fim acabamos fazendo um pouco de tudo. Como ainda estamos no começo, dançamos conforme a música. O Danilo começou o processo de pesquisa da primeira coleção, no meio, dei alguns palpites e fechamos a coleção juntos. Na parte operacional também rolou desta maneira, cada um fazendo um pouco. Já nesta segunda coleção estou um pouco mais afastada da criação porque estou cuidando da nossa bebê. Mas na próxima coleção, com a entrada da parte feminina, me envolverei naturalmente mais na criação. Ou seja, por mais que as tarefas sejam divididas, elas acabarão sempre se misturando conforme for necessário.

6- O que cada um de vocês faziam antes? Seus “fazeres” anteriores colaboram de alguma forma nesse projeto? Como?

O que nós fazíamos antes, seguimos fazendo. O Chaman é um projeto que decidimos realizar paralelamente aos nossos fazeres individuais.

Eu sou DJ, jornalista e curadora musical, e o Dan é fotógrafo e diretor de cinema.

No meu caso, tenho um background com moda. Além de ter feito faculdade de negócios da moda, trabalhei diariamente neste setor até o ano passado. De lá pra cá, trabalho como jornalista durante as edições do São Paulo Fashion Week. Como Dj, nunca parei de tocar e sigo envolvida também em alguns projetos musicais.

No caso do Danilo, além do olhar estético, ele também já fotografou e filmou campanhas de moda. Juntamente com as criações do Chaman, ele cuida da nossa produção de conteúdo audiovisual para as redes sociais e neste momento esta filmando seu primeiro longa, um documentário sobre um time de rugby que nasceu na favela de Paraisópolis.

O Chaman é a convergência de nossas estórias pessoais e de nossas profissões. Tudo o que fazemos carrega em sua essência a criatividade como forma de expressão e de conexão com a fonte da vida.

Foto: Sofia Colucci

Foto: Sofia Colucci

Foto: Guga Ferri

Foto: Guga Ferri

7- O que o xamanismo representa na história do casal?

O xamanismo surgiu em nossas vidas para nos dar o alicerce primordial de tudo que fazemos, que é a amorosidade. Desde que entramos em contato com esta filosofia, passamos a dar outro valor ao tempo, ao fazer e principalmente às nossas relações.

8- O que a marca traz dos fundamentos xamânicos?

Basicamente uma ligação e respeito profundos pela natureza. Esta é a maior conexão com a criação de tudo.
Além disso, a intenção de criar e mostrar às pessoas que tudo o que precisamos esta à nossa volta, basta abrir o coração e a intuição.

Foto: Danilo Mantovani

Foto: Danilo Mantovani

Foto: Renata Decoussau

Foto: Renata Decoussau

9- Como foi o lançamento da marca no Mercado Manual?

Foi muito além das nossas expectativas. Tivemos a ideia e executamos tudo em pouco mais de um mês. Como foi tudo super corrido, só paramos para respirar quando estava acontecendo!
Tivemos um suporte primordial das Floristas, que nos abriram o espaço, dos nossos amigos, que foram nos prestigiar em peso e do público em geral, que abraçou a ideia do Chaman com muita curiosidade e amorosidade. A camiseta mais vendida foi justamente a que simbolizava uma pintura corporal chave dos índios caiapós. A estampa era gigantesca, achavamos que as pessoas acharíam muito chamativa, mas na verdade muitos se identifcaram e levaram a sua pra casa.

10- Como é trabalharem juntos?

Muito além de trabalharmos juntos, estamos vivendo a maior e mais intensa experiência de parceria. A vida em casal, a criação de nossa filha, o trabalho. No fim é tudo uma coisa só. Percebemos que existem dificuldades em todos os aspectos, mas a amorosidade, o respeito e a admiração que temos um pelo outro nos permite fazermos qualquer coisa juntos.

11- Quais são as dores e as delícias em trabalhar de forma independente – ser “empreendedor de si mesmo?”

Nossa principal motivação é o processo de criação em si. É dar vida às ideias e inspirações que temos. Também é muito gostoso ter liberdade de fazer as coisas da maneira que julgamos melhor, mais legal, enfim. E isso só é possível quando se é independente. O investimento e o risco são nossos, mas o que se conquista é muito mais gratificante.

Essa é a nossa essência. Eu tenho uma empresa de curadoria musical e produção de conteúdo, o Danilo já teve duas produtoras de filmes e está empreendendo em um novo negócio neste momento. Ambos somos também profissionais autônomos, eu DJ e ele fotógrafo. É uma dualidade de “frio na barriga” e ao mesmo tempo um profundo sentimento de realização. Não é a toa que seguimos empreendendo.

Acreditamos que a grande questão é o “mergulho de cabeça” e a dedicação de alma, seja no que for. Nunca tivemos dúvida de tudo o que fizemos - o que não nos impede de falhar. Mas a intensidade e a verdade com que vivemos os nossos projetos é o que de fato impulsiona e dá o tesão de fazer.

12- O que pensam sobre a transformação que está acontecendo com o consumo?
Ficamos felizes quando vemos o Mercado Manual cheio de pessoas interessadas na história de cada produto. Isto é essencial para impulsionar uma mudança de atitude em relação ao consumo, que é tão cruel e predador com o meio ambiente, com as pessoas e com o sistema em geral.

13- Quais são as dicas e os cuidados para quem quer começar um projeto autoral?

O mais importante de tudo é fazer. Não importa se vai errar ou acertar. Nós mesmos erramos de certa maneira, apostando mais na venda de uma de nossas estampas do que outra e foi justamente o oposto. Estar disposto a errar, ter a coragem de fazer e a perseverança de seguir em frente são os principais ingredientes.

Foto: Danilo Mantovani

Foto: Danilo Mantovani

14- Como é conciliar o papel de “pais” com o de "empreendedores”?

Ainda estamos aprendendo a dividir nosso tempo. Estou curtindo minha auto licença maternidade, fazendo o que dá entre as mamadas, sem culpa. Mas acho que pro Dan esta mais difícil, pois ele esta filmando seu documentário, desenvolvendo a nova coleção do Chaman, trabalhando como diretor de fotografia, cuidando da casa, de mim e da Violeta.

15- O que vem pela frente? Novidades, projetos, desejos…
Além de diversificar as criações do Chaman, temos planos de sair de São Paulo, construir uma casa no mato e ter mais um ou dois filhos.

Foto: Danilo Mantovani

Foto: Danilo Mantovani

* Você encontra as camisetas Chaman, na loja virtual