As roupas, sapatos, bolsas e acessórios criados pela estilista Manuela Rodrigues, da Cabana Crafts,  trabalham o resgate do fazer descomplicado e da elegância dos elementos naturais. São produtos autênticos, cuidadosamente elaborados e em pequenas séries, que priorizam o estilo, o conforto e a durabilidade, propondo um consumo consciente com beleza e leveza.

 

1. Como surgiu o seu projeto? Conte sua história e de sua marca, brevemente.

A idéia de criar a Cabana surgiu em 2014, quando voltei a morar no Brasil depois de uma temporada de 5 anos na França, onde fiz uma pós em moda e trabalhei como estilista.
Voltando para cá não me via mais trabalhando no mercado de moda tal qual eu conhecia, não acreditava mais naquele modelo, onde tudo é efêmero e descartável, onde é preciso reinventar a roda a cada 6 meses.
A dinâmica do mundo da moda foi perdendo o sentido para mim e ao mesmo tempo veio vindo uma vontade de ser dona do meu tempo.
Tinha vontade de poder criar e trabalhar com mais tempo e qualidade. Fazer a minha própria marca, no meu ritmo, sem imposições de coleções, me permitiu um novo estilo de vida, além de ter mais prazer e ver mais sentido no meu trabalho.

2. Quais os propósitos que te movem em sua criação?

Procuro fazer um produto descomplicado e de qualidade, que seja atemporal e priorize o estilo, o conforto e a durabilidade, propondo assim um consumo mais consciente.
Também busco sempre valorizar tudo que é artesanal, o trabalho manual, o fazer com tempo e cuidado, além das matérias primas naturais, é claro. O nome Cabana vem um pouco dai, a cabana é uma construção simples e muitas vezes feitas pelas próprias mãos à partir de matérias primas naturais. O nome da marca também evoca viagem, férias, fim de semana, que é uma grande fonte de referência e inspiração para as criações da Cabana.

3. Como as feiras, bazares e mercados, como o Mercado Manual, são significativos para a sua marca?

São muito importantes! É uma grande oportunidade de mostrarmos e divulgarmos nosso trabalho para um grande público e também é uma rede maravilhosa de pessoas vivendo esse mesmo movimento, de fazer você mesmo, do slow fashion , do pequeno. é um grande incentivo para nosso trabalho e um belo encontro onde nos conectamos, trocamos figurinhas e nos fortalecemos.

4. Qual a dor e a delícia de ser um pequeno empreendedor criativo, no Brasil?

Ser multi e fazer um pouco de tudo é uma enorme satisfação mas as vezes pode ser muito difícil passar de uma função para a outra ou fazer tudo ao mesmo tempo. São muitas funções entre criar, divulgar, administrar, vender etc...
Mas de um modo geral acho que as pessoas no Brasil estão valorizando cada vez mais o pequeno empreendedor criativo e é um grande orgulho fazer parte desse movimento.

5. Quais dicas você daria para quem quer começar nesse caminho?

Fazer! Acreditar e colocar a mão na massa. Acho legal também ter um foco e manter-se fiel ao seu propósito. Não dá para querer abraçar o mundo e acho que o que faz o trabalho do pequeno ser tão especial é ser muito autêntico. É importante ser autoral e exclusivo e isso torna o produto e a experiência de quem compra do pequeno única. Tem que fazer sentido, afinal já tem muito coisa por ai:) Também acho importante se comunicar, seja nas redes sociais ou participando de feiras e bazares, é preciso mostrar o trabalho e uma imagem clara do universo que você quer passar.