Especializada na criação e desenvolvimento de bolsas feitas à mão, a marca Catarina Mina, criada por Celina Hissa, reflete a dedicação a todo o processo que envolve o nascimento de cada peça em produtos que aliam a tradição do artesanato à sofisticação do luxo. Desde sua criação, a marca já desenvolveu produtos de Private Label para grandes marcas. Algumas das coleções desenvolvidas foram destaque em desfiles do SPFW, como foi o caso da linha de fios dourados produzida para Água de Coco e Osklen.

Hoje a Catarina Mina se destaca por seu projeto #umaconversasincera que teve visibilidade e reconhecimento nacional, recebendo prêmios pela inciativa, entre eles o Prêmio ECOERA da VOGUE.
Com produtos distribuídos pelos estados de São Paulo, no Mercado Manual, nas lojas CHOIX e ACAJU, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Espírito Santo, Alagoas e o Rio Grande do Sul, além do próprio Ceará. A grife tem hoje como principal ponto de venda sua loja virtual.

 
 

1. Como surgiu o seu projeto? Conte sua história e de sua marca, brevemente.

A Catarina Mina nasce no Ceará há 11 anos, como uma brincadeira, um hobby, da vontade de criar peças com design e artesanato. Assim, nos especializamos na criação de peças artesanais, desenvolvemos private label para grandes marcas, como Osklen, abrimos pontos de venda em todo o Brasil, participamos da criação de peças para exposição de arte. Todavia, em 2015 a marca decide assumir um caminho mais ousado, alinhado com seu proposito de trabalhar com o artesanato.

Assumindo a cultura do artesanato, a Catarina Mina optou em 2015 por abraçar de corpo e alma um caminho. O projeto #uma conversa sincera.

Neste sentido, a gente lançou uma ideia: expor os custos envolvidos na produção de cada uma de suas peças. É um jeito de tornar visíveis as nossas prioridades e deixar o consumidor por dentro do nosso processo. A marca é a primeira no Brasil a adotar a iniciativa.

Uma bolsa guarda um montão de segredos. Mas uma coisa que uma bolsa da Catarina Mina não pode esconder é o seu processo de produção. Afinal, a beleza do produto é resultado do carinho de muitas outras: as mãos da designer que imagina e desenha, as das artesãs que criam e entrelaçam, as das costureiras que dão a cara final do produto, além das mãos que revisam, embalam e distribuem as peças.

Essa iniciativa vai muito na intenção de mover o consumidor em direção a perguntas como: o que há por trás e como funciona a cadeia de moda e de produção de uma forma geral? Que tipos de vida e pensamentos incentivamos com as nossas formas de consumo?

Gosto muito de dizer que se trata de um “projeto”, pois isso significa que ele é da ordem da tentativa, está em construção. Não está pronto. Desta maneira, estamos abertos para nos transformar, ouvir sugestões, aprender e ensinar com outras iniciativas de mundo.

Quais os propósitos que te movem em sua criação?

Temos como missão e vontade repensar os laços entre consumidores e artesãos através do design. Tornando viável que comunidades de artesãs sigam produzindo e que esta cultura permaneça em nossas vidas e que este fazer secular seja financeiramente viável para as famílias e mulheres que se dedicam a ele.

Como as feiras, bazares e mercados, como o Mercado Manual, são significativos para a sua marca?

As feiras são lugares nos quais podemos nos encontrar com o público, consumidores. É lá que o encontro físico acontece, junto com isso vem a troca, a possibilidade de conversa. Isso pra gente é muito importante, o nome do nosso projeto é #umaconversasincera e ele acredita exatamente que podemos construir um mundo mais justo, uma sociedade melhor a partir do lugar de conversa e troca mutúa, colocando-se no lugar do outro.

Qual a dor e a delícia de ser um pequeno empreendedor criativo, no Brasil?

A delícia é o sentimento de aprendizado continuo, a felicidade + coragem  de abrir portas, definir caminhos nossos.

A dor segue lado a lado dos prazeres, se estamos sempre aprendendo, as vezes nos sentimos inseguros, solitários. Por isso acredito que o pensamento em rede é tão importante para quem segue como pequeno empreendedor, são nos lugares de troca, nos coletivos, que podemos nos sentir entre os nossos e transformar nossas caminhadas em estradas mais seguras.

Quais dicas você daria para quem quer começar nesse caminho?

Reinventar-se, coragem, crença (otimismo). São três conceitos que precisam estar nesta caminhada.