Feixe Acessórios é fruto da busca de Mariana Bello por um trabalho autoral

MariBello

Decidida a construir um trabalho que fizesse sentido com seu estilo de vida, Mariana Bello criou a Feixe Acessórios. As peças da marca unem os mais diversos materiais, incluindo pedras naturais, borracha e metal. Segundo ela, desde o início do projeto a intenção foi criar joias com pegada urbana. Para chegar a peças únicas, ela acredita que o melhor caminho é trabalhar, não apenas se inspirar.

Mariana percebe o aumento do interesse das pessoas por produtos exclusivos e feitos à mão. “As pessoas estão um pouco cansadas da massificação”, acredita. E complementa que, para ela, esta transformação do consumo só aumenta a realização com o trabalho:

“O prazer de fazer o que a gente gosta e da forma como a gente acredita é realmente o grande lance. Crio a partir dos meus desejos, minhas inspirações e da minha maneira de enxergar o mundo. Assim, quem se encanta pela marca e pelo produto é quem tem as mesmas crenças ou aspirações.”
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Confira mais na entrevista a seguir.


O que você fazia antes de empreender na Feixe Acessórios e qual foi a inspiração para criar a marca?
Depois de trabalhar mais de 12 anos como designer de calçados, para grandes empresas, senti necessidade dar um novo rumo para minha vida e carreira e conseguir desenvolver um trabalho autoral e alinhado com minhas crenças pessoais, estilo e modo de vida. Já sentia como consumidora um desejo de encontrar no mercado joias em pedras naturais como uma leitura mais urbana e contemporânea e, acima de tudo, acessíveis. Fiz pós- graduação em Negócios da Moda no Senac/SP e a marca foi nascendo e tomando forma como um projeto do curso, que me permitiu ainda fazer ampla e profunda pesquisa de público-alvo e mercado.

Qual é o propósito da Feixe?
Desenvolver joias contemporâneas em pedras naturais, confeccionadas manualmente em pequena escala, por um preço justo e acessível para mulheres que se identifiquem com os valores e identidade da marca.

De que forma a marca ressignificou a sua relação com trabalho?
Sempre trabalhei muito e nunca tive a ilusão de achar que diminuiria o ritmo ao ter a minha própria marca. Ainda assim, a minha relação como o trabalho mudou drasticamente de forma muito positiva. Passei a ser dona do meu tempo, mas precisei aprender a administrá-lo e fazer com que as coisas aconteçam. O prazer de fazer o que a gente gosta e da forma como a gente acredita é realmente o grande lance. Crio a partir dos meus desejos, minhas inspirações e da minha maneira de enxergar o mundo. Assim, quem se encanta pela marca e pelo produto é quem tem as mesmas crenças ou aspirações.

Há mais gente envolvida no projeto? Qual é o tamanho da equipe e a dinâmica do trabalho?
Sou a faz tudo: pesquisa, compra de materiais, desenvolvimento, criação, produção, vendas, divulgação, fotos, administração de mídias digitais, site, financeiro e administrativo. Mas tenho ótimos fornecedores parceiros, um ourives que produz as minhas peças da linha prata, e algumas pessoas chave que trabalham comigo nos eventos me ajudando nas vendas e em algumas questões administrativas. As embalagens da Feixe por exemplo são todas confeccionadas por uma vizinha querida. Sou muito a favor da colaboração e tenho projetos em parceria com outras amigas empreendedoras nos quais juntamos forças para vender e divulgar nosso trabalho.   

Quais são os maiores desafios e as maiores recompensas que o projeto já trouxe?
Os maiores desafios estão ligados à gestão da marca, planejamento e rotinas administrativas e financeiras. As maiores recompensas estão relacionadas a agradar as minhas clientes e vê-las felizes e bonitas, é ver meu trabalho reconhecido e valorizado por elas. 

Como você administra o seu tempo desde que começou a empreender? Você trabalha mais ou menos?
Trabalho talvez até mais, com a diferença de que administro o tempo a minha maneira, posso ficar até tarde da noite trabalhando, mas me dar ao luxo de ter folga quando acho necessário e montar minha agenda da melhor forma.

Conte sobre as peças da marca: de onde vem a inspiração e o como é o processo do fazer manual?
Embora adore arte, design, arquitetura, acho que as minhas inspirações são tudo que me cerca e as minhas vivências, sou uma pessoa muito visual e observadora, meu radar esta sempre ligado. Mas meu processo de criação é muito intuitivo e as peças nascem muito da combinação das matérias escolhidas que encheram meus olhos naquele momento preciso. Me identifico muito com um frase do Picasso que diz “a criatividade tem que te encontrar trabalhando”. Sou muito a favor do processo de experimentação até que as ideias se encaixem e vc diga: é isso! Gostei! O fazer manual me permite esta experimentação, esta construção.

A Feixe já é um projeto financeiramente estável? Ou você precisa complementar as receitas com outras atividades?
Graças a muito trabalho e dedicação as coisas tem fluido bem. Minha receita é exclusivamente da Feixe.

Como você percebe a aceitação do fazer manual? Há mais clientes em busca de comprar de quem faz?
Sim. O trabalho manual, autoral tem sido bastante valorizado. As pessoas estão um pouco cansadas da massificação, e além de terem desejo por produtos produzidos em pequena escala também existe interesse em saber quem cria e faz. Acima de tudo, as pessoas estão buscando encantamento, beleza e leveza para conseguir encarar tantas coisas duras e ruins que acontecem no mundo. 

O que vale mais na criação: inspiração ou método e organização?
Um pouco de cada coisa. Só a inspiração não basta.

Como você se inspira e alimenta a criatividade?
Alimento minha criatividade estando atenta a vida e a tudo que me cerca. As viagens, os museus, a natureza, as pessoas, as cores, a música,  tudo é fonte de inspiração, mas acho importante estarmos sempre atentos aos pequenos detalhes, a inspiração pode estar em pequenos detalhes.

O que planeja para o futuro do projeto?
Que a marca cresça mas sem perder a sua essência. Projetos colaborativos são bem vindos, mas tudo a sua devida hora, não quero dar nenhum passo maior que as minhas pernas, a marca completa dois anos em novembro e acho que o crescimento deve ser fruto do amadurecimento do meu trabalho.

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Fotografia: Gleice Bueno | Texto: Giovanna Riato