Para entrar no clima: playlist do #MANUALnoMCB

 
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Tem #MANUALnoMCB neste fim de semana. Nos dias 2 e 3 de dezembro o feito à mão vai ocupar o Museu da Casa Brasileira. São mais de 100 expositores de itens de moda, joias, decoração, design e infantil. Vai ser demais! <3

Como sempre, tudo será acompanhado de muita música com shows gratuitos ao vivo e a nossa já tradicional seleção caprichada que garante o som ambiente do festival. Para você já entrar no clima e ficar no astral da nossa festa, aqui vai um pouco das brazucas que vão rolar por lá.

É só sincronizar no Spotify e sair ouvindo para a vida ficar mais leve ;)

#MANUALnoMCB
A edição de Natal do festival acontece nos dias 2 e 3 de dezembro, das 10h às 20h no Museu da Casa Brasileira, que fica na avenida Faria Lima, 2705, em São Paulo. Como o estacionamento é pequeno e sujeito a lotação, o melhor é sempre ir sem carro: use táxi, Uber, ou o transporte público (o metrô Faria Lima fica a 15 minutos de caminhada). O evento tem uma programação rica de shows e oficinas - tudo gratuito. Para conferir é só clicar aqui.

 

Conheça Luiza Morandini, responsável pelos shows do Mercado Manual

Foto Leonardo Sang | Casa Dobra

Foto Leonardo Sang | Casa Dobra

Se você já foi a alguma edição do Mercado Manual, provavelmente viu uma moça alta, branquinha de cabelos escuros curtindo os shows gratuitos que sempre oferecemos no festival. Ela não é (só) uma apreciadora das apresentações do evento. Luiza Morandini é a curadora musical das nossas festas, uma das grandes responsáveis por encontrar e selecionar projetos musicais independentes e interessantes para o público de cada edição do festival.

Quando pequena ela adorava fuçar discos, livros e lojas de CDs. Devorava encartes para acompanhar as letras das músicas e identificar os músicos enquanto desbravava cada novo álbum. Na adolescência expressou a paixão pela música em aulas de canto, teve uma banda formada com amigos e, mais tarde, frequentou o Supremo, bar referência da música em São Paulo que funcionou dos anos 1980 até o começo de 2000. Ainda batia cartão nos shows do Sesc para conhecer novas bandas e artistas.

Formada em comunicação, enveredou para o caminho da produção cultural e, como se o fluxo natural a empurrasse, sua carreira desembocou na música: trabalhou com Jorge Mautner, com o pianista, produtor e curador, Benjamim Taubkin, coproduziu shows, festivais, séries musicais e mais uma pilha de projetos relacionados a encontrar e valorizar o fazer sonoro. Ainda que rejeite o rótulo, Luiza encontrou, enfim, um para chamar de seu: é curadora musical. “Ainda resisto a este nome porque acredito que é um longo aprendizado e ainda estou no caminho. Por outro lado, ‘produtora’ não é o suficiente. Estou em eterna construção”, conta.

Apresentação da Delleva na 5ª edição do #MANUALnoMCB | Foto Danilo Mantovani

Apresentação da Delleva na 5ª edição do #MANUALnoMCB | Foto Danilo Mantovani

Hoje, além de integrar o time do Mercado Manual e fazer, ao lado da Floristas, shows incríveis acontecerem, Luiza cuida da programação e curadoria das respeitadas JazzNosFundos e JazzB ao lado de Maximo Levy, o fundador das casas. “São cerca de 60 shows por mês, com foco principal no jazz e na música instrumental, mas com espaço para a canção, os cantautores, para a música do mundo, eletroacústica, etc.”, enumera. A dupla ainda faz a curadoria de projetos como o FAM Festival (Scheeeins!), o Pátio Jazz Sessions (Shopping Pátio Higienópolis), entre outros. “É um trabalho intenso e muito prazeroso”, resume.

Na entrevista a seguir, Luiza fala mais da sua carreira, da cena musical e dos pontos importantes para a curadoria musical do Mercado Manual. De quebra, ainda recomenda os discos e projetos pelos quais se apaixonou recentemente.

 

Quais são os desafios da curadoria musical?

Entendo a música como algo vital para nossa cultura e expressão artística. Nunca conheci alguém que não gostasse de música, seja qual for seu gosto musical. Estive em alguns festivais de música na Europa, e em alguns outros em lugares como Marrocos, Israel e Turquia. Conheci muitos artistas destes países e percebi que, quando a música começa, ela é ponte. Sempre penso nesse trabalho com muita seriedade, como algo que conecta pessoas e culturas, ainda que não seja possível agradar a todos ou integrar todos os artistas.

É algo que requer muita pesquisa, atenção a novos projetos e artistas, busca por recortes interessantes, escolhas. É preciso relacionar tudo isso de forma coesa, sem nunca deixar de pensar objetivamente no orçamento de cada evento, nas condições técnicas, no público que queremos atingir e, também, nas instituições ou patrocinadores envolvidos. Tudo tem que ser muito ponderado. A viabilidade financeira sempre é o grande desafio na área cultural.

 

Como você se mantém abastecida de inspiração e referências para desenvolver o seu trabalho?

Busco ler, pesquisar e, principalmente, escutar muita música o dia todo. Ir a shows e festivais e ficar atenta a programações que são referência para mim dentro e fora do Brasil em programas de rádio, podcasts e publicações. Alguns festivais ou curadores são inspiradores e fontes importantes para meu trabalho.

 

Yannick Delass em show no #MANUALnoMCB | Foto Gleice Bueno

Yannick Delass em show no #MANUALnoMCB | Foto Gleice Bueno

Quais são as suas preocupações na hora de pensar na curadoria musical do Mercado Manual?

O Mercado tem algo de muito especial que é o fato de apresentar projetos artesanais com linguagem elaborada, técnica e estética. Na música não é diferente. Realizo esse trabalho ao lado da Karine Rossi, uma das organizadoras do Mercado. Buscamos projetos autorais - especialmente nas composições - mas também nos arranjos. Projetos que tenham expressividade, originalidade e identidade. Não se trata de buscar apenas projetos tradicionais, não mesmo, mas de encontrar iniciativas que deixem claras as suas raízes.

Outra preocupação são as questões técnicas. Os artistas têm que ser bem recebidos e com boas condições de som para apresentarem seus trabalhos em ótima performance. O Hernan Romero é o responsável técnico. Trabalho com ele há mais de 4 anos e o chamei quando fui convidada para integrar a equipe do Mercado. Ele é um excelente profissional e virou nosso parceiro oficial de som.

Sganza se apresenta para o público do 3º #MANUALnoMCB | Foto Tati Abreu

Sganza se apresenta para o público do 3º #MANUALnoMCB | Foto Tati Abreu

Caso se lembre de algo, conte casos interessantes do trabalho como curadora musical do festival.

Muito comumente tenho a sorte de me surpreender com o próprio público, já que algumas vezes programamos artistas considerados mais herméticos e o público adora e embarca no show. Quanto aos artistas, acho que quanto mais eles compreendem onde estão, mas eles se conectam com o público na hora do show. Já tive experiências de grandes artistas se apresentando em festivais sem entender bem o contexto e se perderem. Tem um músico mexicano, o Juan Pablo Villa que participou do Mercado Cultural da Bahia. Ele era a abertura da noite e seu show era solo. Ele arrasou muito mais do que a atração principal seguinte. Foi uma diferença gritante. 

 

Silibrina durante o 6º #MANUALnoMCB | Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Silibrina durante o 6º #MANUALnoMCB | Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Qual é a sua análise do cenário atual para a música independente em São Paulo? Ao abrir espaço para estes artistas, o Mercado Manual contribui para cena?

A cena está muito viva. Temos artistas de todos gêneros lançando novos discos, compondo e arranjando diferentes projetos. Seja da cena da música instrumental ou de cantautores. Assim como há espaços que têm contribuído muito com este cenário, como os Sescs, claro, e as casas independentes como o Centro Cultural da Música Instrumental, JazzNosFundos, JazzB, Mundo Pensante, Casa de Francisca, Tupi or Not Tupi, há ainda muitos festivais acontecendo e ocupando a cidade com música autoral e festivais e feiras que servem como plataforma para conhecermos novos artistas, que realizam debates e encontros sobre música, ajudando a formar massa crítica sobre o atual cenário. Vale ressaltar várias iniciativas que têm fomentado a igualdade de gêneros e discutindo e valorizando o papel das mulheres na música.

O Mercado Manual é uma dessas iniciativas. Acredito que as realizadoras, as Floristas, estão muito compromissadas com a música no evento. É uma postura que nos inspira a trabalhar e nos dá força para buscar jovens artistas a integrarem a programação. O público do Mercado dá fôlego também ao nosso trabalho e ao dos artistas, recebendo muito bem, de corações e ouvidos abertos, músicas que muitos deles nunca escutaram.   

MM2 | Foto Gleice Bueno

MM2 | Foto Gleice Bueno


Indique cinco discos ou projetos musicais que descobriu este ano e recomenda fortemente?

Estes são projetos especiais que têm me chamado a atenção nos últimos dois anos (entre muitos e muitos):

 

Lourenço Rebetez

O jovem guitarrista, compositor e já grande arranjador, mergulhou no universo de Moacir Santos e de Letieres Leite para fazer um disco arrebatador.

 

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Diego Moraes

Compositor e cantor, com uma performance de palco incrível e muito cativante, Diego integra o grupo Não Recomendados e vai lançar em breve seu disco #ÉqueeuandodeÔnibus. Suas composições são ótimas, com muito groove, e ele é realmente um grande cantor. Estará no #MANUALnoMCB neste fim de semana, dias 2 e 3 de dezembro, no Museu da Casa Brasileira.

 

Proyecto Pato

Grupo argentino que traz o cancioneiro da música popular do país, mas com leituras contemporâneas. A cantora do grupo, Nadia Larcher, tem uma voz e uma interpretação especiais.

 

Orquestra Mundana Refugi

A Orquestra Mundana Refugi é um projeto criado pelo compositor e multi-instrumentista Carlinhos Antunes no aniversário de 15 anos de sua Orquestra Mundana. Neste projeto ele integrou músicos da França e de Cuba e de diversas regiões do Brasil, que já estavam na Orquestra e trouxe músicos e cantores da Palestina, Síria, Congo, Haiti, Irã e Guiné-Conacri.

 

Ludere

Quarteto formado por grandes instrumentistas - Philippe Baden Powell, Rubinho Antunes, Bruno Barbosa e Daniel de Paula. Composições e arranjos sofisticados de jazz com raiz brasileira.

 

Yangos

Quarteto gaúcho que tem se destacado na cena da música instrumental. Foram indicados este ano ao Grammy Latino. Exploram nossas raízes sul-americana com o universo jazzístico. Tem ritmos do sul do continente que me encantam como chamamés, chacareras, tangos e milongas.

 

Cosmopolita

O quarteto explora o universo sonoro das décadas de 60 e 70. Já se apresentaram no Mercado Manual. É muito bom para ouvir e dançar.

 

Maria Beraldo

A cantora, instrumentista e compositora, Maria Beraldo, já vinha se destacando em grupos como Claras e Crocodilos do Arrigo Barnabé e em seu grupo Quartabê. Ela surgiu agora cantando, compondo e interpretando canções. Seu canto e expressão é muito particular e potente como um corte seco, mas profundo. Tenho curtido muito escutá-la.  

Isadora Canto MM6 | Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Isadora Canto MM6 | Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Maloya em show no #MANUALnoMCB edição 2 | Foto Gleice Bueno

Maloya em show no #MANUALnoMCB edição 2 | Foto Gleice Bueno

Texto: Giovanna Riato

Comas inverte lógica da moda para entregar design atemporal e sustentável

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Empreender não é um processo simples. Agora imagine empreender com a criação de uma marca de roupas que subverte a lógica da cadeia produtiva da indústria da moda e se dispõe a entregar peças atemporais às clientes, longe do apelo fast fashion das coleções. É justamente isso que decidiu fazer Agustina Comas, uruguaia que vive no Brasil há mais de 10 anos e, depois de estudar moda e construir carreira em grifes como Jum Nakao e Daslu, usou o sobrenome para batizar sua própria marca de roupas, a Comas Upcycling, que transforma em peças únicas roupas descartadas antes de chegar às lojas.

A ideia nasceu no fim de 2014, quando a estilista tinha acabado de encerrar a sociedade que mantinha em um negócio anterior, a Inuse. Cabeça e mãos ociosas são oficina para novas ideias em mentes criativas, então não demorou para ela ser picada pelo desejo de começar um novo projeto. “Eu já tinha trabalhado com o conceito de upcycling e tinha ainda atuado em moda masculina na Daslu, então sabia que as camisas são material muito nobre que muitas vezes sobra nas fábricas. Peças com pequenos defeitos acabam apodrecendo em caixas sem um destino adequado. Comecei a ir atrás deste material e desmanchar as peças para criar novas roupas ”, conta.

Assim, Agustina criou o seu próprio jeito de transformar palha em ouro. Das camisas masculinas que seriam descartadas, nasceram saias, blusas e vestidos da marca -  sempre desenhados com preocupação de garantir atemporalidade.

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Assim, de um jeito bem intuitivo, ela decidiu simplesmente fazer. E as coisas tomaram corpo antes que ela estivesse pronta para projetar os desafios que teria pela frente. “Não consigo ficar planejando. Preciso sair fazendo”, diz, com o simpático e característico sotaque uruguaio. Antes de desenvolver um logotipo para Comas ou começar a colocar etiqueta nas roupas ela já estava vendendo as peças em alguns eventos. Foi justamente nesta etapa que o caminho dela cruzou com o da Rede Manual. “Recebi o convite para expor no primeiro Mercado Manual no Museu da Casa Brasileira, em 2015. Fui e lá tive um resultado impressionante para aquele momento, parecia ter encontrado o meu público, as pessoas que pareciam comigo”, lembra.

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OS ACERTOS, OS ERROS E AS DÚVIDAS

Com o tempo, Agustina foi estruturando as coisas na Comas. A marca ganhou logotipo, site e tudo o que tem direito. A estilista criou um time pequeno, mas completamente engajado, com profissionais para cuidar da produção, do comercial, da comunicação e da estratégia. Desenvolveu vendas on-line pelo WhatsApp e a Maleta Comas, um conjunto de roupas da marca que é enviado para a casa da cliente para que ela experimente com calma e escolha, eventualmente, qual peça quer comprar – um jeito mais slow que faz todo o sentido com a proposta da marca. Há poucos meses a Comas deu mais um grande passo e saiu da casa de Agustina para ganhar o próprio espaço, um galpão em São Paulo.

Enumerando assim parece que a jornada da marca é feita só de acertos, mas Agustina admite que criar o próprio negócio é ter muitas dúvidas e, claro, levar alguns tombos. “Fico sempre construindo, quebrando a cara e pedindo ajuda para tudo, mas tem horas em que bate uma crise e não sabemos se estamos no caminho certo”, confessa. Ela diz que o conceito upcycling da marca torna a produção muito mais complicada – e cara. “Preciso ir nas fábricas de camisa, garimpar as peças boas, compra-las por um preço que sempre é elevado, bem mais caro que o de um tecido novo. Depois desmonto cada uma das peças para, enfim, fazer refazê-las com o nosso design”, conta.

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Com um processo tão complexo, o preço das roupas acaba ficando mais alto do que ela gostaria. “As peças são, em geral, básicas e poderiam alcançar um público muito maior, mas preciso escalar para reduzir custos e, de fato, gerar o efeito benéfico que o upcycling pode trazer para a indústria da moda”, diz. A equação de aumentar o volume de um produto tão artesanal é algo que Agustina está tentando resolver. Uma das opções, conta, é oferecer uma linha simplificada, mais acessível. “Mas este é um caminho longo, preciso criar uma cadeia de fornecimento muito especial porque hoje faço meu produto a partir de algo que tem oferta limitada e sem padrão”, fala, citando o desafio que tem de encontrar matéria-prima em boas condições para a marca.

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A estilista também quer espalhar o conceito do upcycling de outra forma, em palestras e workshops para empresas – algo que também representaria outra fonte de receitas para a Comas. “Adoro ensinar e as corporações precisam cada vez mais encontrar novos caminhos. Poderia levar ideias para os departamentos de estilo, mostrar técnicas, ou até chegar a indústrias de outros segmentos”, conta, cheia de planos e ideias.

Mesmo entre incertezas, nos poucos anos de vida que tem a Comas já rendeu frutos. Ao lidar diariamente com tecidos descartados, Agustina conseguiu desenvolver um tecido ecológico feito a partir de sobras das fábricas. “Quando o rolo de tecido é cortado, as bordas vão para o lixo. Desenvolvemos um jeito de reaproveitar isso.” A solução virou um negócio paralelo e já é usada por marcas como Fernanda Yamamoto.

Mesmo com resultados importantes, Agustina diz que em alguns momentos tem dificuldade para olhar o todo e fica perdida entre tantas responsabilidades. “Você trabalha por algo que é o seu sonho, mas acaba sobrecarregada com as obrigações do negócio”, desabafa, citando um problemas que tantos empreendedores tem.

Por outro lado, já volta a sorrir quando lembra da alegria de ver a sua equipe dedicada e acompanhar o movimento lindo que é o de um projeto ganhar forma, encontrar caminhos e clientes. “Fico muito feliz quando chego no galpão da Comas e vejo as pessoas trabalhando com um monte de alegria e as coisas acontecendo. Não é mais um sonho só meu”, diz, mostrando que o caminho pode ser desafiador, mas que existe sim combustível para continuar.

COMAS NO #MANUALNOMCB
Quer conhecer a Agustina e as peças incríveis que ela faz na Comas? A marca está entre as expositoras do #MANUALnoMCB, que acontece nos dias 2 e 3 de dezembro no Museu da Casa Brasileira. Confira aqui a programação completa e programe-se.

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Texto: Giovanna Riato | Fotos: Gleice Bueno

As dicas de Nicole Tomazi no #MANUALnaPinacoteca

"Não posso me desconectar do meu meio para criar produtos bonitos. Este não é o caminho.” Esta foi uma das grandes mensagens que a designer e artífice Nicole Tomazi deixou em sua palestra no #MANUALnaPinacoteca, no dia 5 de agosto. A conversa foi super especial: marcou a estreia do talk realizado pela Rede Manual e trouxe uma série de ensinamentos para artesãos que buscam consolidar uma carreira com o fazer manual.

Para quem não conseguiu acompanhar o papo ao vivo durante o festival, separamos alguns destaques do que rolou por lá e ainda o vídeo completo da apresentação de Nicole. Você confere tudo a seguir.


- PARA COMEÇAR, É PRECISO ENCONTRAR A IDENTIDADE

Nicole tem história comum a muitos artesãos que precisaram se perder antes de se encontrar. Os primeiros passos da carreira dela foram na arquitetura. Só depois ela começou a olhar para o feito à mão como possibilidade profissional e, enfim, vislumbrou a chance de unir a tradição com o design. O caminho, contou ela, foi difícil. Quando mudou de profissão, apesar de fazer o que gostava, não conseguia rentabilizar a ideia. “É um sofrimento muito grande realizar um sonho e ainda assim sentir que algumas coisas estão em desacordo.”

Ela só encontrou um caminho mais pleno quando conseguiu se desprender das técnicas e do compromisso de fazer produtos comerciais para criar com mais liberdade, em outro ritmo e escala. Segundo Nicole, foi assim que ela resgatou as referências da própria história e foi capaz de desenvolver um trabalho único. “Onde não há comparação, há liberdade”, lembra. “Minha avó é polonesa e sempre me acolheu com o feito à mão, com linhas e tecidos. Foi com ela que entendi essa ligação”, contou, apontando que parte de sua inspiração vem das próprias raízes. “Preciso contar uma história por meio de um produto. Buscar a essência”


- O CAMINHO EXIGE OBSERVAÇÃO DO MEIO E ESTUDO DA TEORIA

A rica bagagem familiar não é o único componente do trabalho de Nicole. Quando entendeu o caminho que queria seguir, ela foi estudar e passou a olhar melhor o entorno. “Precisamos observar o meio, saber o que outros profissionais estão fazendo. Só assim somos capazes de entender onde estamos e para onde devemos ir. O aprofundamento teórico também é essencial: é importante entender o que a ciência diz”, defende. Ela fala que encontrou nesta trajetória referências capazes de abrilhantar o pensamento e enriquecer seu fazer. “Construir um produto que se destaque entre os outros leva tempo. É um diálogo com a matéria-prima”, aconselha.


- DEIXE O COMPLEXO DE VIRA-LATA PARA TRÁS

Nicole diz que, antes de ser aceita no Brasil, seu trabalho precisou ser validado internacionalmente, com reconhecimento no Salão do Móvel de Milão. Esta lógica deixa claro que os olhares brasileiros sempre estão voltados para fora, inclusive no caso dos artesãos. “Aqui todo o ensino do design é alicerçado nas referências de fora. Viramos as costas para a riqueza manual do Brasil.” E lembra, ainda, que o design nacional não tem apenas uma identidade, o que permite diversificar as referências para criar algo realmente único. “O desafio do design baseado na cultura está em sair do óbvio", provoca.


- A CHAVE PARA O TRABALHO AUTORAL

Nicole entende que amadurecer um trabalho autoral envolve buscar a essência e evitar a repetição do que já está disponível. Além disso, ela reforça que o artesão não deve servir ao meio, atender ao estímulo à concorrência. “Não podemos competir. Não podemos nos odiar. Precisamos valorizar todo mundo”, resume. Assim, ela assegura que a colaboração rende muito mais frutos do que a disputa por um só espaço.

Texto: Giovanna Riato | Fotos: Leonardo Sang - Casa Dobra | Vídeo: Casa Dobra

#MANUALnoMCB comemora 2 anos de história

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Nos dias 2 e 3 de dezembro acontece a sétima edição do #MANUALnoMCB, nosso festival realizado em parceria com o Museu da Casa Brasileira. O evento é também o encontro de fim de ano e ainda o aniversário de dois anos do Mercado Manual, que começou em dezembro de 2015 ali no MCB, com 50 expositores e três mil visitantes. A sensação é de que, quando fazem sentido, as coisas tomam forma rápido: nas edições seguintes o #MANUALnoMCB chegou a atrair 8 mil pessoas no fim de semana e o número de expositores mais do que dobrou, passando de 100.

O projeto de fazer um evento para celebrar a cultura feita à mão e a poiar o empreendedorismo criativo era um sonho – e como é bom ver ele se realizar a cada dia, a cada pequena conquista da Rede Manual. Desde o primeiro evento já foram 12 edições – além das realizadas no MCB, levamos o festival para o MECA Inhotim, para a Casa TPM, ao Shopping Morumbi e, mais recentemente, para a Pinacoteca do Estado. Nem sempre foi simples, mas é invariavelmente recompensador a cada edição, a cada encontro, a cada vez que vemos o nosso público aproveitar a estrutura que preparamos.

Assim, para celebrar o nosso segundo aniversário, nada mais adequado do que oferecer o que temos de melhor ao realizar um festival completo, com um monte de atrações gratuitas e com o clima leve e feliz do #MANUALnoMCB. Este é o nosso jeito de agradecer aos visitantes e aos artesãos incríveis que estão com a gente. Sem vocês, certamente, não chegaríamos até aqui.  

Dá uma olhada na programação completa:
 

SÁBADO | 2 de dezembro

10h - Abertura do Mercado
12h – Oficina de Incensos Naturais com Primeira Folha
13h – Show Guegué Medeiros
15h30 – Show infantil New Orleans Jass
16h30 – Oficina de café filtrado com OCabral
18h – Show Diego Moraes
20h - Encerramento
 

DOMINGO | 3 de dezembro

10h – Abertura do Mercado
11h – Oficina de Cosméticos Naturais com Sal do Beija-Flor
13h – Show Ideograma
14h30 – Oficina de Pintura em Banquinhos com Ju Amora
15h30 – Show Infantil Trupe Pé de Histórias
16h30 – Oficina de Crochê com Coletivo Nalã
18h – Show Acatum
20h – Encerramento

Esta edição do festival contará ainda com mais de 100 expositores de roupas, acessórios, joias, brinquedos, itens de decoração e muito mais. Tudo artesanal e feito de forma ética, cheia de carinho. O evento traz também praça gastronômica com comidinhas deliciosas para agradar aos mais exigentes paladares e com vinhos super especiais no Bar Manual. Para as crianças, ao evento oferece durante todo o tempo o parquinho Erê Lab com brinquedos lúdicos e cheios de estímulo à imaginação.


VEM TAMBÉM
O #MANUALnoMCB é um evento para todos: famílias, amigos, casais ou até para um passeio desacompanhado. Com entrada franca, o festival acontece na varanda e no jardim do Museu da Casa Brasileira, que fica na avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705. O estacionamento ali é pequeno e geralmente lota rápido, então a nossa dica é ir de bike, de metrô, ônibus ou usar aplicativos de transporte, como 99 e Uber. O evento acontece nos dias 2 e 3 de dezembro das 10h às 20h

Texto: Giovanna Riato | Foto: Leonardo Sang - Casa Dobra

Quem passou pela 2ª edição do #ManualnoMorumbi

Enquanto esperamos pela próxima edição do #ManualnoMCB, que acontece nos dias 2 e 3 de dezembro, resolvemos matar a saudade do festival com as fotos de quem passou pelo #ManualnoMorumbi, que aconteceu entre 20 e 22 de outubro.

O evento foi uma das tantas e incríveis experiências que a Rede Manual experimentou em 2017. No começo o medo era de a convivência do pequeno empreendedor criativo com um grande centro de compras, como o MorumbiShopping, não dar certo. Mas, como acontece tantas vezes na vida, a apreensão era infundada. Fizemos a primeira edição em abril e foi lindo levar a cultura feita à mão a um ambiente pouco acostumado com essa abordagem.

As coisas fluíram tão bem que em outubro já realizamos a segunda edição do #ManualnoMorumbi. Que delícia ver famílias, casais e amigos experimentarem, em pleno shopping, a proximidade de comprar de quem faz.

Abaixo você confere com os próprio olhos algumas das 30 mil pessoas incríveis que recebemos por lá no fim de semana:

 

 

Teve a família maravilhosa da Roberta Monteiro, que levou a tia, Karina Olaia e as fofuras Helena e Olívia Monteiro para curtir o fim de semana no festival. Sobrinha e tia amaram as peças da Eulíricas, já as pequenas se jogaram foi no parquinho Erê Lab.

Teve a família maravilhosa da Roberta Monteiro, que levou a tia, Karina Olaia e as fofuras Helena e Olívia Monteiro para curtir o fim de semana no festival. Sobrinha e tia amaram as peças da Eulíricas, já as pequenas se jogaram foi no parquinho Erê Lab.

João Saraiva, Ester Quereta e Felipe Neumann são fãs das oficinas do Mercado Manual: já tinham participado das que acontecem nas edições do MCB e foram se aventurar na aula de tricô de braço no #ManualnoMorumbi. Pegaram o jeito rapidinho e já saíram da oficina da Cris Bertoluci desfilando as peças que fizeram por lá. Isso é que é time unido!

João Saraiva, Ester Quereta e Felipe Neumann são fãs das oficinas do Mercado Manual: já tinham participado das que acontecem nas edições do MCB e foram se aventurar na aula de tricô de braço no #ManualnoMorumbi. Pegaram o jeito rapidinho e já saíram da oficina da Cris Bertoluci desfilando as peças que fizeram por lá. Isso é que é time unido!

A jornalista Paula Nadal e o administrador Francisco Ottavio foram ao MorumbiShopping naquele fim de semana só para aproveitar o evento. Eles já conheciam a festa que acontece no MCB e decidiram conferir como era a edição ali, mais pertinho da casa deles.

A jornalista Paula Nadal e o administrador Francisco Ottavio foram ao MorumbiShopping naquele fim de semana só para aproveitar o evento. Eles já conheciam a festa que acontece no MCB e decidiram conferir como era a edição ali, mais pertinho da casa deles.

Cheia de elegância, Nivea Marques foi passear no shopping a convite da filha e levou o marido, Pedro Marcino Neto. Ficou feliz de encontrar por lá o nosso festival do feito à mão cheio de  peças exclusivas.

Cheia de elegância, Nivea Marques foi passear no shopping a convite da filha e levou o marido, Pedro Marcino Neto. Ficou feliz de encontrar por lá o nosso festival do feito à mão cheio de  peças exclusivas.

Kyoko Hirano trocou a vida em Tóquio pela experiência de viver em São Paulo. Com português perfeito, ela serviu de guia na cidade a Takumi Iwamoto, designer de quimonos que veio da capital japonesa para participar de um evento e se reunir com a estilista Fernando Yamamoto de quem é amigo. E não voltaram para casa de mãos vazias: adoraram e apoiaram o artesanato contemporâneo brasileiro que encontraram no evento e, principalmente, as peças únicas da Tucum.

Kyoko Hirano trocou a vida em Tóquio pela experiência de viver em São Paulo. Com português perfeito, ela serviu de guia na cidade a Takumi Iwamoto, designer de quimonos que veio da capital japonesa para participar de um evento e se reunir com a estilista Fernando Yamamoto de quem é amigo. E não voltaram para casa de mãos vazias: adoraram e apoiaram o artesanato contemporâneo brasileiro que encontraram no evento e, principalmente, as peças únicas da Tucum.

O casal formado pelo educador Pedro Ribeiro e a arquiteta Stephania Mendes já acompanha a Rede Manual e contaram que são fãs do conceito do evento. Eles buscavam um presente para uma amiga. Rodaram o shopping todo, mas só encontraram no nosso festival. <3

O casal formado pelo educador Pedro Ribeiro e a arquiteta Stephania Mendes já acompanha a Rede Manual e contaram que são fãs do conceito do evento. Eles buscavam um presente para uma amiga. Rodaram o shopping todo, mas só encontraram no nosso festival. <3

Texto: Giovanna Riato | Fotos Leonardo Sang - Casa Dobra

Veja como foi a 1ª edição do #MANUALnaPinacoteca

Pela primeira vez a Rede Manual tomou conta do centro de São Paulo: nos dias 4 e 5 de novembro aconteceu a primeira edição do #MANUALnaPinacoteca. Levamos artesanato e design contemporâneo para o prédio lindo do museu, que fica na região da Luz. Mais de 13 mil pessoas foram ao evento durante todo o fim de semana. Alguns para conferir o trabalho autoral dos 60 artesãos que levamos para lá, outros para participar de uma das quatro oficinas que rolaram no evento e uns ainda para aproveitar os shows e a palestra incrível da Nicole Tomazi.

Foi muito especial receber tanta gente em um fim de semana de frio e calor em São Paulo, com sol e céu azul no sábado e a garoa típica paulistana no domingo. Prova de que o nosso festival é bom em qualquer condição ou temperatura. ;)

Para recordar e guardar no coração, separamos algumas fotos do público lindo que foi prestigiar e aproveitar o evento:

Jo Machado e Renato Salles (à esquerda) integram o time do SP 24hrs, site que traz ótimas dicas para aproveitar a cidade. Os dois são frequentadores do #MercadoManual e arrastaram os amigos Déia Giusti e Felipe Gombossy para conferir a primeira edição do evento na Pinacoteca (e fazer umas comprinhas).

Jo Machado e Renato Salles (à esquerda) integram o time do SP 24hrs, site que traz ótimas dicas para aproveitar a cidade. Os dois são frequentadores do #MercadoManual e arrastaram os amigos Déia Giusti e Felipe Gombossy para conferir a primeira edição do evento na Pinacoteca (e fazer umas comprinhas).

A Jojo Guimarães acompanha de pertinho a rede manual: ela é artesã e foi no #MANUALnaPinacoteca conferir a palestra da Nicole Tomazi. Saiu cheia de inspiração para ir em frente e investir no tom autoral de seu projeto, o Ateliê Catorze, que está tomando forma aos pouquinhos. “É muito estar em um ambiente de pessoas que enfrentam desafios parecidos com os meus. Todos aqui têm histórias semelhantes em alguns aspectos. Dá uma sensação de pertencimento”, disse.

A Jojo Guimarães acompanha de pertinho a rede manual: ela é artesã e foi no #MANUALnaPinacoteca conferir a palestra da Nicole Tomazi. Saiu cheia de inspiração para ir em frente e investir no tom autoral de seu projeto, o Ateliê Catorze, que está tomando forma aos pouquinhos. “É muito estar em um ambiente de pessoas que enfrentam desafios parecidos com os meus. Todos aqui têm histórias semelhantes em alguns aspectos. Dá uma sensação de pertencimento”, disse.

A coaching e jornalista Bruna Fioreti e o designer William Júnior encontraram no festival peças para deixar a casa deles mais cheia de alma e identidade. Fãs de decoração, souberam do evento por um post Instagram do Maurício Arruda, arquiteto e apresentador do Decora. É o #MANUALnaPinacoteca na boca do povo. Obrigada pela força, Maurício =)

A coaching e jornalista Bruna Fioreti e o designer William Júnior encontraram no festival peças para deixar a casa deles mais cheia de alma e identidade. Fãs de decoração, souberam do evento por um post Instagram do Maurício Arruda, arquiteto e apresentador do Decora. É o #MANUALnaPinacoteca na boca do povo. Obrigada pela força, Maurício =)

Igor Sabá expôs seu trabalho pela primeira vez no nosso festival. Cheio de talento, ele faz peças de decoração inspiradas em suas raízes. Nascido em Cariri, no Ceará, o designer enaltece um símbolo regional em seu trabalho, a folha da carnaúba, e ainda fortalece os artesãos da sua terra. “É muito bom participar de um evento com público tão consciente, que valoriza a história por trás do produto.” Seja sempre bem-vindo, Igor. <3

Igor Sabá expôs seu trabalho pela primeira vez no nosso festival. Cheio de talento, ele faz peças de decoração inspiradas em suas raízes. Nascido em Cariri, no Ceará, o designer enaltece um símbolo regional em seu trabalho, a folha da carnaúba, e ainda fortalece os artesãos da sua terra. “É muito bom participar de um evento com público tão consciente, que valoriza a história por trás do produto.” Seja sempre bem-vindo, Igor. <3

Vanessa Moreira é fã de longa data nosso festival. Que delícia! Desta vez, levou junto a amiga Jaqueline Takai para ver as novidades dos artesãos e acompanhar os shows do evento.

Vanessa Moreira é fã de longa data nosso festival. Que delícia! Desta vez, levou junto a amiga Jaqueline Takai para ver as novidades dos artesãos e acompanhar os shows do evento.

Nem a garoa impediu a massoterapeuta Cida Ramos e o designer César Bomfim de sair de casa para curtir o domingo no #MANUALnaPinacoteca. Aproveitaram o clima para degustar o cafezinho caprichado do OCabral.

Nem a garoa impediu a massoterapeuta Cida Ramos e o designer César Bomfim de sair de casa para curtir o domingo no #MANUALnaPinacoteca. Aproveitaram o clima para degustar o cafezinho caprichado do OCabral.

Texto: Giovanna Riato | Fotos: Leonardo Sang - Casa Dobra

Confira as músicas do #MANUALnaPinacoteca

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O #MANUALnaPinacoteca já acontece neste fim de semana, nos dias 4 e 5 de novembro. \o/
Vamos ocupar um dos museus mais incríveis da cidade com muito design, moda, produtos infantis, de bem-estar e decoração. Tudo feito à mão e selecionado com carinho. A programação também está imperdível e, como sempre, aberta e gratuita. Serão quatro shows e cinco oficinas para alegrar São Paulo no pós-feriado.

Teremos ainda um talk super especial com Nicole Tomazi, que vai compartilhar o conhecimento que adquiriu em anos de estudos sobre Design e Manualidade. É muito amor e muita generosidade. Uma troca rica e imperdível. Para aproveitar tudo o que preparamos, basta estar lá, mas venha cedo porque as oficinas e o talk têm vagas limitadas que serão preenchidas por ordem de chegada.

E, claro, como cenário para tudo isso teremos a Pinacoteca de São Paulo, linda do jeito que é e com entrada franca para a exposição que celebra os 120 de Di Cavalcanti. Que presente a Rede Manual ganhou!

Para já entrar no clima da festa, preparamos uma playlist caprichada. É só colocar para tocar e sair dançando ;)




VEM TAMBÉM
O #MANUALnaPinacoteca acontece entre 4 e 5 de novembro, na Pinacoteca de São Paulo, bem no coração da cidade. No sábado o festival vai das 10h às 20h e no domingo, das 10H às 18h. A festa é para todos, crianças e adultos: venha e aproveite muito porque foi tudo pensado com todo o carinho. O estacionamento do museu estará fechado justamente para abrigar o nosso evento, por isso a sugestão é ir de trem ou metrô e descer na estação da Luz, que é linda e um complemento incrível ao passeio no nosso festival.

 

Cris Bertoluci: “Sou defensora do valor da criação. Não precisamos copiar de fora”

Cris tricotando: jeitão de modelo e alma de artesã

Cris tricotando: jeitão de modelo e alma de artesã

Cris Bertoluci é uma gaúcha com jeitão de modelo: esguia, com um par de olhos verdes que parecem falar em voz alta e estilo fashionista. Tinha tudo para estar na passarela, mas nunca pisou em uma. Natural de Caxias do Sul, ela não pensou em buscar da carreira de modelo que tantas meninas da região perseguem. O negócio dela sempre foi atrás dos holofotes: decidiu se tornar estilista. Estudou e, ao chegar na indústria da moda com a bagagem cheia de memórias e inspiração do feito à mão, percebeu rápido que seu lugar não era ali, mas na produção artesanal.

“Passei por algumas empresas. Nós temos um certo distanciamento dessa questão ética, do trabalho escravo, mas uma vez eu precisei encarar de frente esse assunto e não consegui mais fugir”, conta. Cris trabalhava em uma marca de mochilas que eram desenhadas no Brasil, mas feitas na China. Um dia ela recebeu um vídeo da produção em que ela podia ver uma das costureiras dormindo no meio da fábrica. Foi a gota d‘água. O susto deu a força que ela precisava para se reconectar, entrar em contato com a sua própria história.  

“Minha mãe sempre tricotou e a minha avó me ensinou crochê. Fazia isso desde cedo e tenho essa lembrança das mulheres juntas na sala trabalhando com as mãos. Esse momento de união e troca”, diz. Decidiu resgatar a força do ofício artesanal: juntou a memória afetiva com novas referências em um curso em Brighton, na Inglaterra, focado no fazer manual. “Foi um despertar para mim. Lá aprendi que a criação é cabeça, mão e coração. A Europa valoriza muito o artesanal. Aqui temos uma herança cultural muito linda ligada a isso, mas não damos atenção, não oferecemos cursos, não enxergamos como uma opção profissional”, diz.

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RESGATE DAS TRADIÇÕES

Cris escolheu então voltar ao Brasil e colocar em prática o que achava que precisava ser feito, o que acreditava, que é trabalhar com o feito à mão. Encarou a ironia de enfrentar resistência dentro de casa. A própria mãe, que tanto inspirou a decisão, achou que ali não tinha futuro para Cris. “A nossa geração tem essa questão. Nossas mães desejaram uma carreira e, por isso, não se preocuparam em nos ensinar fazeres tradicionais. Não aprendemos a cozinhar, crochetar ou cuidar das plantas.”

Para provar seu ponto, o jeito foi ir em frente. Com o tempo, ficou claro para a família de Cris que existia sim um caminho ali. Ela começou a difundir este conhecimento hoje tão deficitário, a mostrar a força do processo artesanal ao dar aulas, resgatando fazeres tradicionais. “Sou uma defensora do valor da criação. Temos muita coisa no Brasil, não precisamos copiar tudo de fora.”

Passo a passo, a voz de Cris ganhou força. Como professora, hoje ela dá cursos no Sesc, na Novelaria e na Faap. “Muita gente me pede para começar a ensinar no YouTube, a trabalhar mais na internet, mas sou resistente. Meu rolê é um para um: gosto desse esforço de formiguinha. Prefiro transformar uma pessoa do que fazer um discurso bonito que não tem adesão. É muito mais poderoso.” Além das aulas, ela desenvolve outros projetos, como o retiros, viagens para desconectar e fazer à mão - a próxima acontece em maio do ano que vem, em um barco na Amazônia, pela Novelaria.

Criou ainda o tricoaching, uma parceria que propõe aproveitar a vocação contemplativa do trabalho artesanal, fazer dele uma meditação. “A ideia é colocar uma intenção no seu tricô, prestar atenção nos sentimentos enquanto trabalha com as mãos”, conta. Para ela, a motivação está em pensar que as pessoas podem se encontrar no fazer manual, desenvolver voz própria, linguagem, algo autoral. Com o mesmo apetite que tem para ensinar, Cris continua aprendendo. “A minha busca é por conhecer cada vez mais, valorizar as técnicas, entender o que é realmente brasileiro.” Parte deste processo foi o mestrado que fez na USP, sobre moda voltada para o manual.

Para ela, resgatar o fazer manual talvez nunca tenha sido tão necessário quanto agora. “A indústria da moda sempre foi ruim, vemos isso há mais de 300 anos. Mas estamos no pico do exagero. As pessoas estão cansadas e encontramos muitas marcas querendo fazer green washing, tentando contar uma história bonita que, na verdade, é do artesão.” Por isso ela entende que informar é essencial para que os consumidores tomem responsabilidade pelas marcas que apoiam.

“Fazer é uma libertação”, defende. Firme feito as raízes mais robustas, ela segue na missão de espalhar essa liberdade. Nos 10 anos em que trabalha com tricô, Cris calcula já ter ensinado cerca 900 pessoa, mas sempre do jeitinho que ela gosta, uma a uma - com alma, mãos e coração.

CRIS BERTOLUCI NO #MANUALNAPINACOTECA

A Cris Bertoluci vai levar esse monte de conhecimento e inspiração para o #MANUALnaPinacoteca, que acontece neste fim de semana. No domingo, às 14h, tem oficina gratuita de tricô de braço com ela. Uma chance linda de trocar referências e inspiração. O festival traz mais um monte de oportunidades imperdíveis na programação, incluindo o talk com Nicole Tomazi sobre Design e Manualidade, essencial para quem quer construir uma carreira no fazer artesanal. Para ver a agenda completa é só clicar aqui.

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Texto: Giovanna Riato | Fotos: Juliana Souza

Coleção Poesia Concreta estreia no #MANUALnaPinacoteca

A brutalidade do cimento, a beleza do couro e a leveza da poesia estão nas peças da coleção

A brutalidade do cimento, a beleza do couro e a leveza da poesia estão nas peças da coleção

Quando pensamos em realizar um festival da cultura feita à mão, a ideia era apenas construir um palco para que os incríveis empreendedores criativos apresentassem seus trabalhos. Mas, convenhamos, foi muita inocência achar que juntaríamos tantas mentes e mãos inquietas em um mesmo ambiente sem que isso rendesse novos frutos. E como é bom ver a Rede Manual se integrar, abrir caminhos e parcerias. Uma delas é a inédita coleção Poesia Concreta, que será apresentada pela primeira vez neste fim de semana no #MANUALnaPinacoteca, nos dias 4 e 5 de novembro. Quanta honra!

O projeto nasceu de tríade formada entre Duo Solo, que produz vasos incríveis de concreto, Flats Exclusivas, marca de calçados artesanais, e Karine Rossi, jornalista e uma das sócias aqui da Floristas, a produtora que realiza o Mercado Manual. Parece uma mistura meio maluca a de três iniciativas tão distintas, mas elas conseguiram encontrar um tom em comum. E que tom lindo! As empreendedoras vão apresentar vasos de concreto ornamentados com tiras de couro que carregam a poesia das palavras desconstruídas, que mostram outros significados. De quebra os conjuntos vão receber ainda arranjos cheios de vida.
 

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“Sempre fui apaixonada por poesia concreta e estudei muito o assunto. Há algum tempo, de forma completamente intuitiva, comecei a desmontar as palavras na minha cabeça e me encantar com os muitos sentidos que encontrava ali”, conta Karine. Ela passou a publicar estas poesias nas redes sociais e, como acontece com muitas boas ideias, as coisas tomaram forma quando foram compartilhadas. Com o olhar das artesãs surgiram novas interpretações e um suporte ainda melhor que o digital: os vasos, tiras e plantas que formam agora a coleção - resultado que mostra toda a riqueza da construção coletiva.

“É um projeto que surgiu da parceria entre amigas apaixonadas por ressignificar uma mensagem. Misturamos a brutalidade do concreto das peças da Duo Solo com a poesia de Karine Rossi impressa na beleza do couro das Flats. O resultado é um trabalho forte que desconstrói as formas e as palavras de maneira inédita e encantadora.”, dizem Priscilla Grabert e Diana Kurpjuweit, as makers por trás da Duo Solo.
 

Até por usar concreto e plantas como principais materiais, a marca sempre teve a ressignificação como um de seus princípios. “Percebemos que as pessoas buscam cada vez mais uma relação mais profunda, única e slow com o que consomem. Querem peças que têm significado; não um objeto pura e simplesmente, mas sim toda a história da manufatura que carregam.”, dizem.

Segundo elas, a coleção Poesia Concreta segue justamente este conceito. Cada peça tem trajetória cheia de significado e processo cuidadoso e extremamente artesanal. Pela complexidade e carinho que demanda, a série é super limitada e exclusiva, são apenas 10 unidades. A coleção é tão especial quanto esta edição do nosso festival, que acontece pela primeira vez na Pinacoteca de São Paulo. Tudo em sintonia, assim como o trabalho das três empreendedoras.


VEM TAMBÉM

O #MANUALnaPinacoteca acontece neste fim de semana, das 10h às 20h no sábado e das 10h às 18h no domingo. Muito design feito à mão, shows e oficinas gratuitas. Um evento para entreter, fazer trocas verdadeiras e conhecer quem faz. A programação está imperdível, dá uma olhada aqui.

O estacionamento da Pinacoteca estará fechado justamente para sediar o nosso festival. Vá de trem ou metrô e desça na belíssima estação da Luz, que fica a poucos metros. É só atravessar a rua. No feriado, entre 2 e 5 de novembro, o museu terá entrada franca para a exposição que celebra os 120 anos de Di Cavalcanti.

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As peças da coleção são feitas de forma completamente artesanal, em várias etapas

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Texto: Giovanna Riato | Fotos: divulgação / Poesia Concreta