Mag Magrela leva o feminino para os muros da cidade

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Os muros da cidade são território disputado, em constante queda de braço entre a força das autoridades e a liberdade dos artistas. É território majoritariamente masculino. A Mag Magrela desafia estes consensos como artista plástica e grafiteira ao espalhar autorretrados por São Paulo, as vezes representada como mulher e, em outras, como homem. “O fundamento do meu trabalho é a expressão livre e o questionamento.”

Com estilo visceral, a artistas conta que seu maior desafio como artista foi se descobrir e entender como indivíduo, encontrar o próprio caminho. Se percebe como um filtro de sentimentos e sensações da cidade, que ela transcreve em palavras que depois viram os desenhos. Inconformada, faz questão de ir onde a dificuldade está: de pintar na periferia, onde o machismo é mais presente, para mostrar para as meninas que a arte na rua é sim um espaço que pode ser ocupado pelas mulheres.

Para Mag, a arte é tão desafiadora quanto necessária para a cidade, um alívio na selva de pedra.

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“Principalmente em São Paulo, as artes são uma válvula de escape. Um respiro. Um pensamento diferente. Não-manipulado. Tem uma importância fundamental aqui. É o nosso horizonte”, diz.

Na entrevista a seguir, ela fala de suas inspirações, das barreiras que enfrenta como artista e das recompensas que descobriu com o fazer manual e criativo.

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Mag, conte-nos como foi o seu processo até se tornar uma artista de street art. 
Acredito que todos nós nascemos artistas. Temos a espontaneidade da expressão, seja na dança, canto, desenho. Arte é expressão, comunicação. A diferença é que eu continuei a desenhar. Tentei ser “normal”, mas minha alma sempre me levou ao desenho. Até que, em momento de crise interna, comecei a procurar cursos de coisas que eu gostava de fazer, fiz a oficina do Senac com o Rui Amaral, lá conheci amigos queridos e, com a companhia deles, comecei a pintar na rua no final de 2007.


Quais foram as maiores dificuldades?
Minha maior dificuldade no mundo da arte foi me ver como um só indivíduo. Me desapegar de todos para poder entender melhor o meu trabalho. Principalmente em São Paulo, as artes são uma válvula de escape. Um respiro. Um pensamento diferente. Não manipulado. Tem uma importância fundamental aqui. É o nosso horizonte.

Quais são as maiores influências e por quê? 
Como não segui o caminho acadêmico, minhas influências foram e são o dia a dia da minha vida. Uma mistura da educação dos meus pais através da música brasileira, com a palavra e com telas que meu próprio pai fazia. Ele pintava telas e aprendi muito com na base da observação. Os graffitis que vejo na cidade me inspiraram a colocar tudo que estava no papel em muros, nas ruas. 

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O que você pensa sobre esse momento que estamos vivendo em relação à arte no Brasil? O grafitti é uma arte urbana contemporânea que poderia entrar para o circuito de galerias? 
Acho ótimo. Não tanto pelo reconhecimento mas pela consciência da expressão, o respeito em tentar entender o outro e, claro, a identificação com a obra. O graffiti é na rua e ponto. É impossível ele estar na galeria. O que vai pra galeria é o artista de rua que utiliza as técnicas dos graffiti com outras técnicas e em outros tipos de suportes, como telas.

Como cria seus personagens? 
Elas são meu auto retrato. Minha parte mulher, minha parte homem. Uma extensão do que sinto ou do que o outro sente. Filtro histórias, vivências, sentimentos. As crio com palavra. Com coisas que leio, ouço e escrevo. Geralmente vem primeiro a expressão da palavra e depois do desenho. Elas nascem assim.

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E o valor de seu trabalho? Quem dá?
Eu dou o valor do meu trabalho. Estabeleci uma base mínima de valor, disso para cima. Me envolvo muito com as telas que faço, tem trabalhos que não têm valor de moeda. São especiais e contam uma parte de mim que não sou mais. 

Fale um pouco sobre a parte financeira. Você vive com seu trabalho? O retorno é justo? 
No começo não, foi um processo de transição. Um processo de acreditar em mim. Porque afinal, são poucos os que têm desde criança consciência da profissão artista. Tive que me fortalecer e entender esse caminho. Hoje consigo viver e investir no meu trabalho. Acho justo.

Como é ser uma mulher em ambiente principalmente masculino? As ruas de São Paulo recebem bem uma grafiteira?
Ser mulher nesse ambiente é fazer a diferença, porque somos poucas. A diferença no sentido de ampliar as possibilidades de ser. De pintar na periferia onde o machismo é mais forte e mostrar para as meninas de lá outro caminho que elas podem seguir também. O mundo não é feito para as mulheres. Por isso que faço questão de pintar. Onde se tem barreiras, é lá que precisamos ir. 

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Você também pinta telas. Como é transitar entre tantos suportes?
As telas são completamente outra energia. Acesso outros canais de expressão quando pinto no ateliê. É um lugar que eu posso me entregar por inteira e usar mais materiais, como aquarela, azulejos, tecido, bordado, para fazer telas, esculturas ou gravuras. Já na rua é imprevisível, mas maravilhoso por causa da comunicação direta e imediata com o público. O que é mais bacana é levar coisas que aprendo nas ruas para as telas e coisas que aprendo nas telas para as ruas. É uma troca.
 

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Como você definiria seu estilo artístico?
Como arte plásticas brasileira ou algo desse tipo. Meu estilo é espontâneo, viceral e sem regras. 

Qual legado você gostaria de deixar para o mundo?
A consciência do ser único e de que é necessário lutar pelo o que você realmente acredita e te faz feliz.

Já trabalhou com outra coisa? O quê?
Já trabalhei no comércio, mas parei quando comecei a vender meus trabalhos de arte. 

Como é ser uma artista brasileira?
Culturalmente é muito rico. Tenho referências incríveis por todos os lados: na família, na cultura indígena, negra, portuguesa e nordestina. Sou um pouco de cada um e faço questão de representa-los no meu trabalho.

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Por que arte de rua?
Porque me sinto útil. Porque consigo retorno imediato das pessoas. Porque me sinto livre pra pintar o que quiser onde quiser. Porque tem escalas grandes. Porque pinto com outras pessoas. 

De que forma você acredita que seu trabalho contribui para a arte cultura do Brasil?
Falo da minha cultura, de mim, da minha infância na Bahia, da minha mãe portuguesa. Falo de como é ser mulher em São Paulo. De como é viver na cidade. Contribuo no sentido da história. Conto contos em cada tela, em cada muro. Misturo a imagem com a palavra.

Qual é o maior fundamento de seu trabalho?
É a expressão livre e o questionamento.

O que te despertou, o que te motivou e o que a faz sentir que está no caminho certo?
A crise de existir me despertou, de fazer coisas que eu não acreditava, de estar infeliz. O que me motivou foi o autoconhecimento, cada dia me descobria mais e mais e estava feliz. Com uma intuição forte de que era esse o caminho. Até hoje me sinto assim. 

Qual o conselho que você daria para alguém que está em busca de um fazer que seja alinhado com sua essência?
Saber quem você é, acreditar em você mesmo e trabalhar muito. Porque quando você ama o você faz, você faz o tempo todo e com gosto. 

Você ama o que faz? Por quê?
Sou completamente apaixonada pelo que faço. Porque eu sou livre.

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A trajetória e as dicas da Sabon Sabon

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Quem pega nas mãos uma barrinha Sabon Sabon não imagina o tanto de história o produto carrega. São sabonetes, xampus e cosméticos completamente naturais, sem aditivos químicos, produzidos com o método cold process, em que os ingredientes não passam por altas temperaturas e, portanto, têm as propriedades conservadas. Cada um deles é feito com as mãos e o carinho de Anna Candelária com elementos brasileiros cuidadosamente escolhidos. “É como fazer comida. Se os ingredientes são ruins, não tem como a receita dar certo”, diz.

O projeto ganhou corpo em 2015. Anna, que trabalhou com música e em lojas de design nacional, estava na entressafra: tinha acabado de sair de um emprego e, sofrendo de forte alergia a produtos químicos, decidiu começar a fazer os próprios sabonetes sem qualquer aditivo artificial ou atalho no processo. Assim, o tempo que tinha livre acabou destinado ao processo da saboaria. Garimpava os melhores ingredientes, experimentava fórmulas e esperava, cheia de paciência, os 30 dias que cada barrinha leva para ficar pronta. Era tudo descoberta e aroma.

A sorte (dela e, principalmente, nossa) é que alguém encontrou o tesouro para os sentidos que Anna vinha cultivando. “A minha melhor amiga, a Paula Nobre Mendes, experimentou o sabonete e ficou encantada”, conta. Assim, o que era um projeto pessoal, se fortaleceu para se transformar no trabalho dela. “Eu não tinha dinheiro para levar a ideia adiante, mas Paula decidiu entrar como sócia e me ajudar a ir em frente”, diz. Mais do que a aprovação do produto e o suporte financeiro necessário para aquela fase, foi a nova sócia que desenvolveu a delicada identidade visual da marca. Nada como unir talentos.

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O PODER DO AUTOCUIDADO

Como uma marca artesanal, que vai contra a lógica dos processos massificados, a Sabon Sabon enfrenta diariamente os desafios impostos a pequenos empreendedores criativos, como encontrar fornecedores que topem vender pequenas quantidades e, claro, lutar para cobrir os altos custos de matérias-primas tão especiais. Anna diz que, mesmo com as dificuldades, a recompensa é diária: seja na paz que sente ao trabalhar com algo que ama ou na felicidade de ver clientes que, assim como ela, deixaram de sofrer com alergias após usarem os produtos da marca e sentiram a felicidade de experimentar um produto natural. 

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"O processo de fazer manual é muito delicioso e gratificante. Todos os dias eu vou pro ateliê e e faço sabonetes, xampus e cosméticos. Enquanto estou lá, não penso em mais nada! É a minha meditação", conta. E complementa: “O autocuidado não é algo supérfluo, mas sim a forma mais pura de se amar.” O plano, conta Anna, é ir em frente, fortalecendo a sua própria fórmula de sucesso. “Quero crescer, mas crescer no sentido de ajudar cada vez mais pessoas a se reconectarem com o seu corpo. Pretendo consolidar a marca e dar mais cursos pra ensinar muita gente a se cuidar, a ganhar autossuficiência.”

Assim, cheia de generosidade, ela deixa aqui no Blog Manual duas dicas preciosas. Indica os melhores ingredientes para renovar as energias neste fim de ano e detalha ainda a receita de um esfoliante corporal natural que pode ser usado ou virar um presente cheio de carinho neste fim de ano. Confira:

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INGREDIENTES PARA PURIFICAR

Sabão feito com carvão de bambu em pó é ótimo para promover limpeza profunda no corpo. Na crença japonesa, este ingrediente é usado para afastar o mal, assim como, para nós, funciona o sal grosso. Outra dica é tomar banho com sabonete que contenha em sua formulação cristal de quartzo em pó para fazer a limpeza do campo energético.


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ESFOLIANTE CORPORAL

Receita e passo a passo de 100 gramas de esfoliante coporal simples


Ingredientes

•Açúcar de coco, café em pó ou sal rosa em pó fino: basta misturar a quantidade que quiser de cada ingrediente até dar 67gramas.

•33 gramas de óleo vegetal prensado a frio: pode ser de coco, jojoba, abacate, maracujá, azeite, ou o que preferir.

•2 gramas de óleo essencial: para o Ano Novo, pode usar laranja doce, tomilho, alecrim, canela, lavanda, sálvia, olíbano, manjericão ou eucalipto. Ou o que tiver em casa e gostar do aroma.
 

Modo de fazer

Derreta o óleo vegetal caso ele fique sólido em temperatura ambiente. Misture bem o pó que escolheu (açúcar, café, sal, etc) com o óleo vegetal e acrescente o óleo essencial. Mexa bem até incorporar em todos grãos. Guarde em pote de vidro previamente esterilizado e deixe em local fresco e arejado. O esfoliante pode durar até mais de seis meses se armazenado corretamente.

Para usar o esfoliante no banho, vale colocar uma música relaxante e acender uma vela ou incenso bem cheiroso. Use com muito amor e mentalize coisas boas!

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Texto: Giovanna Riato | Fotos: Gleice Bueno

Como foi a 7ª edição do #MANUALnoMCB

Já pode anunciar que a 7ª edição do #MANUALnoMCB teve recorde de pessoas maravilhosas? Modéstia à parte, nosso festival ganharia fácil o prêmio de MELHORES VISITANTES <3 Nos dias 2 e 3 de dezembro fechamos o nosso calendário de 2017 com dois dias de muita música, marcas artesanais super especiais e, claro, um monte de cultura feita à mão. Tudo na varanda e no jardim incrível do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo.

Olha só quanta gente linda passou por lá:

O sensacional Diego Moraes levitou e levantou o público com a voz maravilhosa dele. Fez um show de esquentar corações e, de quebra, ainda cantou parabéns à Rede Manual pelo aniversário de dois anos do #MANUALnoMCB. Não teve quem não se derreteu.

O sensacional Diego Moraes levitou e levantou o público com a voz maravilhosa dele. Fez um show de esquentar corações e, de quebra, ainda cantou parabéns à Rede Manual pelo aniversário de dois anos do #MANUALnoMCB. Não teve quem não se derreteu.

Amanda Rigamonte puxou o estilo incrível da mãe, Beatriz Martin. Foi a primeira visita delas ao #MANUALnoMCB, mas as duas já ficaram animadas para voltar. Adoraram as peças da Leninha Lingerie e da Casa Dobra. Não é para menos ;)

Amanda Rigamonte puxou o estilo incrível da mãe, Beatriz Martin. Foi a primeira visita delas ao #MANUALnoMCB, mas as duas já ficaram animadas para voltar. Adoraram as peças da Leninha Lingerie e da Casa Dobra. Não é para menos ;)

A maravilhosa Julia Guedes, autora do blog Herbivoraz, se derreteu pelos produtos de beleza e bem-estar da Be.or.

A maravilhosa Julia Guedes, autora do blog Herbivoraz, se derreteu pelos produtos de beleza e bem-estar da Be.or.

O Isaque Athaydes e Kenji Yassuda: um dos casais lindos que passearam pela nossa festa.

O Isaque Athaydes e Kenji Yassuda: um dos casais lindos que passearam pela nossa festa.

Já era o fim do sábado quando a maravilhosa Thais Farage chegou ao #MANUALnoMCB. Consultora de estilo, ela foi conferir as novidades das marcas que participam do evento e prestigiar a amiga Rosana Florenço, uma das fundadoras da 3Jolie.

Já era o fim do sábado quando a maravilhosa Thais Farage chegou ao #MANUALnoMCB. Consultora de estilo, ela foi conferir as novidades das marcas que participam do evento e prestigiar a amiga Rosana Florenço, uma das fundadoras da 3Jolie.

Guilherme Jahara entrou no clima da bagunça com o filho, Pedro Jahara, que não queria de jeito nenhum parar de brincar no parquinho Erê Lab.

Guilherme Jahara entrou no clima da bagunça com o filho, Pedro Jahara, que não queria de jeito nenhum parar de brincar no parquinho Erê Lab.

Portuguesa, Filipa Damião mora em São Paulo há três anos. Sempre leva esse astral leve ao #MANUALnoMCB. Estava indo encontrar a amiga Juliana Vomero, que expôs sua arte no evento.

Portuguesa, Filipa Damião mora em São Paulo há três anos. Sempre leva esse astral leve ao #MANUALnoMCB. Estava indo encontrar a amiga Juliana Vomero, que expôs sua arte no evento.

Quer mais casal lindo? Então olha só a Lia Campos e o Maciel Santos <3 Eles adoram os eventos do Museu da Casa Brasileira. No #MANUALnoMCB  se apaixonaram por projetos como Popoke, Clube do Bordado e pelas delícias da Meraki Confeitaria.

Quer mais casal lindo? Então olha só a Lia Campos e o Maciel Santos <3 Eles adoram os eventos do Museu da Casa Brasileira. No #MANUALnoMCB  se apaixonaram por projetos como Popoke, Clube do Bordado e pelas delícias da Meraki Confeitaria.

Alerta de família cheia de amor no #MANUALnoMCB: o casal Kristiano e Renata Zolinger levaram o pequeno Kevin para conferir para assistir ao show da New Orleans Jazz Band.

Alerta de família cheia de amor no #MANUALnoMCB: o casal Kristiano e Renata Zolinger levaram o pequeno Kevin para conferir para assistir ao show da New Orleans Jazz Band.

Texto: Giovanna Riato | Fotos: Leonardo Sang - Casa Dobra

Para entrar no clima: playlist do #MANUALnoMCB

 
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Tem #MANUALnoMCB neste fim de semana. Nos dias 2 e 3 de dezembro o feito à mão vai ocupar o Museu da Casa Brasileira. São mais de 100 expositores de itens de moda, joias, decoração, design e infantil. Vai ser demais! <3

Como sempre, tudo será acompanhado de muita música com shows gratuitos ao vivo e a nossa já tradicional seleção caprichada que garante o som ambiente do festival. Para você já entrar no clima e ficar no astral da nossa festa, aqui vai um pouco das brazucas que vão rolar por lá.

É só sincronizar no Spotify e sair ouvindo para a vida ficar mais leve ;)

#MANUALnoMCB
A edição de Natal do festival acontece nos dias 2 e 3 de dezembro, das 10h às 20h no Museu da Casa Brasileira, que fica na avenida Faria Lima, 2705, em São Paulo. Como o estacionamento é pequeno e sujeito a lotação, o melhor é sempre ir sem carro: use táxi, Uber, ou o transporte público (o metrô Faria Lima fica a 15 minutos de caminhada). O evento tem uma programação rica de shows e oficinas - tudo gratuito. Para conferir é só clicar aqui.

 

Conheça Luiza Morandini, responsável pelos shows do Mercado Manual

Foto Leonardo Sang | Casa Dobra

Foto Leonardo Sang | Casa Dobra

Se você já foi a alguma edição do Mercado Manual, provavelmente viu uma moça alta, branquinha de cabelos escuros curtindo os shows gratuitos que sempre oferecemos no festival. Ela não é (só) uma apreciadora das apresentações do evento. Luiza Morandini é a curadora musical das nossas festas, uma das grandes responsáveis por encontrar e selecionar projetos musicais independentes e interessantes para o público de cada edição do festival.

Quando pequena ela adorava fuçar discos, livros e lojas de CDs. Devorava encartes para acompanhar as letras das músicas e identificar os músicos enquanto desbravava cada novo álbum. Na adolescência expressou a paixão pela música em aulas de canto, teve uma banda formada com amigos e, mais tarde, frequentou o Supremo, bar referência da música em São Paulo que funcionou dos anos 1980 até o começo de 2000. Ainda batia cartão nos shows do Sesc para conhecer novas bandas e artistas.

Formada em comunicação, enveredou para o caminho da produção cultural e, como se o fluxo natural a empurrasse, sua carreira desembocou na música: trabalhou com Jorge Mautner, com o pianista, produtor e curador, Benjamim Taubkin, coproduziu shows, festivais, séries musicais e mais uma pilha de projetos relacionados a encontrar e valorizar o fazer sonoro. Ainda que rejeite o rótulo, Luiza encontrou, enfim, um para chamar de seu: é curadora musical. “Ainda resisto a este nome porque acredito que é um longo aprendizado e ainda estou no caminho. Por outro lado, ‘produtora’ não é o suficiente. Estou em eterna construção”, conta.

Apresentação da Delleva na 5ª edição do #MANUALnoMCB | Foto Danilo Mantovani

Apresentação da Delleva na 5ª edição do #MANUALnoMCB | Foto Danilo Mantovani

Hoje, além de integrar o time do Mercado Manual e fazer, ao lado da Floristas, shows incríveis acontecerem, Luiza cuida da programação e curadoria das respeitadas JazzNosFundos e JazzB ao lado de Maximo Levy, o fundador das casas. “São cerca de 60 shows por mês, com foco principal no jazz e na música instrumental, mas com espaço para a canção, os cantautores, para a música do mundo, eletroacústica, etc.”, enumera. A dupla ainda faz a curadoria de projetos como o FAM Festival (Scheeeins!), o Pátio Jazz Sessions (Shopping Pátio Higienópolis), entre outros. “É um trabalho intenso e muito prazeroso”, resume.

Na entrevista a seguir, Luiza fala mais da sua carreira, da cena musical e dos pontos importantes para a curadoria musical do Mercado Manual. De quebra, ainda recomenda os discos e projetos pelos quais se apaixonou recentemente.

 

Quais são os desafios da curadoria musical?

Entendo a música como algo vital para nossa cultura e expressão artística. Nunca conheci alguém que não gostasse de música, seja qual for seu gosto musical. Estive em alguns festivais de música na Europa, e em alguns outros em lugares como Marrocos, Israel e Turquia. Conheci muitos artistas destes países e percebi que, quando a música começa, ela é ponte. Sempre penso nesse trabalho com muita seriedade, como algo que conecta pessoas e culturas, ainda que não seja possível agradar a todos ou integrar todos os artistas.

É algo que requer muita pesquisa, atenção a novos projetos e artistas, busca por recortes interessantes, escolhas. É preciso relacionar tudo isso de forma coesa, sem nunca deixar de pensar objetivamente no orçamento de cada evento, nas condições técnicas, no público que queremos atingir e, também, nas instituições ou patrocinadores envolvidos. Tudo tem que ser muito ponderado. A viabilidade financeira sempre é o grande desafio na área cultural.

 

Como você se mantém abastecida de inspiração e referências para desenvolver o seu trabalho?

Busco ler, pesquisar e, principalmente, escutar muita música o dia todo. Ir a shows e festivais e ficar atenta a programações que são referência para mim dentro e fora do Brasil em programas de rádio, podcasts e publicações. Alguns festivais ou curadores são inspiradores e fontes importantes para meu trabalho.

 

Yannick Delass em show no #MANUALnoMCB | Foto Gleice Bueno

Yannick Delass em show no #MANUALnoMCB | Foto Gleice Bueno

Quais são as suas preocupações na hora de pensar na curadoria musical do Mercado Manual?

O Mercado tem algo de muito especial que é o fato de apresentar projetos artesanais com linguagem elaborada, técnica e estética. Na música não é diferente. Realizo esse trabalho ao lado da Karine Rossi, uma das organizadoras do Mercado. Buscamos projetos autorais - especialmente nas composições - mas também nos arranjos. Projetos que tenham expressividade, originalidade e identidade. Não se trata de buscar apenas projetos tradicionais, não mesmo, mas de encontrar iniciativas que deixem claras as suas raízes.

Outra preocupação são as questões técnicas. Os artistas têm que ser bem recebidos e com boas condições de som para apresentarem seus trabalhos em ótima performance. O Hernan Romero é o responsável técnico. Trabalho com ele há mais de 4 anos e o chamei quando fui convidada para integrar a equipe do Mercado. Ele é um excelente profissional e virou nosso parceiro oficial de som.

Sganza se apresenta para o público do 3º #MANUALnoMCB | Foto Tati Abreu

Sganza se apresenta para o público do 3º #MANUALnoMCB | Foto Tati Abreu

Caso se lembre de algo, conte casos interessantes do trabalho como curadora musical do festival.

Muito comumente tenho a sorte de me surpreender com o próprio público, já que algumas vezes programamos artistas considerados mais herméticos e o público adora e embarca no show. Quanto aos artistas, acho que quanto mais eles compreendem onde estão, mas eles se conectam com o público na hora do show. Já tive experiências de grandes artistas se apresentando em festivais sem entender bem o contexto e se perderem. Tem um músico mexicano, o Juan Pablo Villa que participou do Mercado Cultural da Bahia. Ele era a abertura da noite e seu show era solo. Ele arrasou muito mais do que a atração principal seguinte. Foi uma diferença gritante. 

 

Silibrina durante o 6º #MANUALnoMCB | Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Silibrina durante o 6º #MANUALnoMCB | Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Qual é a sua análise do cenário atual para a música independente em São Paulo? Ao abrir espaço para estes artistas, o Mercado Manual contribui para cena?

A cena está muito viva. Temos artistas de todos gêneros lançando novos discos, compondo e arranjando diferentes projetos. Seja da cena da música instrumental ou de cantautores. Assim como há espaços que têm contribuído muito com este cenário, como os Sescs, claro, e as casas independentes como o Centro Cultural da Música Instrumental, JazzNosFundos, JazzB, Mundo Pensante, Casa de Francisca, Tupi or Not Tupi, há ainda muitos festivais acontecendo e ocupando a cidade com música autoral e festivais e feiras que servem como plataforma para conhecermos novos artistas, que realizam debates e encontros sobre música, ajudando a formar massa crítica sobre o atual cenário. Vale ressaltar várias iniciativas que têm fomentado a igualdade de gêneros e discutindo e valorizando o papel das mulheres na música.

O Mercado Manual é uma dessas iniciativas. Acredito que as realizadoras, as Floristas, estão muito compromissadas com a música no evento. É uma postura que nos inspira a trabalhar e nos dá força para buscar jovens artistas a integrarem a programação. O público do Mercado dá fôlego também ao nosso trabalho e ao dos artistas, recebendo muito bem, de corações e ouvidos abertos, músicas que muitos deles nunca escutaram.   

MM2 | Foto Gleice Bueno

MM2 | Foto Gleice Bueno


Indique cinco discos ou projetos musicais que descobriu este ano e recomenda fortemente?

Estes são projetos especiais que têm me chamado a atenção nos últimos dois anos (entre muitos e muitos):

 

Lourenço Rebetez

O jovem guitarrista, compositor e já grande arranjador, mergulhou no universo de Moacir Santos e de Letieres Leite para fazer um disco arrebatador.

 

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Diego Moraes

Compositor e cantor, com uma performance de palco incrível e muito cativante, Diego integra o grupo Não Recomendados e vai lançar em breve seu disco #ÉqueeuandodeÔnibus. Suas composições são ótimas, com muito groove, e ele é realmente um grande cantor. Estará no #MANUALnoMCB neste fim de semana, dias 2 e 3 de dezembro, no Museu da Casa Brasileira.

 

Proyecto Pato

Grupo argentino que traz o cancioneiro da música popular do país, mas com leituras contemporâneas. A cantora do grupo, Nadia Larcher, tem uma voz e uma interpretação especiais.

 

Orquestra Mundana Refugi

A Orquestra Mundana Refugi é um projeto criado pelo compositor e multi-instrumentista Carlinhos Antunes no aniversário de 15 anos de sua Orquestra Mundana. Neste projeto ele integrou músicos da França e de Cuba e de diversas regiões do Brasil, que já estavam na Orquestra e trouxe músicos e cantores da Palestina, Síria, Congo, Haiti, Irã e Guiné-Conacri.

 

Ludere

Quarteto formado por grandes instrumentistas - Philippe Baden Powell, Rubinho Antunes, Bruno Barbosa e Daniel de Paula. Composições e arranjos sofisticados de jazz com raiz brasileira.

 

Yangos

Quarteto gaúcho que tem se destacado na cena da música instrumental. Foram indicados este ano ao Grammy Latino. Exploram nossas raízes sul-americana com o universo jazzístico. Tem ritmos do sul do continente que me encantam como chamamés, chacareras, tangos e milongas.

 

Cosmopolita

O quarteto explora o universo sonoro das décadas de 60 e 70. Já se apresentaram no Mercado Manual. É muito bom para ouvir e dançar.

 

Maria Beraldo

A cantora, instrumentista e compositora, Maria Beraldo, já vinha se destacando em grupos como Claras e Crocodilos do Arrigo Barnabé e em seu grupo Quartabê. Ela surgiu agora cantando, compondo e interpretando canções. Seu canto e expressão é muito particular e potente como um corte seco, mas profundo. Tenho curtido muito escutá-la.  

Isadora Canto MM6 | Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Isadora Canto MM6 | Foto Leonardo Sang / Casa Dobra

Maloya em show no #MANUALnoMCB edição 2 | Foto Gleice Bueno

Maloya em show no #MANUALnoMCB edição 2 | Foto Gleice Bueno

Texto: Giovanna Riato

Comas inverte lógica da moda para entregar design atemporal e sustentável

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Empreender não é um processo simples. Agora imagine empreender com a criação de uma marca de roupas que subverte a lógica da cadeia produtiva da indústria da moda e se dispõe a entregar peças atemporais às clientes, longe do apelo fast fashion das coleções. É justamente isso que decidiu fazer Agustina Comas, uruguaia que vive no Brasil há mais de 10 anos e, depois de estudar moda e construir carreira em grifes como Jum Nakao e Daslu, usou o sobrenome para batizar sua própria marca de roupas, a Comas Upcycling, que transforma em peças únicas roupas descartadas antes de chegar às lojas.

A ideia nasceu no fim de 2014, quando a estilista tinha acabado de encerrar a sociedade que mantinha em um negócio anterior, a Inuse. Cabeça e mãos ociosas são oficina para novas ideias em mentes criativas, então não demorou para ela ser picada pelo desejo de começar um novo projeto. “Eu já tinha trabalhado com o conceito de upcycling e tinha ainda atuado em moda masculina na Daslu, então sabia que as camisas são material muito nobre que muitas vezes sobra nas fábricas. Peças com pequenos defeitos acabam apodrecendo em caixas sem um destino adequado. Comecei a ir atrás deste material e desmanchar as peças para criar novas roupas ”, conta.

Assim, Agustina criou o seu próprio jeito de transformar palha em ouro. Das camisas masculinas que seriam descartadas, nasceram saias, blusas e vestidos da marca -  sempre desenhados com preocupação de garantir atemporalidade.

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Assim, de um jeito bem intuitivo, ela decidiu simplesmente fazer. E as coisas tomaram corpo antes que ela estivesse pronta para projetar os desafios que teria pela frente. “Não consigo ficar planejando. Preciso sair fazendo”, diz, com o simpático e característico sotaque uruguaio. Antes de desenvolver um logotipo para Comas ou começar a colocar etiqueta nas roupas ela já estava vendendo as peças em alguns eventos. Foi justamente nesta etapa que o caminho dela cruzou com o da Rede Manual. “Recebi o convite para expor no primeiro Mercado Manual no Museu da Casa Brasileira, em 2015. Fui e lá tive um resultado impressionante para aquele momento, parecia ter encontrado o meu público, as pessoas que pareciam comigo”, lembra.

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OS ACERTOS, OS ERROS E AS DÚVIDAS

Com o tempo, Agustina foi estruturando as coisas na Comas. A marca ganhou logotipo, site e tudo o que tem direito. A estilista criou um time pequeno, mas completamente engajado, com profissionais para cuidar da produção, do comercial, da comunicação e da estratégia. Desenvolveu vendas on-line pelo WhatsApp e a Maleta Comas, um conjunto de roupas da marca que é enviado para a casa da cliente para que ela experimente com calma e escolha, eventualmente, qual peça quer comprar – um jeito mais slow que faz todo o sentido com a proposta da marca. Há poucos meses a Comas deu mais um grande passo e saiu da casa de Agustina para ganhar o próprio espaço, um galpão em São Paulo.

Enumerando assim parece que a jornada da marca é feita só de acertos, mas Agustina admite que criar o próprio negócio é ter muitas dúvidas e, claro, levar alguns tombos. “Fico sempre construindo, quebrando a cara e pedindo ajuda para tudo, mas tem horas em que bate uma crise e não sabemos se estamos no caminho certo”, confessa. Ela diz que o conceito upcycling da marca torna a produção muito mais complicada – e cara. “Preciso ir nas fábricas de camisa, garimpar as peças boas, compra-las por um preço que sempre é elevado, bem mais caro que o de um tecido novo. Depois desmonto cada uma das peças para, enfim, fazer refazê-las com o nosso design”, conta.

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Com um processo tão complexo, o preço das roupas acaba ficando mais alto do que ela gostaria. “As peças são, em geral, básicas e poderiam alcançar um público muito maior, mas preciso escalar para reduzir custos e, de fato, gerar o efeito benéfico que o upcycling pode trazer para a indústria da moda”, diz. A equação de aumentar o volume de um produto tão artesanal é algo que Agustina está tentando resolver. Uma das opções, conta, é oferecer uma linha simplificada, mais acessível. “Mas este é um caminho longo, preciso criar uma cadeia de fornecimento muito especial porque hoje faço meu produto a partir de algo que tem oferta limitada e sem padrão”, fala, citando o desafio que tem de encontrar matéria-prima em boas condições para a marca.

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A estilista também quer espalhar o conceito do upcycling de outra forma, em palestras e workshops para empresas – algo que também representaria outra fonte de receitas para a Comas. “Adoro ensinar e as corporações precisam cada vez mais encontrar novos caminhos. Poderia levar ideias para os departamentos de estilo, mostrar técnicas, ou até chegar a indústrias de outros segmentos”, conta, cheia de planos e ideias.

Mesmo entre incertezas, nos poucos anos de vida que tem a Comas já rendeu frutos. Ao lidar diariamente com tecidos descartados, Agustina conseguiu desenvolver um tecido ecológico feito a partir de sobras das fábricas. “Quando o rolo de tecido é cortado, as bordas vão para o lixo. Desenvolvemos um jeito de reaproveitar isso.” A solução virou um negócio paralelo e já é usada por marcas como Fernanda Yamamoto.

Mesmo com resultados importantes, Agustina diz que em alguns momentos tem dificuldade para olhar o todo e fica perdida entre tantas responsabilidades. “Você trabalha por algo que é o seu sonho, mas acaba sobrecarregada com as obrigações do negócio”, desabafa, citando um problemas que tantos empreendedores tem.

Por outro lado, já volta a sorrir quando lembra da alegria de ver a sua equipe dedicada e acompanhar o movimento lindo que é o de um projeto ganhar forma, encontrar caminhos e clientes. “Fico muito feliz quando chego no galpão da Comas e vejo as pessoas trabalhando com um monte de alegria e as coisas acontecendo. Não é mais um sonho só meu”, diz, mostrando que o caminho pode ser desafiador, mas que existe sim combustível para continuar.

COMAS NO #MANUALNOMCB
Quer conhecer a Agustina e as peças incríveis que ela faz na Comas? A marca está entre as expositoras do #MANUALnoMCB, que acontece nos dias 2 e 3 de dezembro no Museu da Casa Brasileira. Confira aqui a programação completa e programe-se.

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Texto: Giovanna Riato | Fotos: Gleice Bueno

As dicas de Nicole Tomazi no #MANUALnaPinacoteca

"Não posso me desconectar do meu meio para criar produtos bonitos. Este não é o caminho.” Esta foi uma das grandes mensagens que a designer e artífice Nicole Tomazi deixou em sua palestra no #MANUALnaPinacoteca, no dia 5 de agosto. A conversa foi super especial: marcou a estreia do talk realizado pela Rede Manual e trouxe uma série de ensinamentos para artesãos que buscam consolidar uma carreira com o fazer manual.

Para quem não conseguiu acompanhar o papo ao vivo durante o festival, separamos alguns destaques do que rolou por lá e ainda o vídeo completo da apresentação de Nicole. Você confere tudo a seguir.


- PARA COMEÇAR, É PRECISO ENCONTRAR A IDENTIDADE

Nicole tem história comum a muitos artesãos que precisaram se perder antes de se encontrar. Os primeiros passos da carreira dela foram na arquitetura. Só depois ela começou a olhar para o feito à mão como possibilidade profissional e, enfim, vislumbrou a chance de unir a tradição com o design. O caminho, contou ela, foi difícil. Quando mudou de profissão, apesar de fazer o que gostava, não conseguia rentabilizar a ideia. “É um sofrimento muito grande realizar um sonho e ainda assim sentir que algumas coisas estão em desacordo.”

Ela só encontrou um caminho mais pleno quando conseguiu se desprender das técnicas e do compromisso de fazer produtos comerciais para criar com mais liberdade, em outro ritmo e escala. Segundo Nicole, foi assim que ela resgatou as referências da própria história e foi capaz de desenvolver um trabalho único. “Onde não há comparação, há liberdade”, lembra. “Minha avó é polonesa e sempre me acolheu com o feito à mão, com linhas e tecidos. Foi com ela que entendi essa ligação”, contou, apontando que parte de sua inspiração vem das próprias raízes. “Preciso contar uma história por meio de um produto. Buscar a essência”


- O CAMINHO EXIGE OBSERVAÇÃO DO MEIO E ESTUDO DA TEORIA

A rica bagagem familiar não é o único componente do trabalho de Nicole. Quando entendeu o caminho que queria seguir, ela foi estudar e passou a olhar melhor o entorno. “Precisamos observar o meio, saber o que outros profissionais estão fazendo. Só assim somos capazes de entender onde estamos e para onde devemos ir. O aprofundamento teórico também é essencial: é importante entender o que a ciência diz”, defende. Ela fala que encontrou nesta trajetória referências capazes de abrilhantar o pensamento e enriquecer seu fazer. “Construir um produto que se destaque entre os outros leva tempo. É um diálogo com a matéria-prima”, aconselha.


- DEIXE O COMPLEXO DE VIRA-LATA PARA TRÁS

Nicole diz que, antes de ser aceita no Brasil, seu trabalho precisou ser validado internacionalmente, com reconhecimento no Salão do Móvel de Milão. Esta lógica deixa claro que os olhares brasileiros sempre estão voltados para fora, inclusive no caso dos artesãos. “Aqui todo o ensino do design é alicerçado nas referências de fora. Viramos as costas para a riqueza manual do Brasil.” E lembra, ainda, que o design nacional não tem apenas uma identidade, o que permite diversificar as referências para criar algo realmente único. “O desafio do design baseado na cultura está em sair do óbvio", provoca.


- A CHAVE PARA O TRABALHO AUTORAL

Nicole entende que amadurecer um trabalho autoral envolve buscar a essência e evitar a repetição do que já está disponível. Além disso, ela reforça que o artesão não deve servir ao meio, atender ao estímulo à concorrência. “Não podemos competir. Não podemos nos odiar. Precisamos valorizar todo mundo”, resume. Assim, ela assegura que a colaboração rende muito mais frutos do que a disputa por um só espaço.

Texto: Giovanna Riato | Fotos: Leonardo Sang - Casa Dobra | Vídeo: Casa Dobra

#MANUALnoMCB comemora 2 anos de história

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Nos dias 2 e 3 de dezembro acontece a sétima edição do #MANUALnoMCB, nosso festival realizado em parceria com o Museu da Casa Brasileira. O evento é também o encontro de fim de ano e ainda o aniversário de dois anos do Mercado Manual, que começou em dezembro de 2015 ali no MCB, com 50 expositores e três mil visitantes. A sensação é de que, quando fazem sentido, as coisas tomam forma rápido: nas edições seguintes o #MANUALnoMCB chegou a atrair 8 mil pessoas no fim de semana e o número de expositores mais do que dobrou, passando de 100.

O projeto de fazer um evento para celebrar a cultura feita à mão e a poiar o empreendedorismo criativo era um sonho – e como é bom ver ele se realizar a cada dia, a cada pequena conquista da Rede Manual. Desde o primeiro evento já foram 12 edições – além das realizadas no MCB, levamos o festival para o MECA Inhotim, para a Casa TPM, ao Shopping Morumbi e, mais recentemente, para a Pinacoteca do Estado. Nem sempre foi simples, mas é invariavelmente recompensador a cada edição, a cada encontro, a cada vez que vemos o nosso público aproveitar a estrutura que preparamos.

Assim, para celebrar o nosso segundo aniversário, nada mais adequado do que oferecer o que temos de melhor ao realizar um festival completo, com um monte de atrações gratuitas e com o clima leve e feliz do #MANUALnoMCB. Este é o nosso jeito de agradecer aos visitantes e aos artesãos incríveis que estão com a gente. Sem vocês, certamente, não chegaríamos até aqui.  

Dá uma olhada na programação completa:
 

SÁBADO | 2 de dezembro

10h - Abertura do Mercado
12h – Oficina de Incensos Naturais com Primeira Folha
13h – Show Guegué Medeiros
15h30 – Show infantil New Orleans Jass
16h30 – Oficina de café filtrado com OCabral
18h – Show Diego Moraes
20h - Encerramento
 

DOMINGO | 3 de dezembro

10h – Abertura do Mercado
11h – Oficina de Cosméticos Naturais com Sal do Beija-Flor
13h – Show Ideograma
14h30 – Oficina de Pintura em Banquinhos com Ju Amora
15h30 – Show Infantil Trupe Pé de Histórias
16h30 – Oficina de Crochê com Coletivo Nalã
18h – Show Acatum
20h – Encerramento

Esta edição do festival contará ainda com mais de 100 expositores de roupas, acessórios, joias, brinquedos, itens de decoração e muito mais. Tudo artesanal e feito de forma ética, cheia de carinho. O evento traz também praça gastronômica com comidinhas deliciosas para agradar aos mais exigentes paladares e com vinhos super especiais no Bar Manual. Para as crianças, ao evento oferece durante todo o tempo o parquinho Erê Lab com brinquedos lúdicos e cheios de estímulo à imaginação.


VEM TAMBÉM
O #MANUALnoMCB é um evento para todos: famílias, amigos, casais ou até para um passeio desacompanhado. Com entrada franca, o festival acontece na varanda e no jardim do Museu da Casa Brasileira, que fica na avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705. O estacionamento ali é pequeno e geralmente lota rápido, então a nossa dica é ir de bike, de metrô, ônibus ou usar aplicativos de transporte, como 99 e Uber. O evento acontece nos dias 2 e 3 de dezembro das 10h às 20h

Texto: Giovanna Riato | Foto: Leonardo Sang - Casa Dobra

Quem passou pela 2ª edição do #ManualnoMorumbi

Enquanto esperamos pela próxima edição do #ManualnoMCB, que acontece nos dias 2 e 3 de dezembro, resolvemos matar a saudade do festival com as fotos de quem passou pelo #ManualnoMorumbi, que aconteceu entre 20 e 22 de outubro.

O evento foi uma das tantas e incríveis experiências que a Rede Manual experimentou em 2017. No começo o medo era de a convivência do pequeno empreendedor criativo com um grande centro de compras, como o MorumbiShopping, não dar certo. Mas, como acontece tantas vezes na vida, a apreensão era infundada. Fizemos a primeira edição em abril e foi lindo levar a cultura feita à mão a um ambiente pouco acostumado com essa abordagem.

As coisas fluíram tão bem que em outubro já realizamos a segunda edição do #ManualnoMorumbi. Que delícia ver famílias, casais e amigos experimentarem, em pleno shopping, a proximidade de comprar de quem faz.

Abaixo você confere com os próprio olhos algumas das 30 mil pessoas incríveis que recebemos por lá no fim de semana:

 

 

Teve a família maravilhosa da Roberta Monteiro, que levou a tia, Karina Olaia e as fofuras Helena e Olívia Monteiro para curtir o fim de semana no festival. Sobrinha e tia amaram as peças da Eulíricas, já as pequenas se jogaram foi no parquinho Erê Lab.

Teve a família maravilhosa da Roberta Monteiro, que levou a tia, Karina Olaia e as fofuras Helena e Olívia Monteiro para curtir o fim de semana no festival. Sobrinha e tia amaram as peças da Eulíricas, já as pequenas se jogaram foi no parquinho Erê Lab.

João Saraiva, Ester Quereta e Felipe Neumann são fãs das oficinas do Mercado Manual: já tinham participado das que acontecem nas edições do MCB e foram se aventurar na aula de tricô de braço no #ManualnoMorumbi. Pegaram o jeito rapidinho e já saíram da oficina da Cris Bertoluci desfilando as peças que fizeram por lá. Isso é que é time unido!

João Saraiva, Ester Quereta e Felipe Neumann são fãs das oficinas do Mercado Manual: já tinham participado das que acontecem nas edições do MCB e foram se aventurar na aula de tricô de braço no #ManualnoMorumbi. Pegaram o jeito rapidinho e já saíram da oficina da Cris Bertoluci desfilando as peças que fizeram por lá. Isso é que é time unido!

A jornalista Paula Nadal e o administrador Francisco Ottavio foram ao MorumbiShopping naquele fim de semana só para aproveitar o evento. Eles já conheciam a festa que acontece no MCB e decidiram conferir como era a edição ali, mais pertinho da casa deles.

A jornalista Paula Nadal e o administrador Francisco Ottavio foram ao MorumbiShopping naquele fim de semana só para aproveitar o evento. Eles já conheciam a festa que acontece no MCB e decidiram conferir como era a edição ali, mais pertinho da casa deles.

Cheia de elegância, Nivea Marques foi passear no shopping a convite da filha e levou o marido, Pedro Marcino Neto. Ficou feliz de encontrar por lá o nosso festival do feito à mão cheio de  peças exclusivas.

Cheia de elegância, Nivea Marques foi passear no shopping a convite da filha e levou o marido, Pedro Marcino Neto. Ficou feliz de encontrar por lá o nosso festival do feito à mão cheio de  peças exclusivas.

Kyoko Hirano trocou a vida em Tóquio pela experiência de viver em São Paulo. Com português perfeito, ela serviu de guia na cidade a Takumi Iwamoto, designer de quimonos que veio da capital japonesa para participar de um evento e se reunir com a estilista Fernando Yamamoto de quem é amigo. E não voltaram para casa de mãos vazias: adoraram e apoiaram o artesanato contemporâneo brasileiro que encontraram no evento e, principalmente, as peças únicas da Tucum.

Kyoko Hirano trocou a vida em Tóquio pela experiência de viver em São Paulo. Com português perfeito, ela serviu de guia na cidade a Takumi Iwamoto, designer de quimonos que veio da capital japonesa para participar de um evento e se reunir com a estilista Fernando Yamamoto de quem é amigo. E não voltaram para casa de mãos vazias: adoraram e apoiaram o artesanato contemporâneo brasileiro que encontraram no evento e, principalmente, as peças únicas da Tucum.

O casal formado pelo educador Pedro Ribeiro e a arquiteta Stephania Mendes já acompanha a Rede Manual e contaram que são fãs do conceito do evento. Eles buscavam um presente para uma amiga. Rodaram o shopping todo, mas só encontraram no nosso festival. <3

O casal formado pelo educador Pedro Ribeiro e a arquiteta Stephania Mendes já acompanha a Rede Manual e contaram que são fãs do conceito do evento. Eles buscavam um presente para uma amiga. Rodaram o shopping todo, mas só encontraram no nosso festival. <3

Texto: Giovanna Riato | Fotos Leonardo Sang - Casa Dobra

Veja como foi a 1ª edição do #MANUALnaPinacoteca

Pela primeira vez a Rede Manual tomou conta do centro de São Paulo: nos dias 4 e 5 de novembro aconteceu a primeira edição do #MANUALnaPinacoteca. Levamos artesanato e design contemporâneo para o prédio lindo do museu, que fica na região da Luz. Mais de 13 mil pessoas foram ao evento durante todo o fim de semana. Alguns para conferir o trabalho autoral dos 60 artesãos que levamos para lá, outros para participar de uma das quatro oficinas que rolaram no evento e uns ainda para aproveitar os shows e a palestra incrível da Nicole Tomazi.

Foi muito especial receber tanta gente em um fim de semana de frio e calor em São Paulo, com sol e céu azul no sábado e a garoa típica paulistana no domingo. Prova de que o nosso festival é bom em qualquer condição ou temperatura. ;)

Para recordar e guardar no coração, separamos algumas fotos do público lindo que foi prestigiar e aproveitar o evento:

Jo Machado e Renato Salles (à esquerda) integram o time do SP 24hrs, site que traz ótimas dicas para aproveitar a cidade. Os dois são frequentadores do #MercadoManual e arrastaram os amigos Déia Giusti e Felipe Gombossy para conferir a primeira edição do evento na Pinacoteca (e fazer umas comprinhas).

Jo Machado e Renato Salles (à esquerda) integram o time do SP 24hrs, site que traz ótimas dicas para aproveitar a cidade. Os dois são frequentadores do #MercadoManual e arrastaram os amigos Déia Giusti e Felipe Gombossy para conferir a primeira edição do evento na Pinacoteca (e fazer umas comprinhas).

A Jojo Guimarães acompanha de pertinho a rede manual: ela é artesã e foi no #MANUALnaPinacoteca conferir a palestra da Nicole Tomazi. Saiu cheia de inspiração para ir em frente e investir no tom autoral de seu projeto, o Ateliê Catorze, que está tomando forma aos pouquinhos. “É muito estar em um ambiente de pessoas que enfrentam desafios parecidos com os meus. Todos aqui têm histórias semelhantes em alguns aspectos. Dá uma sensação de pertencimento”, disse.

A Jojo Guimarães acompanha de pertinho a rede manual: ela é artesã e foi no #MANUALnaPinacoteca conferir a palestra da Nicole Tomazi. Saiu cheia de inspiração para ir em frente e investir no tom autoral de seu projeto, o Ateliê Catorze, que está tomando forma aos pouquinhos. “É muito estar em um ambiente de pessoas que enfrentam desafios parecidos com os meus. Todos aqui têm histórias semelhantes em alguns aspectos. Dá uma sensação de pertencimento”, disse.

A coaching e jornalista Bruna Fioreti e o designer William Júnior encontraram no festival peças para deixar a casa deles mais cheia de alma e identidade. Fãs de decoração, souberam do evento por um post Instagram do Maurício Arruda, arquiteto e apresentador do Decora. É o #MANUALnaPinacoteca na boca do povo. Obrigada pela força, Maurício =)

A coaching e jornalista Bruna Fioreti e o designer William Júnior encontraram no festival peças para deixar a casa deles mais cheia de alma e identidade. Fãs de decoração, souberam do evento por um post Instagram do Maurício Arruda, arquiteto e apresentador do Decora. É o #MANUALnaPinacoteca na boca do povo. Obrigada pela força, Maurício =)

Igor Sabá expôs seu trabalho pela primeira vez no nosso festival. Cheio de talento, ele faz peças de decoração inspiradas em suas raízes. Nascido em Cariri, no Ceará, o designer enaltece um símbolo regional em seu trabalho, a folha da carnaúba, e ainda fortalece os artesãos da sua terra. “É muito bom participar de um evento com público tão consciente, que valoriza a história por trás do produto.” Seja sempre bem-vindo, Igor. <3

Igor Sabá expôs seu trabalho pela primeira vez no nosso festival. Cheio de talento, ele faz peças de decoração inspiradas em suas raízes. Nascido em Cariri, no Ceará, o designer enaltece um símbolo regional em seu trabalho, a folha da carnaúba, e ainda fortalece os artesãos da sua terra. “É muito bom participar de um evento com público tão consciente, que valoriza a história por trás do produto.” Seja sempre bem-vindo, Igor. <3

Vanessa Moreira é fã de longa data nosso festival. Que delícia! Desta vez, levou junto a amiga Jaqueline Takai para ver as novidades dos artesãos e acompanhar os shows do evento.

Vanessa Moreira é fã de longa data nosso festival. Que delícia! Desta vez, levou junto a amiga Jaqueline Takai para ver as novidades dos artesãos e acompanhar os shows do evento.

Nem a garoa impediu a massoterapeuta Cida Ramos e o designer César Bomfim de sair de casa para curtir o domingo no #MANUALnaPinacoteca. Aproveitaram o clima para degustar o cafezinho caprichado do OCabral.

Nem a garoa impediu a massoterapeuta Cida Ramos e o designer César Bomfim de sair de casa para curtir o domingo no #MANUALnaPinacoteca. Aproveitaram o clima para degustar o cafezinho caprichado do OCabral.

Texto: Giovanna Riato | Fotos: Leonardo Sang - Casa Dobra