#ManualnoMorumbi: feito à mão ocupa o shopping de 20 a 22 de outubro

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No primeiro semestre a Rede Manual recebeu um convite um tanto quanto inusitado: realizar uma edição do festival no Morumbi Shopping. De cara pareceu loucura. Nós, pequenininhas e focadas no fazer artesanal, ali no meio de um centro de compras tão tradicional e recheado de marcas enormes. Mas como tudo o que é inusitado merece ser analisado com atenção, pensamos com carinho, fomos em frente e realizamos a primeira edição do #ManualnoMorumbi em abril deste ano. Levamos a nossa alma para o shopping e... foi lindo! Mais de 40 mil visitantes foram conhecer os projetos artesanais, oficinas e shows gratuitos que oferecemos. Evento completo!

De tão bom, vamos repetir a dose. No próximo fim de semana, de 20 a 22 de outubro, acontece a segunda edição do #ManualnoMorumbi. O Morumbi Shopping vai mais uma vez abrir as portas sem restrição e nos receber como somos: além de mais de 40 marcas artesanais, levaremos uma programação muito especial com shows e oficinas gratuitas. Teremos também comidinhas e bebidinhas, incluindo o Bar Manual, e o amado parquinho Erê Lab cheio de ludicidade para as crianças. Vamos carregar, principalmente, o espírito leve do que é feito com calma e carinho.

CULTURA MANUAL NO SHOPPING?

O #ManualnoMorumbi é uma edição do nosso festival tão especial quanto as outras, desenhada com o cuidado da nossa curadoria e o desejo de oferecer um fim de semana incrível aos visitantes. Para nós, formatar o evento para o Morumbi Shopping é chance preciosa de difundir a cultura feita à mão em outros ambientes, onde nem sempre ela é tão conhecida. E como é lindo ver tanta gente se encantar pelos produtos autorais e cheios de inspiração que os artesãos da Rede criam.

Na primeira edição ficou claro que o pequeno pode sim conviver com o grande, principalmente quando o gigante em questão é Morumbi Shopping, que sempre teve atitude vanguardista e foi, inclusive, um dos protagonistas da criação do que hoje é a São Paulo Fashion Week. Agora eles apoiam outro movimento autoral, mas dessa vez é autoral e feito à mão.

Dá um orgulho imenso ver que cultura artesanal é uma força poderosa que começa a conquistar mais atenção. Quando usamos uma estrutura de consumo e entretenimento que já existe para fortalecer os designers e makers da nossa Rede damos impulso a este movimento. Nosso sonho e missão é ver o feito à mão ganhar o mundo. Vamos juntos?

#MANUALNOMORUMBI

É entre 20 e 22 de outubro. Das 10h às 22h na sexta e sábado e das 10h às 20h no domingo. O festival acontece no Atrium do Morumbi Shopping, na avenida Roque Petroni Júnior, 1089, São Paulo. Para saber mais é só clicar aqui.

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Feixe Acessórios é fruto da busca de Mariana Bello por um trabalho autoral

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Decidida a construir um trabalho que fizesse sentido com seu estilo de vida, Mariana Bello criou a Feixe Acessórios. As peças da marca unem os mais diversos materiais, incluindo pedras naturais, borracha e metal. Segundo ela, desde o início do projeto a intenção foi criar joias com pegada urbana. Para chegar a peças únicas, ela acredita que o melhor caminho é trabalhar, não apenas se inspirar.

Mariana percebe o aumento do interesse das pessoas por produtos exclusivos e feitos à mão. “As pessoas estão um pouco cansadas da massificação”, acredita. E complementa que, para ela, esta transformação do consumo só aumenta a realização com o trabalho:

“O prazer de fazer o que a gente gosta e da forma como a gente acredita é realmente o grande lance. Crio a partir dos meus desejos, minhas inspirações e da minha maneira de enxergar o mundo. Assim, quem se encanta pela marca e pelo produto é quem tem as mesmas crenças ou aspirações.”
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Confira mais na entrevista a seguir.


O que você fazia antes de empreender na Feixe Acessórios e qual foi a inspiração para criar a marca?
Depois de trabalhar mais de 12 anos como designer de calçados, para grandes empresas, senti necessidade dar um novo rumo para minha vida e carreira e conseguir desenvolver um trabalho autoral e alinhado com minhas crenças pessoais, estilo e modo de vida. Já sentia como consumidora um desejo de encontrar no mercado joias em pedras naturais como uma leitura mais urbana e contemporânea e, acima de tudo, acessíveis. Fiz pós- graduação em Negócios da Moda no Senac/SP e a marca foi nascendo e tomando forma como um projeto do curso, que me permitiu ainda fazer ampla e profunda pesquisa de público-alvo e mercado.

Qual é o propósito da Feixe?
Desenvolver joias contemporâneas em pedras naturais, confeccionadas manualmente em pequena escala, por um preço justo e acessível para mulheres que se identifiquem com os valores e identidade da marca.

De que forma a marca ressignificou a sua relação com trabalho?
Sempre trabalhei muito e nunca tive a ilusão de achar que diminuiria o ritmo ao ter a minha própria marca. Ainda assim, a minha relação como o trabalho mudou drasticamente de forma muito positiva. Passei a ser dona do meu tempo, mas precisei aprender a administrá-lo e fazer com que as coisas aconteçam. O prazer de fazer o que a gente gosta e da forma como a gente acredita é realmente o grande lance. Crio a partir dos meus desejos, minhas inspirações e da minha maneira de enxergar o mundo. Assim, quem se encanta pela marca e pelo produto é quem tem as mesmas crenças ou aspirações.

Há mais gente envolvida no projeto? Qual é o tamanho da equipe e a dinâmica do trabalho?
Sou a faz tudo: pesquisa, compra de materiais, desenvolvimento, criação, produção, vendas, divulgação, fotos, administração de mídias digitais, site, financeiro e administrativo. Mas tenho ótimos fornecedores parceiros, um ourives que produz as minhas peças da linha prata, e algumas pessoas chave que trabalham comigo nos eventos me ajudando nas vendas e em algumas questões administrativas. As embalagens da Feixe por exemplo são todas confeccionadas por uma vizinha querida. Sou muito a favor da colaboração e tenho projetos em parceria com outras amigas empreendedoras nos quais juntamos forças para vender e divulgar nosso trabalho.   

Quais são os maiores desafios e as maiores recompensas que o projeto já trouxe?
Os maiores desafios estão ligados à gestão da marca, planejamento e rotinas administrativas e financeiras. As maiores recompensas estão relacionadas a agradar as minhas clientes e vê-las felizes e bonitas, é ver meu trabalho reconhecido e valorizado por elas. 

Como você administra o seu tempo desde que começou a empreender? Você trabalha mais ou menos?
Trabalho talvez até mais, com a diferença de que administro o tempo a minha maneira, posso ficar até tarde da noite trabalhando, mas me dar ao luxo de ter folga quando acho necessário e montar minha agenda da melhor forma.

Conte sobre as peças da marca: de onde vem a inspiração e o como é o processo do fazer manual?
Embora adore arte, design, arquitetura, acho que as minhas inspirações são tudo que me cerca e as minhas vivências, sou uma pessoa muito visual e observadora, meu radar esta sempre ligado. Mas meu processo de criação é muito intuitivo e as peças nascem muito da combinação das matérias escolhidas que encheram meus olhos naquele momento preciso. Me identifico muito com um frase do Picasso que diz “a criatividade tem que te encontrar trabalhando”. Sou muito a favor do processo de experimentação até que as ideias se encaixem e vc diga: é isso! Gostei! O fazer manual me permite esta experimentação, esta construção.

A Feixe já é um projeto financeiramente estável? Ou você precisa complementar as receitas com outras atividades?
Graças a muito trabalho e dedicação as coisas tem fluido bem. Minha receita é exclusivamente da Feixe.

Como você percebe a aceitação do fazer manual? Há mais clientes em busca de comprar de quem faz?
Sim. O trabalho manual, autoral tem sido bastante valorizado. As pessoas estão um pouco cansadas da massificação, e além de terem desejo por produtos produzidos em pequena escala também existe interesse em saber quem cria e faz. Acima de tudo, as pessoas estão buscando encantamento, beleza e leveza para conseguir encarar tantas coisas duras e ruins que acontecem no mundo. 

O que vale mais na criação: inspiração ou método e organização?
Um pouco de cada coisa. Só a inspiração não basta.

Como você se inspira e alimenta a criatividade?
Alimento minha criatividade estando atenta a vida e a tudo que me cerca. As viagens, os museus, a natureza, as pessoas, as cores, a música,  tudo é fonte de inspiração, mas acho importante estarmos sempre atentos aos pequenos detalhes, a inspiração pode estar em pequenos detalhes.

O que planeja para o futuro do projeto?
Que a marca cresça mas sem perder a sua essência. Projetos colaborativos são bem vindos, mas tudo a sua devida hora, não quero dar nenhum passo maior que as minhas pernas, a marca completa dois anos em novembro e acho que o crescimento deve ser fruto do amadurecimento do meu trabalho.

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Fotografia: Gleice Bueno | Texto: Giovanna Riato

Carol Delleva e a cerâmica que celebra a beleza da imperfeição

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Vasos sustentam plantas. Os moldados pelas mãos da ceramista Carolina Delleva são em forma de cabeças, como se a vida que brota dali fosse um universo de ideias e criações. Os rostos, muitas vezes trincados ou com pequenos desajustes, mostram que o belo pode existir no erro ou no inesperado, não apenas na perfeição. “Dependendo do olhar, pode ser bizarro ou bonito”, diz, deleitando-se com a criação livre de amarras. Parece simples mas, para chegar até aqui, a arte de Carol percorreu longo caminho.

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Começou ainda criança, com a terra em contato com as mãos. Os dedos encostavam na textura fria, embaixo da superfície. Foi assim, ao brincar na terra, que ela começou a desbravar o poder do manual, do toque. “Isso sempre me encantou, desde pequena. Mais tarde, já adolescente, comecei a fazer esculturas de bichos com a terra e ficava impressionada com as formas que conseguia criar”. Passou pela fase de descoberta física, de despertar a consciência corporal por meio da massagem. Foi estudar o assunto e percebeu que sua paixão não era a massagem em si, mas o trabalho com as mãos.

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SAIR DE CASA PARA SE ENCONTRAR
Se tinha essa certeza por um lado, por outro enfrentava uma série de dúvidas. Era a aluna inadequada, que não se encaixava na caixinha da educação formal. “Sempre fui péssima na escola, aluna problema. Depois de repetir três vezes, parei de estudar. Nada daquilo fazia sentido para mim.” Compensou o desvio na educação tradicional com um supletivo e, em seguida, resolveu que tentaria curar a sensação de inadequação em outro lugar. Juntou as coisas e partiu para se descobrir na Europa. “Fui muito criticada nos meios ditos de sucesso, em que as pessoas são todas parecidas, com tudo perfeito e no lugar. Para mim, sucesso é conseguir pagar as próprias contas com o fruto do seu trabalho.”

Longe de casa ela conseguia fazer isso como funcionária em bares de hotéis. Em paralelo, descobriu a cerâmica. “Foi um encontro incrível. Estava livre pela primeira vez e podia me arriscar porque não tinha ninguém me dizendo o que era certo.” Seguiu o instinto e foi fazer faculdade de cerâmica na Espanha, com os amigos e família certos de que Carol tinha perdido a cabeça de vez. “Todo mundo se perguntava o que eu faria com esta bagagem. Eu não tinha ideia, mas precisava sentir onde ia dar”, diz. Encarou a dor e a delícia da própria decisão. Extravasava seu potencial e brilhava nas aulas de escultura, mas apanhava para aprender a química por trás da cerâmica e reproduzir peças idênticas umas às outras. “É uma arte muito exata e nunca consegui ir bem nisso. Era um patinho feio nessa área, mas dava certo quando tinha a liberdade para criar.”

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“Para mim, sucesso é conseguir pagar as próprias contas com o fruto do seu trabalho.”
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“COMECEI A VER MUITA BELEZA NA IMPERFEIÇÃO. CADA DETALHE TORNA A PEÇA ÚNICA. NÃO HÁ MOLDE PARA ISSO: É MUITO VERDADEIRO E MUITO DIFÍCIL DE REPRODUZIR”

Enquanto isso, descobria um talento que era mais fluido naquele momento: a música. “Comecei a cantar lá fora e as coisas começaram a rolar”. Teve uma série de bandas, participou de festivais e, formada, acabou por deixar o conhecimento sobre a cerâmica adormecido por algum tempo. Antes de se acomodar, no entanto, a maternidade tirou ela da nova zona de conforto. Ao virar mãe, Carol precisou construir uma rotina completamente incompatível com a vida noturna da música. A transformação foi tão grande que fez ela voltar ao Brasil após mais de uma década fora. Deixou para trás trajetória firme como cantora na Europa e chegou de volta em casa com a mesma sensação de desajuste de quando saiu, mas com uma filha nos braços.

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O REENCONTRO COM O FAZER MANUAL
“Fiquei completamente imersa na maternidade”, diz. O recomeço no Brasil trazia certo gosto de frustração: a sua música não tinha tanto espaço por aqui e, assim, precisou da ajuda financeira da família para ir em frente. Foi então se arriscar novamente na cerâmica. A primeira ideia era dar aulas, mas ela sentiu que tinha espaço para ir além. “Estava acostumada com as coisas na Europa e, ao pesquisar lugares para comprar argila, vi que as coisas ainda eram muito iniciais aqui, com pouca oferta tanto de materiais quanto de uma variedade de produtos.” Comprou um forno a gás, que era o que conseguia bancar naquele momento, e começou a fazer as peças próprias, com a sua identidade:, as cabeças belas e bizarras.

A queima dos vasos não dava tão certo quanto a feita no forno da faculdade na Espanha, sempre saia com um trincado, uma imperfeição. “Comecei a ver muita beleza naquilo. Cada detalhe torna a peça única. Não há molde para isso: é muito verdadeiro e muito difícil de reproduzir”, diz Carol, que começou a entender aí o poder de fazer uma arte desajustada, que rompe padrões. Devagar, ao valorizar a beleza na imperfeição de seus processos, levou o mesmo movimento para a própria vida. “Cresci ouvindo que não era boa o bastante e por muito tempo busquei a perfeição que os outros queriam, mas hoje descobri que o meu errado sempre foi certo.”

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“CRESCI OUVINDO QUE NÃO ERA BOA O BASTANTE E POR MUITO TEMPO BUSQUEI A PERFEIÇÃO QUE OS OUTROS QUERIAM, MAS HOJE DESCOBRI QUE O MEU ERRADO SEMPRE FOI CERTO.”

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Carol diz que se libertou da exigência dos outros, da busca por ideais inalcançáveis e aprimorou a própria técnica. “Hoje consigo controlar as imperfeições, mas ainda há o imprevisível. Errar não é necessariamente feio. Há erros deliciosos”, diz. E eles, enfim, passaram a ser valorizados: os vasos em forma de cabeça feito por ela encontraram público no Brasil e hoje Carol alcançou o próprio conceito de sucesso, pagando as contas com um trabalho criativo.

“Hoje sou muito feliz porque sinto que, se isso não desse certo, nada mais daria. Sou muito visceral, intensa e sempre estive desencaixada. Não conseguiria trabalhar em uma empresa. Passei a vida toda sendo chamada de louca por querer extravasar essa energia na arte, mas agora está dando certo”, conta. A força criativa que Carol encontrou ao ver seu projeto dar certo transbordou ainda para outra iniciativa: a banda Delleva, uma incursão musical da artista no Brasil. “Estamos gravando o nosso primeiro disco”. Depois de algumas voltas, a loucura enfim fez sentido.

"Valeu a pena ir contra o que todo mundo esperava. No fim, o melhor é sempre perseguir a nossa verdade."
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Fotos: Gleice Bueno

Confira como foi a edição de setembro do #ManualnoMCB

Fotos: Leonardo Sang | Casa Dobra

Fotos: Leonardo Sang | Casa Dobra

O #ManualnoMCB, no comecinho de setembro, reuniu cerca de 100 artesãos para expor projetos manuais exclusivos e inspiradores. O festival contou ainda com seis oficinas incríveis e seis shows de projetos musicais. Foi lindo demais e o nosso coração fica cheio de felicidade de pensar que 9,5 mil pessoas passaram por lá para prestigiar o evento, que foi desenhado com tanto carinho. É o nosso recorde de público no Museu da Casa Brasileira.

Para celebrar, separamos uma seleção de fotos das famílias, amigos e pessoas maravilhosas que foram aproveitar o fim de semana com a gente:

Ellen Cunha, 31, foi ao evento com o marido, o ator Julinho de Andrade, 40, e o pequeno Joaquim, 2. Cheia de admiração pelos projetos artesanais, a família adorou o trabalho de Juliana Veinert e as cerâmicas da Casa Dobra. De tão fã das peças autorais, Julinho conta que tem um projeto de marcenaria, a Studio Santo. "É um hobby que quero profissionalizar", conta.

Ellen Cunha, 31, foi ao evento com o marido, o ator Julinho de Andrade, 40, e o pequeno Joaquim, 2. Cheia de admiração pelos projetos artesanais, a família adorou o trabalho de Juliana Veinert e as cerâmicas da Casa Dobra. De tão fã das peças autorais, Julinho conta que tem um projeto de marcenaria, a Studio Santo. "É um hobby que quero profissionalizar", conta.

Uma família de frequentadores assíduos do #ManualnoMCB. Ao lado do marido, Fred Benuce, 41, a consultora de moda infantil Gaby Roth, 36, adora levar o pequeno Lorenzo Roth, 4, para conferir os projetos artesanais e as atrações do festival. É a favor de vestir crianças sem gênero e com muita liberdade: "Sempre quero descobrir a história por trás da roupa". Em paralelo ao trabalho com moda ela toca ainda o projeto Café com Amor, que reúne a paixão pelo café com trocas sobre a maternidade.

Uma família de frequentadores assíduos do #ManualnoMCB. Ao lado do marido, Fred Benuce, 41, a consultora de moda infantil Gaby Roth, 36, adora levar o pequeno Lorenzo Roth, 4, para conferir os projetos artesanais e as atrações do festival. É a favor de vestir crianças sem gênero e com muita liberdade: "Sempre quero descobrir a história por trás da roupa". Em paralelo ao trabalho com moda ela toca ainda o projeto Café com Amor, que reúne a paixão pelo café com trocas sobre a maternidade.

Daniela Ferraz, 33, e Giancarlo Rufatto, 35, acreditam que consumo consciente se ensina desde cedo. Cecília Ferraz, do alto de seus 4 anos, escolheu muito bem o que ia levar para casa. Na sacola ela carregava dois bichinhos da Gandaiá que tinha acabado de escolher.

Daniela Ferraz, 33, e Giancarlo Rufatto, 35, acreditam que consumo consciente se ensina desde cedo. Cecília Ferraz, do alto de seus 4 anos, escolheu muito bem o que ia levar para casa. Na sacola ela carregava dois bichinhos da Gandaiá que tinha acabado de escolher.

Neta Novaes, 50, e Maria Lúcia Prates, 84: nora e sogra foram aproveitar a tarde de domingo no jardim do Museu da Casa Brasileira. As duas são artistas e fãs do trabalho feito à mão. Foram conhecer os novos projetos e técnicas no evento.

Neta Novaes, 50, e Maria Lúcia Prates, 84: nora e sogra foram aproveitar a tarde de domingo no jardim do Museu da Casa Brasileira. As duas são artistas e fãs do trabalho feito à mão. Foram conhecer os novos projetos e técnicas no evento.

Ao lado da mãe Thaynan Dias, 26, Lorenzo Dias, 8, foi ao #ManualnoMCB ver de pertinho o trabalho dos amigos da Amoras, que levou delícias veganas e crudívoras à praça gastronômica do festival. Os dois aproveitaram o dia ainda a programação de shows e o parquinho com brinquedos Erê Lab.

Ao lado da mãe Thaynan Dias, 26, Lorenzo Dias, 8, foi ao #ManualnoMCB ver de pertinho o trabalho dos amigos da Amoras, que levou delícias veganas e crudívoras à praça gastronômica do festival. Os dois aproveitaram o dia ainda a programação de shows e o parquinho com brinquedos Erê Lab.

Deborah Bulow, 25, levou a amiga Priscila Gomes, 25, para aproveitar o fim de semana no festival e participar da oficina de café coado da O Cabral. As duas valorizam comprar de quem faz e queriam conferir os projetos manuais que há tempos acompanham pelo Instagram.

Deborah Bulow, 25, levou a amiga Priscila Gomes, 25, para aproveitar o fim de semana no festival e participar da oficina de café coado da O Cabral. As duas valorizam comprar de quem faz e queriam conferir os projetos manuais que há tempos acompanham pelo Instagram.

Bar Manual traz vinhos artesanais e orgânicos

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O #ManualnoMCB já acontece neste fim de semana, nos dias 2 e 3 de setembro, e traz uma estreia incrível: o Bar Manual! Ali serão oferecidos vinhos deliciosos de pequenos produtores artesanais e orgânicos, selecionados com um monte de carinho e amor. A curadoria super especial é de Ariel Kogan. Tudo pensado para complementar a diversidade gastronômica do nosso festival. O bar terá ainda cervejas e água.


OS VINHOS

A bebida virá de quatro vinícolas. Da brasileira Estância do Vinho, familiar e conhecida por práticas sustentáveis, teremos o Rose Brut Espumante Poesia do Pampa, com aromas florais e frutais, além do Blend Tinto 375, combinação leve e equilibrada de cabernet sauvignon, tannat e tempranillo.

De Luján de Cuyo, primeira região vinícola de Mendoza, na Argentina, traremos o Rose Pinot Noir Amansado, vinho fresco com aromas intensos e produção de apenas 10 mil garrafas por ano. Super exclusivo e delicioso. Outra maravilha do Bar Manual é o Chardonnay Familia Cecchin, da Bodega Cecchin, uma pequena vinícola familiar focada na produção de vinhos orgânicos de alta qualidade.

Vamos oferecer ainda o Malbec Regeneration, que traz aromas de cereja, ameixa madura e um toque de baunilha. Produzido pela família Kogan também em Medoza, na Argentina, de forma 100% orgânica. Projeto lindo que, a cada garrafa consumida, contribui para a plantação de árvores nativas na região.

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VEM TAMBÉM

O #ManualnoMCB acontece neste sábado e domingo no Museu da Casa Brasileira, na Brigadeiro Faria Lima, 2705, em São Paulo. Além do Bar Manual, o festival conta com programação cultural com shows e oficinas gratuitas e reúne cerca de 100 expositores de projetos artesanais. Para conferir a agenda completa é só clicar aqui.

Ouça as bandas que estarão no #ManualnoMCB

 
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Falta pouco para o #ManualnoMCB, o festival da cultura feita à mão que acontece entre 2 e 3 de setembro no Museu da Casa Brasileira. Serão cerca de 100 expositores de produtos artesanais e éticos, além de programação linda de oficinas e shows gratuitos. Vai ser um deleite só!

Enquanto trabalhamos nos últimos ajustes, preparamos uma playlist no Spotify com projetos musicais que vão se apresentar nesta edição. Assim já entramos no clima da festa ;)

Dá o play e corre para conferir a programação completa do evento. Tá imperdível!

 

Cultura, conhecimento e consumo ético: confira a programação do #ManualnoMCB

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O #ManualnoMCB vai ocupar o Museu da Casa Brasileira entre 2 e 3 de setembro. Mais uma vez, o festival gratuito para valorizar a cultura feita à mão leva cultura para o espaço público de São Paulo, que pode e deve ser ocupado por todos para tornar a cidade mais amigável e plural. A festa vai ser linda!

São cerca de 100 artesãos incríveis que vão expor roupas, acessórios, joias e peças de design. Tudo exclusivo, ético e feito com respeito ao ser humano e à natureza. A lista completa das marcas participantes está aqui. Além disso, vai rolar programação rica de shows, oficinas gratuitas de fazeres manuais e atrações infantis para os pequenos curtirem junto.

Confira a agenda completa do fim de semana:

SÁBADO - 2/9

12h - Cosmetologia Natural, com Sal do Beija-Flor
13h15 - Show: Núbia Maciel Trio
14h30 - Macramê, com coletivo naLã
14h30 - Pipas, com Rogério Scoparo
15h30 - Show infantil: Isadora Canto
16h30 - Terrários, com Duo Solo
18h - Show: Silibrina
 

DOMINGO - 3/9

11h - Café Filtrado, com OCabral
13h15 - Show: Carol Panesi
14h30 - Geleias Artesanais, com Mermeleia
15h30 - Show infantil: Poin
16h30 - Do Ponto ao Pássaro, com Clube do Bordado
18h - Show: Yannick Delas

Coletivo naLã usa arte têxtil para transformar as pessoas e a cidade

Projeto nasceu para ocupar o espaço urbano, mas encontrou a sua essência no impacto positivo que é capaz de ter nas pessoas

Projeto nasceu para ocupar o espaço urbano, mas encontrou a sua essência no impacto positivo que é capaz de ter nas pessoas

“Em cada nó e ponto dado são entrelaçados objetivos em comum: nós atados. Uma (r)evolução de ideias criativas, de (r)existência dos nossos saberes.” É assim que as amigas Fernanda Mafra e Priscila Curse resumem o Coletivo naLã, projeto liderado pelas duas que usa o crochê para levar arte para o espaço urbano e, principalmente, conectar pessoas, compartilhar conhecimento, destravar a força produtiva e o potencial criativo de cada um. Além de projetos de cenografia e arte visual, elas promovem uma série de ações voluntárias de arte urbana (o chamado Yarn Bombing, uma espécie de graffite em crochê), oficinas e laboratórios gratuitos para multiplicar o conhecimento sobre o assunto.

Elas falam que a iniciativa nasceu voltada às cidade, à ocupação do espaço urbano. Não demorou para perceberem, no entanto, que a essência não estava exatamente ali, mas sim nas pessoas: no impacto positivo em cada indivíduo e no poder extraordinário que o fazer manual tem de transformar o olhar e as relações.“Além de compartilhar e multiplicar o conhecimento, o maior desafio é fazer com que as pessoas acreditem no potencial de transformação através do trabalho manual e o quanto isso impacta na sociedade”, contam.
 

Fernanda acredita no trabalho manual como força de transformação

Fernanda acredita no trabalho manual como força de transformação

Elas já se surpreenderam uma série de vezes com o poder que a arte têxtil tem de extrair a bagagem de dentro de cada um. “Já vimos pessoas se alegrarem ao olhar para um novelo rosa, outras chorarem de emoção enquanto faziam crochê pela lembrança de algo que viveram ou olharem por longos minutos para um projeto nosso, contemplando de uma forma tão linda, que só de lembrar nos emociona. Já ouvimos muitas e muitas histórias, tristes e felizes”, lembram as líderes do projeto, que consideram esta a maior recompensa do trabalho do naLã, um retorno inestimável e infinito, apontam.
 

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“É UMA MOEDA VALIOSA VER PESSOAS SUPERAREM LIMITES QUE FORAM IMPOSTOS A ELAS E SE SENTIREM PARTE DE ALGO MAIOR COM O FAZER MANUAL”

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Quanto às recompensas financeiras, o naLã ainda não é a principal fonte de renda das duas amigas. O projeto começou por diversão, mas ganha mais importância a cada dia. Os trabalhos pagos feitos pelo coletivo geram receitas para que elas conduzam os projetos sociais. Enquanto isso, seguem com carreiras paralelas: Fernanda é arquiteta e Priscila toca vida agitada no mundo da comunicação digital. “Se você abrir nossas bolsas, você sempre vai encontrar uma agulha de crochê, um novelo e muitas ideias. Transformamos o tempo livre em tempo para se criar: gostamos de transformar o ócio em ócio criativo seja através de experimentações têxteis.” Em muitos projetos e ações a dupla conta com a colaboração de Andrea Rocha no coletivo.

Priscila trabalha com comunicação digital, mas encontra seu equilíbrio no fazer manual

Priscila trabalha com comunicação digital, mas encontra seu equilíbrio no fazer manual

Enquanto a maioria usa o tempo livre para descer o olhar para a tela do celular, elas desviam a atenção para as próprias mãos, para criar peças de impacto visual a partir de um simples fio de lã. As crocheteiras dizem que é nos tecidos coloridos que encontram o necessário ponto de equilíbrio entre a agitação do dia a dia de uma grande cidade e as próprias emoções. É ali que elas transbordam e extravasam. Fazem cada nó e contorno com a lã com a dedicação e perfeccionismo que destinam a qualquer trabalho. Assim, o resultado da arte do naLã é fruto de tempo e carinho.

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Com tanta história, o naLã carrega a sabedoria de uma anciã mas, na verdade, vive o vigor da juventude: o projeto tem apenas um ano, a serem completados em setembro, com direito à comemoração no #ManualnoMCB, que acontece nos próximos dias 2 e 3 no Museu da Casa Brasileira. Elas serão, mais uma vez, responsáveis pela cenografia lindamente artesanal do festival e por uma oficina gratuita de macramê. “O Mercado Manual tem grande parcela de culpa pelo nascimento do naLã. Crescemos junto com o evento. Foi no MM que sentimos o empurrão para seguir com nossos sonhos e continuar colocando em prática nossas ideias”, contam. E, com a ajuda delas, a Rede do feito à mão segue a se fortalecer: estreita laços e se expande com novas relações.

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A história de trabalho e paixão da Olive Cerâmica

Sofia largou a publicidade para se encontrar no fazer manual (Fotos: Gleice Bueno)

Sofia largou a publicidade para se encontrar no fazer manual (Fotos: Gleice Bueno)

A sensação de estar deslocada fez Sofia Oliveira construir um espaço em que se encaixasse. Ela é a criadora e a artesã por trás da marca Olive Cerâmica, que faz vasos e utilitários do material. Formada em propaganda em marketing, trabalhou na área por tempo suficiente para entender que não encontraria ali a realização que buscava. “Saí da agência em que trabalhava desiludida e tentando achar outro interesse que pudesse me inspirar”, conta.

Ela decidiu sustentar a carreira por mais um tempo em outra empresa e, enquanto isso, aprender um fazer manual. Escolheu a jardinagem, mas não foi ali que ela se encontrou. De qualquer forma, o contato com a terra e com as plantas serviu de ponte para a cerâmica, já que cada semente cultivada precisava de um vaso. Pronto. Era isso. “Descobri a cerâmica meio sem querer, me apaixonei e uns 8 meses depois de ter começado resolvi investir nisso de verdade e criar a minha empresa.”

Escolheu parte de seu sobrenome, Olive, para batizar o projeto e se jogou na ideia com a segurança de quem encontrou uma paixão, mas com uma montanha de incertezas. “É uma delícia ter as rédeas da sua empresa e poder tomar todas as decisões. Mas isso tudo também pode ser extremamente assustador: é super difícil ser responsável por 100% do trabalho no início, passando por comunicação, estoque, financeiro, produção, vendas e tudo mais.”, diz. Sofia conta que, aos poucos, o projeto ganha maturidade, clientes e as burocracias do começo entram na rotina, deixam de ser tão ameaçadoras.

Por outro lado, sempre surgem novos obstáculos, diz, garantindo que aprende com o tempo a contornar cada um deles. Hoje ela já consegue concentrar toda a sua energia produtiva na Olive Cerâmica e dispensar trabalhos como free lancer na publicidade. Até agora, conta, o saldo é positivo:

“APESAR DOS DESAFIOS, A TRANQUILIDADE DE CONSTRUIR ALGO EM QUE ACREDITO É ENERGIZANTE"

Assim, Sofia se empodera como empreendedora e fortalece o negócio ao mesmo tempo em que segue com seu trabalho minucioso e manual, construindo cada peça da marca. Para ela, trabalhar com cerâmica também é praticar certo desapego, se acostumar a errar muito e ver peças falharem antes de acertar o tom. A inspiração vem de viagens, lugares e formas que encontra no cotidiano. O foco é criar objetos de cerâmica que tenham funcionalidade como aspecto principal, mas que carreguem a identidade visual da marca e, com isso, sejam únicos.

Sofia conta que o caminho não é simples, mas é recompensador e, no caso dela, trouxe amadurecimento. “Comecei a ver a vida em torno da minha empresa e isso é positivo. Consegui construir um paralelo entre a minha vida pessoal e profissional de forma mais harmoniosa.” Quando a situação aperta e a incerteza passa para uma visita, ela diz que se apega no mais importante: no retorno que recebe dos clientes. “É o empurrão que me dá ânimo quando bate o cansaço e a preocupação”, conclui.

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